Legítimo Rei | Crítica

Legítimo Rei (Outlaw King, 2018) marca o retorno do diretor David Mackenzie em um novo trabalho com o ator Chris Pine, depois da parceria da dupla no filme A Qualquer Custo (2016)

Agora, os dois se juntaram para contar a história do Rei escocês, Roberto I, que lutou para separar a Escócia da Inglaterra por volta dos anos 1300. Só isso, já é o bastante para o espectador saber o que esperar do filme: muita lama, batalhas sangrentas e uma disputa pelo trono no melhor estilo Game Of Thrones com traições, alianças, e claro algumas conspirações no meio do caminho.

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Foto: Netflix

Legítimo Rei tem cenas de lutas épicas que devem ter ficado ótimas vistas no cinema mas a produção chega pelo Netflix, depois de sua estreia no TIFF desse ano. E talvez, um dos problemas maiores do filme seja esse, David Mackenzie voltou para a ilha de edição após algumas críticas e fez da própria edição seu pior inimigo bem mais que um Rei Inglês sedento por anexar a parte norte da ilha aos seus territórios.

O filme não é ruim em todas suas formas, mas a edição com cortes bruscos e com cenas que não levam a lugar nenhum deixam a produção com um ritmo estranho. Já o roteiro, escrito pelo trio Bash Doran, David Mackenzie e James Macinnes, toma a liberdade de algumas conveniências histórias em termos de dramaticidade mas, por outro lado, o filme se garante por toda sua caracterização e ambientação que deixam Legítimo Rei com um ar realista  bastante impressionante.Seus figurinos, por exemplo, são simples, e mesmo os da realeza não tem muita pompa comparado com outras produções em outras épocas.

E se Legítimo Rei tem outro ponto a destacar, diríamos ser em suas atuações. Chris Pine lidera o elenco, como Roberto de Bruce, o nobre que reune alianças e começa uma rebelião contra o domínio inglês da região. Claro, suas motivações são mostradas mas nada é muito desenvolvido, como se os primeiros momentos do filme fossem apresados para a trama chegar nas cenas de batalha mais rápido, o que só dá espaço para uma apresentação rápida e confusa de alguns dos personagens que entre sujeiras, lama e barbas compridas fiquem um pouco irreconhecíveis e não muito diferentes entre si.

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Foto: Netflix

Mas quando o roteiro apela pela dramaticidade e faz Roberto ver a nova esposa Elizabeth (Florence Pugh, ótima) e filha serem sequestradas pela coroa inglesa é a hora que vemos o talento de Pine aflorar em tela onde o ator mostra uma atuação mais corporal do que com diálogos. Aaron Taylor-Johnson como o lorde Douglas, tem seus momentos de destaque, principalmente quando o nobre vai resgatar as terras de sua família, mesmo que o ator esteja escondido por uma peruca estranha e uma barba gigante que não combinam na mesma tonalidade, acaba por fazer um combatente feroz.

As paisagens da Escócia dão um toque bucólico e até mesmo melancólico para a produção que tem em seus cortes bruscos de edição um de seus principais problemas, onde o diretor Mackenzie parecia ter muito mais coisa para contar em pouco tempo. Mas no final, Legítimo Rei, faz um bom filme que se apoia em violentas cenas sangrentas, e sequências espetaculares de batalha para contar a história de um soberano que lutou para unificar seu país.

Nota do Crítico:

já disponível na Netfilx.

Miguel Morales

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