O Castelo de Vidro | Crítica

Em O Castelo de Vidro (The Glass Castle, 2017) somos transportados para dentro das memórias de Jeannette Walls e as relações com sua família. O filme resolve mostrar de forma muito interessante as aventuras que os Walls passaram e a transformação que a personagem sofreu ao longo de sua vida. É um filme bonito, tocante e com um mensagem poderosa sobre o que é ter um lar, a importância da família na vida das pessoas e de superação. A produção que conta com um mega elenco é baseado no livro de mesmo nome escrito pela própria Jeannette que já está disponível em português e é fantástico assim como o filme.

Foto: Paris Filmes

Contato em formato de flashback começamos com a personagem já adulta interpretada pela sempre cativante atriz e vencedora do Oscar por O Quarto de Jack (2015), Brie Larson. Ela trabalha num jornal na coluna de fofoca enquanto seu noivo David (Max Greenfield) a leva para jantares para impressionar futuros clientes. Em um desses encontros a personagem é perguntada sobre sua família e ela mente sobre como estão seus pais naquela época.

Assim ela relembra que a vida com eles nem sempre foi fácil, a artista Rose Mary (a competente mas apagada Naomi Watts) e Rex (Woody Harrelson) sempre foram, digamos espíritos livres e vivem de mudança. O único problema que eles levam os quatro filhos a todo canto. Eles não frequentavam a escola, tinham pouco acesso a comida e itens básicos e de higiene pessoal mas se divertiam seguindo os pais pelo país de carro seja fugindo dos credores ou indo atrás de idéias e sonhos dos pais.

A verdadeira mensagem do filme aqui é como a personagem principal conseguiu navegar durante momentos chaves e tristes da sua infância para mais tarde entrar na faculdade, conseguir um trabalho e virar escritora. O filme não é preto no branco e chega até ser brutal em várias partes e a trama tem a preocupação de mostrar como isso afetou a vida dos diversos personagens. O Castelo de Vidro consegue mostrar em várias passagens como algumas situações afetaram a vida da família desde de pequenos conflitos, como acidentes na cozinha até assuntos mais pesados como dependência de álcool e abuso tanto físico quanto psicológico.

Claro que o filme tem seus problemas principalmente no roteiro que até chega a romancear algumas situações e estender por demais algumas cenas para definir a personalidade de alguns personagens mas um dos grandes destaques do filme é a forma que ele consegue se conectar com situações que podem ser encontradas em qualquer família. Alguns eventos podem ter acontecimento de outra forma com a própria autora mas em O Castelo de Vidro eles servem para entregarem poderosas atuações principalmente de Harrelson e Larson.

Como o pai, o ator se entrega de uma forma incrível e realmente conseguimos ver toda sua dor, remorso e frustração mas mesmo sem perder aquele ar sonhador e otimista. Principalmente na busca pela construção da utópica Casa de Vidro que representa tudo aquilo que ele acha que sua família merece Harrelson mostra nesse filme uma atuação forte, marcante e é um dos destaques que valem a ida ao cinema.

Foto: Paris Filmes

Larson, como sempre nos mostra uma atuação precisa, carismática e muito envolvente e ao interpretar Jeannette em duas fases (jovem e adulta) temos o prazer de conseguir ver o contra-ponto de suas personagens. Uma assustada mas esperançosa adolescente pronta para enfrentar o mundo depois de encarrar muitas adversidades e a outra uma adulta formada, mais séria e confiante. Brie Larson faz em uma das cenas, a do jantar de Ação de Graças, uma das passagens mais tocantes e bonitas de todo o filme. As crianças fazem também uma boa atuação tanto em nas fases mais jovens quanto na fase pré-adolescentes e os destaques ficam com os atores mirins Chandler Head (com a jovem Jeanette) e claro Charlie Shotwell (como o jovem Brian).

Com uma fotografia muito bonita, passando por desertos e pelo interior dos EUA, como os estados de Virginia e Arizona, o filme consegue capitar de uma excelente forma o interior do país e como as famílias lutam para sobreviver. Quando está em Nova York, a produção consegue reproduzir bem a cidade nos anos 80 e a ambientação toda do filme é muito bem feita com as roupas, os cabelos e tudo mais e faz um contra-ponto interessante entre a vida antiga e a vida nova da personagem, e isso fica muito claro na cena que mãe e filha já adulta vão almoçar, depois de algum tempo sem se ver.

O Castelo de Vidro é um filme que te comove do começo ao fim, e mostra de forma fantástica e fenomenal alguns assuntos muito delicados. O longa consegue ter momentos profundos junto com pitadas de comédia e é um daqueles que te deixa relembrando as cenas e a trama durante dias. Mirando na temporada de premiações em 2018, o filme é uma produção daquelas para se apreciar com calma e claro na sala do cinema.

Nota do Crítico:

O Castelo de Vidro chega aos cinemas no dia 24 de agosto.