Limites | Crítica

Limites (Boundaries, 2018) é uma daquelas gratas surpresas no meio de uma temporada cheia de explosões, filmes de ação e comédias com gosto duvidoso que acaba por ser um apaixonante filme de descobertas e intimidades.

Nesse tipo de produção que chamamos de road trip movies, vemos os personagens se juntarem para uma viagem de carro até um destino final que acaba por não ser bem o principal objetivo dessas pessoas. Bem, talvez, para eles como personagem até pode ser, mas para quem assiste acabar por ser tudo pela jornada.

E é isso que Limites é em sua essência, um bom drama sobre relacionamentos, segundas chances e a importância da família!

Christopher Plummer and Vera Farmiga in Boundaries (2018)
Foto: Sony Pictures

Liderados para fantástica e extremamente boa Vera Farmiga na trama do longa conhecemos Laura, uma mãe solteira que tem sérios problemas de confiança e não tem uma relação muito boa com sua família, onde no final, acaba por ser ela e o filho (Lews MacDougall) contra o mundo. Mas quando ela recebe uma ligação que seu pai (Christopher Plummer, ótimo) fugiu da instituição para idosos, Laura propõe um acordo para ele: ela o leva para Los Angeles e ele empresta dinheiro para a educação do neto.

Assim, Limites nos entrega uma viagem que acaba por ser o começo de uma jornada de aceitação, lavagem de roupa suja e claro colocar os pontos nos is que estavam entalados na garganta de nossa protagonista há anos. Christopher Plumper realmente encanta como o 171, Jack e rouba as cenas em quase todos os momentos e principalmente quando contracena com o jovem ator Lewis MacDougall.

O filme em um primeiro momento pode parecer sério e triste como Ella E John (2017) mas graças ao roteiro de Shana Feste (que também dirige o longa), a produção acaba por surpreender ao ter um clima até bem humorado, cheio de tiradas espertas, dentro do tom e passagens que se encaixam bem para a proposta do filme.

limites
Foto: Sony Pictures

O filme se passa quase inteiramente nessa viagem que conta com paisagens super bonitas e Limites até que se estende um pouco em alguns momentos onde amplia certos arcos narrativos que deixam o filme com aquela famosa barriga, podemos citar, por exemplo, a história do ex marido (Bobby Cannavale desperdiçado) ou até mesmo outras passagens que ficam um pouco cansativas e repetitivas, como é o caso dos animais pegos nas ruas e até mesmo participações especiais um pouco forçadas dos amigos (clientes) de Jack como os personagens de Peter FondaChristopher Lloyd.

Mas mesmo assim, o filme flui feito uma estrada vazia e sem transito. E no final, Limites fala sobre uma família disfuncional com um humor afiado mas com delicadeza sem tamanha e a acerta em tratar de assuntos espinhosos de uma forma bem interessante.

Nota do Crítico:

Limites chega em 13 de setembro

 

Miguel Morales

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