Marvel – Inumanos | Crítica

A idéia de lançar uma série de TV antes no cinema e depois continuar com ela na TV quando foi anunciada pegou muita gente de surpresa tanto pelo caráter de novidade quanto pela ação inédita. Afinal, cinema e tv são experiências diferentes, mesmo que envolvem basicamente a mesma coisa, sentar e assistir uma história sendo contatada. Se ela vai ser boa ou não é um caso a parte.

Marvel – Inumanos (Marvel – Inhumans, 2017) tem como positivo o fato de seus dois primeiros episódios serem exibidos em IMAX e isso claramente chama a atenção. Mas só, o roteiro é confuso, as atuações deixam a desejar e nem a fofura de Dentinho, um cachorro gigante feito por computação gráfica é capaz de salvar a produção.

A qualidade das apresentações da Marvel no cinema não tem comparações, desde dos visuais, aos efeitos e a escolha do elenco são boas. Na divisão da Marvel TV, tirando uma série ou outra as produções são consideradas até ok mas em Inumanos isso vai por água abaixo. A real é que o roteiro parece que quer se aproveitar que suas cenas foram gravadas em IMAX para nem se preocupar em contar uma boa história ou introduzir uma trama sobre quem são os inumanos logo de cara. Uma pena, afinal esses primeiros episódios introdutórios deveriam ter esse papel.

Foto: ABC/Marvel

Querendo ou não você tem 2 episódios para instigar o público para voltar para outros episódios lá na TV no final do mês, na dura missão de estrear na fall season onde a produção irá competir com outras novas séries, seriados antigos, mais os filmes que chegam no cinema, programas na Tv a cabo e streaming, livros e bem com a vida que segue né? Muito difícil. Para quem não acompanha a série de TV, Marvel – Agents of S.H.I.E.L.D (que tratou do assunto dos inumanos bem rapidamente) parece que aconteceu toda uma trama antes desses episódios dessa nova série e que alguma coisa passou antes, como se fosse um prequel para entender a trama e que você perdeu uma parte da história.

Uma das poucas coisas que o seriado acerta é que os poderes da Familia Real são de fácil entendimento, um não pode falar pois tem uma voz poderosa que pode matar todo mundo, a esposa tem força no cabelo, o cachorro tem poder de transporte. Mas diferente dos X-Men onde eles fazem os poderes serem legais, aqui eles parecem que ficaram mais em segundo nível, como se a produção quisesse deixar os episódios com um ar mais sério mas ao fazer isso acabou tirando toda as essências dos personagens. O diretor Roel Reiné até consegue deixar os dois episódios com um ritmo interessante mas é preciso deixar certas coisas de lado para não perder o bonde da história.

A trama só explica que a raça dos Inumanos foi para a Lua, especificamente para Atillan se esconder da perseguição dos humanos e agora Maximus (Ivan Rheon), o irmão do Rei Raio Negro (Anson Mount), quer tomar seu lugar no trono e comandar a população de inumanos mesmo ele próprio não tendo poderes. O filme falha em muitas coisas, uma delas é a forma que as coisas são apresentadas, devendo se parecer com um filme de 1h20, a edição erra em não deixar ele com cara de longa-metragem, e vive passando cenas que não precisavam estar lá, como algum recap de começo de episódio que claro funciona numa série de TV mas no cinema soa um pouco estranho.

Rheon parece que diminou um tom de seu personagem na série Game Of Thrones e lembrou uma versão menos esperta de Loki, personagem de Tom Hiddleston nos filmes de Thor! A atriz Serinda Swan deveria demitir seu agente pela escalação, a maioria das suas falas são constrangedoras, seu figurino e caraterização são bem ruins e não melhoram a primeira impressão dos trailers. Sem falar no cabelo que pareceu ser mais um ponto negativo na criação da personagem do que ajudar desde do tamanho até o formato mas os roteiristas tiveram uma sacada esperta para resolver isso para os próximos episódios, sem spoilers.

Mount até faz uma boa atuação principalmente nas cenas que o personagem anda com roupas de civil e já está na Terra, com olhares expressivos o ator dá a impressão que não irá conseguir segurar muito o personagem se por sorte a série for renovada para um novo ano. Ken Leung, Eme Ikwuakor e Isabelle Cornish que compõem o restante do elenco principal são completamente dispensáveis. Sem carisma nenhum e zero desenvolvimento eles acabam sendo figurantes de luxo juntamente com Dentinho que desaparece após algumas cenas como se a produção não quisesse acrescentar mais trabalho para a pós-edição com os efeitos especiais do cachorro.

Sendo a segunda coisa de ruim que a Marvel fez esse ano (junto com Punho de Ferro na Netflix) e as duas produções feitas pelas mãos da mesma pessoa, o showrunner Scott Buck, Marvel – Inumanos tem uma boa ideia com má execução. Mesmo com as habilidades da direção de conseguir colocar a câmera em algumas posições diferentes e trabalhar com algumas boas sequências e cenas bem bonitas no Havaí a série parece ter pouco retorno para um investimento alto.

Talvez se o projeto não tivesse sido tão apressado poderia até ter sido um marco positivo para o estúdio. Com bons efeitos especiais que foram bem executados para passarem em IMAX, a série se tivesse estreado no formato tradicional poderia até passar meio em branco no meio de tantas produções que chegam em Setembro.

Nota do Crítico:

Marvel – Inumanos estreia os 2 episódios em IMAX em 31 de agosto e a série fica no ar durante duas semanas nos cinemas. Depois, em 29 de setembro, a série estreia na ABC com conteúdos inéditos, mesmo com a confirmação que o Canal Sony exibirá a série não foi anunciada oficialmente na grade do canal.

Miguel Morales

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