Marvel anuncia relançamento de sua linha de quadrinhos… De novo!

O que deveria ser uma notícia empolgante, infelizmente virou mais uma dor de cabeça para os leitores da Marvel. Apenas 5 meses após o início da fase Legacy, que veio devolver o status quo da maioria dos personagens, a Marvel anuncia mais um relançamento de sua linha de quadrinhos – o Fresh Start. O OITAVO desde 2012.

O principal motivo do anuncio foi a perda de duas grandes forças criativas: Axel Alonso, que era o editor-chefe da linha de quadrinho e Brian Michael Bendis, responsável pelas maiores saga e personagens mais importantes dos últimos anos. Para quem ainda não sabe, Bendis fechou contrato de exclusividade com a DC e deve escrever para o Superman.

Em vídeo, o novo editor-chefe C.B. Cebulski, disse que “nunca vi tanta empolgação e entusiasmo para onde a Marvel Comics está indo esse ano“. Joe Quesada, que estava se dedicando à divisão de televisão, também faz parte da iniciativa. O que eles não esperavam era a reação negativa dos leitores.

Existem vários problemas como esse relançamento. O maior deles é devido ao fato da maioria dos personagens em destaque serem relacionados ao universo dos filmes e das séries de TV, incluindo Pantera Negra, Doutor Estranho, Capitã Marvel, Homem-Formiga, Luke Cage, Jessica Jones e Demolidor. Sim, faz sentido que os quadrinhos reflitam o que veem nas telas, mas a experiência fica extremamente empobrecida se não existir algo diferente e instigante a ser acrescentado à experiência de leitura.

Está claro que esta é uma forma de adaptar os quadrinhos à um modo de negócio mais lucrativo. Depois de anos alguns mutantes estão na imagem de divulgação de uma saga, com Jean Grey, Gambit, Logan e Deadpool, demonstrando como a ligação com os filmes é importante. A recente aquisição da FOX pela Disney parece ter feito a Marvel – de repente – se lembrar da importância desses personagens, afinal, o embargo foi desfeito.

Outro problema está na clara intensão em atender aos desejos de uma classe específica: donos de lojas de quadrinhos e seus leitores brancos e héteros. Em um encontro com representantes de grandes lojas e a Marvel, foram feitas diversas reclamações sobre a crescente diversificação do universo, com a adição de personagens femininos, negros, asiáticos e LGBT.

Desde então, todas essas mudanças foram revertidas. Tony Stark reassumiu a armadura do Homem de Ferro no lugar da adolescente negra Riri Williams. Odinson retomou Mjolnir de Jane Foster e voltou a ser o Thor. Bruce Banner, Jean Grey e Logan retornaram das cinzas e duas revistas com protagonistas gays – Iceman e America – foram canceladas, pois “crianças não querem ir as lojas comprar revistas que mostram o Homem de Gelo beijando outros caras“.

Se mesmo após anos de avanços para as minorias e o recente sucesso de bilheteria que foi a estreia de Pantera Negra, a Marvel realmente decidiu satisfazer apenas seus leitores brancos e conservadores e que insistem em reclamar da proliferação de personagens femininos, negros, asiáticos e LGBT, não haverá nada de fresco (fresh) nesse relançamento.

Paulo Halliwell

Professor de idiomas com mais referências de Gilmore Girls na cabeça do que responsabilidade financeira. Fissurado em comics (Marvel e Image), Pokémon, Spice Girls e qualquer mangá das Clamp. Em busca da pessoa certa para fazer uma xícara de café pela manhã.