Lino: Uma Aventura de Sete Vidas | Crítica

No próximo dia 7 de setembro chega aos cinemas a animação infantil Lino: Uma Aventura em Sete Vidas (2017). A produção é do estúdio nacional Start Anima, que tem inúmeras animações em seu currículo, como O Grilo Feliz (2001) e mais de 50 anos de existência, e com distribuição da FOX Film. Essa bagagem do estúdio é bem vista na animação, que flui bem nos aspectos técnicos, tanto que o character design são incríveis, mas peca, e muito, em seu roteiro, desenvolvimento e piadas…

A trama da animação é simples, acompanha o animador de festa infantil Lino (Selton Mello), que tem de suportar todos os maus tratos das crianças do buffet, em uma jornada para acabar com o seu grande azar. Quando resolve mudar de vez e virar a mesa, ele acaba encontrando um feiticeiro que acaba inesperadamente transformando-o em um felino gigante, enquanto ele é caçado pela polícia após usarem sua fantasia em um assalto.

O uso da troca de corpo, ou transmutação, já foi bastante usado em filmes como Se Eu Fosse Você (2006), Sexta-Feira Muito Louca (2003) e até Animal (2001), e todos vem com aprendizados e cheios de teorias sobre aproveitar sua própria vida e encontrar uma saída para os próprios problemas e assim voltar ao normal, e aqui em Lino: Uma Aventura em Sete Vidas não é diferente. Infelizmente o roteiro acaba sedo redundante, cheio de piadas sem graça, muitas gags envolvendo bundas e peidos, e até a eterna briga do “é bolacha, não é biscoito”. O filme inteiro parece saído de um quadro do finado Zorra Total.

Mesmo que o filme seja cansativo, arrastado e cheios de momentos constrangedores, não vou ficar apontando isso para diminuí-lo, pois Lino: Uma Aventura em Sete Vidas tem a seu favor toda sua produção. A direção de Rafael Ribas sai melhor do que sua função no roteiro, e os animadores e todos os profissionais envolvidos. O esforço é louvável, a equipe é pequena se comparada as grandes empresas de animação e a entrega acaba sendo boa no contexto técnico da produção, mas o que motiva a história é seu roteiro, isso não tem como ignorar.

As falas da dublagem de Selton Mello está um pouco mais alta do que todos os outros atores envolvidos, principalmente a da personagem de Paolla de Oliveira, que temos de nos esforçar para compreender o que fala. Dira Paes deixa sua personagem Jandira bem carismática, mesmo que precise lidar com dois policiais canastrão e o ponto mais fraco do filme, de tão exagerados que são.

E Lino: Uma Aventura em Sete Vidas poderia ter um desfecho bem mais bacana para o cinema de animação nacional, mas infelizmente acaba deixando bem a desejar. Aguardamos mais produções de animação de qualidade técnica como este, lógico, mas que elas venham com boas histórias a serem contadas, só que além de tudo isso, precisa ser melhor dosada e com diálogos bem pensados. Uma pena, pois como disse, o character design e toda a animação de Lino são incríveis!

Nota do Crítico:

Lino: Uma Aventura de Sete Vidas chega aos cinemas no dia 7 de setembro.