O Cristal Encantado: A Era da Resistência | Crítica da 1ª Temporada

A boa e velha trama do bem vs mal, a jornada do herói em busca de salvar o mundo de uma grande ameaça, a união de um grupo de pessoas contra um governo totalitário, tudo isso faz parte de O Cristal Encantado: A Era da Resistência, a nova série da Netflix, que chega para contar uma história que passa antes dos eventos vistos no longa O Cristal Encantado lançado na década de 80.

Mas, a grande pergunta que fica é, eu preciso ver o filme para assistir a série? Não necessariamente. A Netflix sabe disso, e O Cristal Encantado: A Era da Resistência faz logo no seu primeiro, e longo, episódio intitulado 1×01 – Fim. Começo. Uma única coisa um bom apanhado do que esperar da história em termos de desenvolvimento narrativo, e claro, de apresentação dos personagens. E o que temos igual? Um retorno para o visualmente impressionante mundo criado por Jim Henson com bonecos falantes e muitos efeitos visuais práticos.

O Cristal Encantado: A Era da Resistência | Crítica
Foto: Netflix

Passada a estranheza e o choque inicial que os marionetes podem trazer, O Cristal Encantado: A Era da Resistência até que empolga numa trama de aventuras épicas, e faz um mix da série A Família Dinossauros (1991) com a franquia O Senhor dos Anéis (2001).

Com um árduo trabalho de tentar, ao mesmo tempo, apresentar o planeta Thra, seus moradores, e as complexas relações que eles vivem, os primeiros episódios (1×02 – Nada é mais simples e 1×03 – O que foi desfeito e partido) são um mar de informações, detalhes, e nomes que podem pegar de supresa algum espectador desavisado do que vem pela frente. 

Divididos por raças, e cada raça por clãs, mais de sete para ser exato, pensem castas indianas, assim por dizer, o texto de O Cristal Encantado: A Era da Resistência é cercado por uma mitologia própria bastante única e bem peculiar. Na série, somos apresentados para os mais diversos tipos de criaturas, e a cada episódio, mais delas são mostradas, e ajudam a contar a história. Temos o estranhos, e quase grotescos, lagartos gigantes, a raça dominante liderados pelo Imperador, chamados de Skeksis, os Gelfling, um grupo que serve os senhores, as figuras engraçadinhas dos Podlings, e ainda os Mystics, que são a versão Yoda de Star Wars para a série.

Todos eles tem seus poderes próprios, suas regras, e como devem se comportar como uma peça fundamental para fazer a sociedade de Thra sobreviver. Os Gelfing são divido em clãs, temos os Gelfing do Clã de Stonewood, os de Vapra, os de Grottan, então se preparem….são muitos nomes, personagens, interações complexas que podem dar um nó na cabeça do espectador em um primeiro momento. Uma colinha vai sempre bem nessas horas, onde O Cristal Encantado: A Era da Resistência retira uma página da série Game Of Thrones nesse sentido. Mas, se por um lado temos uma quantidade gigantesca de personagens, a produção acaba por nos atiçar e fazer quer saber quem dubla cada personagem, pois um dos grandes destaques em O Cristal Encantado: A Era da Resistência fica nas vozes conhecidas em Hollywood que ajudam a dar vida para esse novo universo que a Netflix nos apresenta.

Alice Dinnean and Anya Taylor-Joy in The Dark Crystal: Age of Resistance (2019)
O Cristal Encantado: A Era da Resistência | Crítica
Foto: Netflix

O Cristal Encantado: A Era da Resistência trabalha então para nos apresentar seus protagonistas de forma isolada, e bem lentamente, onde cada um deles se mostra preso em suas funções dentro do sistema de trabalho que é imposto pelo Skeksis. Assim, conhecemos os Gelfing que são guardas no Castelo do Cristal, os soldados Rian (voz de Taron Egerton), e Mira (voz de Alicia Vikander) que acabam por descobrir um dos grandes segredos que seus senhores mantém guardados à sete chaves, enquanto eles vivem a vida boa e a população sofre. E em paralelo, temos ainda a Princesa Gelfing chamada Brea (voz de Anya Taylor-Joy) que vive cercada de livros, e por conta de sua rebeldia e curiosidade, começa questionar sua posição na sociedade que vive. E ainda temos a inocente Gelfing, Deet (voz de Nathalie Emmanuel) que tem visões sobre o futuro perigoso que se aproxima, e assim, recebe a missão da Árvore do Santuário em que vive em com o Clã Grot para impedir a escuridão de destruir o planeta.

Os nossos heróis começam suas jornadas separados, e demoram para se encontrar ao longo da temporada, mas isso serve para o espectador se ambientar no mundo criado pelos produtores O Cristal Encantado: A Era da Resistência. O trabalho de produção, os efeitos especiais para os locais onde os personagens vivem, e até mesmo os detalhes dos bonecos, seja nos figurinos ou até mesmo nas pinturas de seus corpos, estão muito bem feitos. Na parte técnica, O Cristal Encantado: A Era da Resistência faz uma mega-produção digna de cinema e de impressionar. 

Jason Isaacs in The Dark Crystal: Age of Resistance (2019)
O Cristal Encantado: A Era da Resistência | Crítica
Foto: Netflix

Mesmo com um tom um pouco infantil a primeiro olhada, O Cristal Encantado: A Era da Resistência definitivamente não é para crianças, a graça e o charme fica nos puppets do mal, liderados pelo ameaçador Imperador (voz de Jason Issacs), e pelos outros membros do conselho que fazem de tudo para garantir seus luxos, e claro, a vida eterna que o grande cristal que dá nome para a série os proporciona há milhares de thimes, como são chamados os anos na série, para o grupo. Por mais que extremamente malvados e asquerosos, o tom ácido e bastante afiado das falas dos personagens, deixam os chamados vilões roubarem a cena. Os destaques ficam para Simon Pegg como The Chamberlain, Awkwafina como The Collector, e Benedict Wong como The General.

Assim, O Cristal Encantado: A Era da Resistência pega uma história completamente genérica com artefatos mágicos, intrigas políticas, e lutas contra as injustiças sociais, que já foi vista no filme dos anos 80, e cria um mundo completamente realista, místico, e com bonecos vívidos que parecem ganhar vida e não depender de uma pessoa por baixo conduzindo a marionete, para dar muito certo.

Para os fãs saudosistas dos anos 80, e tanto dos filmes O Cristal Encantado, quando de Os Goonies (1985), ou A História Sem Fim (1984), a série da Netflix, O Cristal Encantado: A Era da Resistência chega como uma grata surpresa.  

O Cristal Encantado: A Era da Resistência estreia em 30 de agosto.

Miguel Morales

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