O Acampamento | Crítica

O Acampamento (Killing Ground, 2016) é uma grata surpresa. O thriller mistura uma trama de terror psicológico com cenas de pura tensão que deixa você ligado no assento esperando o que vai acontecer na próxima cena e na próxima. O orçamento pequeno do filme não faz nenhuma diferença afinal a produção se garante nas ótimas atuações do seu elenco.

Bem violento em algumas partes e com cenas mega realistas a produção mostra como as pessoas reagem em situações extremas e testam os mais apurados sentidos de sobrevivência. Com uma ambientação sufocante em diversos momentos e uma câmera que se move freneticamente a medida que os eventos vão acontecendo, o filme conta com uma trama ágil e muito bem trabalhada.

Foto: CineArt

Assim, no começo conhecemos Ian (Ian Meadows) e Samantha, a ótima Harriet Dyer, um casal de namorados que resolvem ir acampar e passar um final de semana juntos. A idéia é os dois passarem bons e calmos momentos e curtirem uns aos outros, Ian é médico e é aquele tipo de namorado protetor e Sam é uma escritora que passa um sentimento de fragilidade. Mas quando os dois chegam na região percebem um clima meio estranho e que alguma coisa está errada.

Eles montam acampamento junto ao rio que tem uma paisagem muito bonita mas com um ar meio bucólico e avistam uma outra barraca isolada do outro lado. A medida que os donos do lar não se manifestam, o casal começa a achar tudo aquilo muito suspeito e estranho. A história fica ainda pior quando no outro dia, eles encontram um bebê vagando pelas florestas e resolvem pedir ajuda. Assim, o roteiro de Damien Power, que também dirige a produção, nos apresenta os outros personagens da história de forma muito interessante e de um jeito meio as avessas mostrando o que aconteceu com a familia que sumiu do acampamento mas sempre continuar a deixar um sentimento de perigo cada vez mais maior com a dupla de namorados.

Com a ameaça vindo na mão de dois habitantes locais, Chok (Aaron Glenane) e German (Aaron Pedersen), o filme ganha novos ares e se torna uma produção sem medo de ousar e que não poupa ser gráfica em momentos chaves. A dupla de fazendeiros ficam ainda mais assustadores por serem homens comuns com zero motivos aparentes para estarem fazendo aquilo, agindo apenas pura maldade. O Acampamento até tenta criar justificativas para o comportamento dos rapazes mas que acabam sendo não muito exploradas. O mesmo vale para a primeira familia que apenas pincela uma relação difícil entra a filha mais velha e os pais para depois que o verdadeiro caos acontece esquecer completamente daquilo que foi mostrado.

Foto: CineArt

O ator Aaron Glenane é um dos destaques em forma de atuação que lembra muito o personagem de Aaron Taylor Johnson em Animais Noturnos (2016), transtornado, psicótico e obsessivo. O filme trabalha muito bem as pistas sobre os acontecimentos de forma bem sutil e tudo que aparece tem um motivo para estar lá seja um celular, uma foto, ou um chapéu. Mas quando o filme, parte para os momentos mais tensos consegue fazer muito bem essa transição. Ian Meadows e Harriet Dyer conseguem expressar muito bem todas as atitudes de seus personagens quando o negócio começa a ficar feio para o lado deles e uma das melhores partes do filme é quando ao seu final vemos como as atitudes dos personagens mudam e as dinâmicas se invertem. Se eles tinham alguma máscara por trás de suas figuras elas são completamente arrancadas. Ainda mais nos momentos finais.

O Acampamento passa um sentimento de “O que está acontecendo?” e ao te fazer ficar apegado com os personagens consegue criar um envolvimento sem tamanho de torcida sobre o que irá acontecer. Com uma bela edição e excelente atuações mesmo de atores desconhecidos do grande público o filme é uma ótima pedida para fãs do gênero com viradas de roteiro bem interessantes ele conta uma história nem um pouco linear, angustiante e muito perturbadora.

Nota do Crítico:

O Acampamento estreia em 31 de agosto nos cinemas.