A Lei da Noite | Crítica

Como diretor, Ben Affleck vem de uma trajetória boa, o filme Argo (2012) foi um dos pontos mais altos de sua carreira, ai depois veio Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016) um dos mais polêmicos filmes do ano, que mesmo sem ele no direção acaba ficando presente na mídia e, claro, depois veio a promessa de direção para o novo filme solo do Batman.

Assim era muito esperado que o filme A Lei da Noite (Live by Night, 2016), que teve roteiro baseado no livro do autor Dennis Lehane, fosse um sucesso. Bem, como sabemos Affleck não será mais o diretor do longa do homem morcego, A Lei da Noite não entregou um bom filme e a produção passou bem longe da temporada de premiações. Mas no fundo as coisas não só estão conectadas pelo nome de Affleck, por que nem de longe a direção ou atuação dele é o que faz o filme dar errado.

Foto: Warner Bros. Pictures

A trama do filme conta a história de Joe Coughlin (Affleck) filho de um comissário de policia de Boston que vive de golpes e pequenos assaltos a banco até que cruza com um chefe da máfia (Robert Glenister). Ao se envolver com umas das mulheres dele, interpretada pela misteriosa Sienna Miller os dois planejam dar um golpe e fugir juntos.  Claro que o romance dá errado, eles separam e ele acaba sendo preso. Anos depois Coughlin se alia a outro mafioso (Remo Girone) para derrubar o antigo chefe dando assim inicio ao seu plano de vingança.

Até essa primeira parte da produção o filme tem seus méritos ao caracterizar a cidade de Boston nos anos 1920, com as roupas de época, os bares, os carros antigos e claro situa muito bem o período da proibição da Lei Seca americana, onde as bebidas eram proibidas e os bares eram abastecidos clandestinamente. Se o filme terminasse nessa sua primeira hora já seria um longa médio. O problema se dá com condução da história a partir da segunda parte, onde Coughlin parte para a cidade de Tampa com seu parceiro Dion (Chris Messina) para cuidar da contrabando de bebida e assim minar os negócios do homem que matou sua ex-amada.

Nessa parte a falta de liga entre as histórias e a rapidez que a trama se dá para contar tudo é que faz o filme desandar. O destaque aqui fica para o alivio cômico do personagem de Messina, o ator que vem da série The Mindy Project realmente soube roubar a cena ao colocar pequenas tiradas ao longo da trama onde temos muitos tiros, lutas, acidentes e claro tensão. Os outros sub-plots são contados as pressas temos a história dos irmãos Graciella (Zoë Saldana) e Esteban Suarez (Miguel), o envolvimento dos moradores da cidade com a organização Ku Klux Klan e claro todo a história desenvolvida para a personagem de Elle Fanning, Loretta.

Foto: Courtesy of Warner Bros. Pictures

O fato também do personagem principal acabar flertando com o dilema “eu sou um gangster, mas também tenho um bom coração” acaba por deixar a trama pesada pelas atitudes do personagem, que por um lado é inteligente e ótimo para os negócios, mas acaba por mostrar essa dualidade de bom caráter, só que as vezes faz algumas coisas ruins que afetam a vida de outras pessoas.

A Lei da Noite é um filme que não sabe bem qual história deve contar. Se é um filme de máfia, se é um drama de época, ou um romance com cenas de ação. O roteiro tem umas viradas interessantes, mas não segura a trama como um todo. As atuações do seu elenco de estrelas estão no ponto, sem entregar mais ou menos do que o filme merece. Mesmo se você for fisgado pelo chamariz que o bom elenco tem lembre-se que é um filme para se ver sem compromisso e que não deve esperar nada de muito impactante ou memorável.

Nota do Crítico:

A Lei da Noite estreia dia 23 de fevereiro aqui no Brasil.