Megarromântico | Crítica

Como uma boa comédia romântica Megarromântico (Isn’t It Romantic, 2019) é cheio de clichês e cenas previsíveis, mas a produção estrelada por Rebel Wilson, vai além, e literalmente tira sarro de tudo isso e faz um longa super bem-humorado, cativante e com uma história divertidíssima!

Rebel Wilson and Liam Hemsworth in Isn't It Romantic (2019)
Megarromântico – Crítica | Foto: Warner Bros Pictures/Netflix

O lado mais bacana de Megarromântico é seu texto afiado e satírico que faz uma mega homenagem para todas as comédias românticas por aí, principalmente aquelas clássicas dos anos 80, 90 e 2000, como Harry e Sally – Feitos Um para o Outro (1989), Uma Linda Mulher (1990), De Repente 30 (2004) e Doce Lar (2002).

Com situações surreais e de arrancar boas gargalhadas, Megarromântico se apoia completamente no timing cômico de sua protagonista, Wilson, que esbanja um talento sem tamanho e que não poderia ser a melhor opção para o papel.

Megarromântico faz tudo que Sexy Por Acidente (2018) tentou e não conseguiu, criar uma trama leve, descompromissada mas cheia de mensagens importantes sobre aceitação e amor (próprio!).

O texto do trio Erin Cardillo, Dana Fox e Katie Silberman é o grande responsável por Megarromântico dar certo. As críticas para as comédias românticas são totalmente válidas, e são visões que não desmerecem o gênero em si, mas sim, apontam as falhas dos filmes tem de uma forma perspicaz e completamente divertida.

Na trama, acompanhamos Natalie (Wilson) uma arquiteta de Nova York que sofre por não ser reconhecida pelo seu potencial no trabalho. E como se não bastasse isso, a jovem também não tem sorte no amor e quando ela tromba com um cara no metrô, numa tentativa de abrir o coração, o encontro termina com ela sendo assaltada e deixada inconsciente no metrô.

E assim, Megarromântico ganha seu toque fantasioso e a vida da garota, agora é uma comédia romântica daquelas bem clichê, onde Natalie é a personagem principal e Wilson realmente rouba todo o filme para ela.

Priyanka Chopra and Adam Devine in Isn't It Romantic (2019)
Megarromântico – Crítica | Foto: Warner Bros Pictures/Netflix

É engraçado acompanhar em Megarromântico o lado “realidade” dos personagens e o lado “comédia romântica” que o filme brinca no melhor estilo O Mágico de Oz (1937). A metalinguagem utilizada no longa é muito bem feita, onde tudo parece ter sido pensado nos mínimos detalhes. Assim, o texto de Megarromântico, usa de um tom bastante ácido para descrever todo o non-sense que vemos os personagens envolvidos, desde uma Nova York com cheiro agradável, pessoas simpáticas andando na rua e até mesmo passagens onde tudo é bonito, cheio de flores, e o clima ensolarado.

O vizinho de Natalie, Donny (Brandon Scott Jones, hilário) é um daqueles piscou perdeu da sua versão no mundo real e Jones faz todos os esteriótipos possíveis do “amigo gay”, mas aqui, na produção, o ator não o faz de uma forma ruim ou pejorativa, afinal, vemos boa parte do personagem dentro da clichê parte da comédia.

O ator Liam Hemsworth apenas confirma que o talento para comédia tá na família Hemsworth e, de surpresa, faz um personagem engraçado e extremamente caricato. Adam Devine, mesmo no seu piloto automático, chega a empolgar, graças as parceiras de cenas, Wilson e Priyanka Chopra que sempre funciona em pequenas doses. E assim, o quarteto se envolve numa confusão amorosa com karaokês, viagens de helicópteros, e claro festas e mais festas. Uma coisa que não podemos deixar de destacar aqui, é que infelizmente, a ótima Betty Gilpin, tem um papel pequeno como a assistente viciada em ver filmes no trabalho, mas, por outro lado a sua versão no mundo de fantasia, é muito boa.

Não esperem uma revolução nas comédias românticas com esse filme, a trama do longa segue seu caminho, até que bastante óbvio, sem muitas surpresas narrativas, mas no final, Megarromântico chega a ser megadivertido e megacativante.

Assim, temos aqui, uma comédia para se ver numa tarde chuvosa, dar boas risadas e aproveitar o talento de Rebel Wilson que está melhor do que nunca.

Nota do Crítico:

Miguel Morales

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