Kingsman: O Círculo Dourado | Crítica

Sequências são difíceis não é mesmo? Se você não sabe, Hollywood está careca de saber! É como se uma maldição tomasse conta das produções que vão estrear o segundo filme de uma franquia mirando a famosa trilogia. E Kingsman: O Círculo Dourado (Kingsman: The Golden Circle, 2017) não foge muito disso.

Depois da grata surpresa que foi o primeiro filme, como um sopro de novidade nos filmes de espionagem, tendo arrecadado mais de US$ 400 milhões em bilheteira global, os olhos dos produtores da FOX Film brilharam, como um desenho animado que vê comida no meio do deserto com a possibilidade de novos filmes. Mesmo que o diretor Matthew Vaughn tenha comentado que sua ideia era fazer três obras, sabemos como as coisas andam em Hollywood e o dinheiro acaba falando mais alto.

Foto: Fox Film do Brasil

Assim, para essa sequência parece que os chefões do estúdio falaram “queremos um novo Kingsman! nos tragam 20 roteiros para avaliar” e os roteiristas trabalharam e no final 20 histórias foram colocadas no mesmo script e aprovado para virar filme. Não que Kingsman: O Círculo Dourado seja ruim, o filme só é um pouco longo demais, espalhafatoso demais e a história faz mais giros e piruetas do que o personagem de Taron Egerton ao desviar das balas dos vilões. A sequência certamente não é melhor que o primeiro e se você tiver com essa expectativa pode procurar outra produção na lista de estreias da semana. Mas não se deixe enganar o filme é bom, mas poderia ser melhor.

No primeiro, o ótimo Kingsman: Serviço Secreto, o mundo foi apresentado a Kingsman, uma agência independente de inteligência internacional operando no mais alto nível de discrição, cujo objetivo final é manter o mundo seguro.  Agora na sequência, o espião Eggsy (Egerton) enfrenta um novo desafio, quando seu quartel-general é destruído e o mundo é mantido como refém pela excêntrica vilã Poppy (Julianne Moore). Assim, junto ao seu novo parceiro Merlin (Mark Strong) eles vão ter que procurar uma organização de espionagem dentro Estados Unidos chamada Statesman para tentar salvar o mundo.

Como falamos para uma sequência é tudo ou nada. Então os produtores se preocuparam em chamar o melhor elenco para compor a história do filme. Nomes conhecidos de Hollywood como Halle Berry, Channing Tatum e Jeff Bridges são meras figurações de luxo, tem pouco tempo de tela e muito bem poderiam ser interpretados por qualquer outros atores. A produção abusa de referências e recria cenas do primeiro filme, o que acaba sendo mais chato do que uma “homenagem”. O longa também gasta momentos preciosos ao precisar explicar todos os ganchos deixados do primeiro filme, mas claro que ainda a dinâmica entre Eggsy e Harry (Colin Firth) é ainda a melhor coisa que a franquia tem. É divertido, empolgante e o filme ganha uma leveza sem tamanha no meio de tanta explosões, tiros e pancadaria.

Foto: Fox Film Do Brasil

Mas como falei, ele tem um monte de coisas novas no roteiro para contar e a melhor idéia aqui ficou com a deliciosamente canastrona Julianne Moore. Como uma vilã maluca, psicótica e muito mais ameaçadora do que Samuel L. Jackson no primeiro filme, Moore parece se divertir em cena. Sua personagem é hilária, confiante e claro nos deixa empolgado com a esperteza e genialidade de seu plano mesmo que por alguns momentos ficamos meio chocados com as conveniências do roteiro. O grau de loucura e insanidade fica ainda mais em evidência quando a atriz divide tela com o cantor Elton John. Sem entregar muita coisa, mas as piadas são fantásticas.

O ator Pedro Pascal parece que tentou incluir todo seu charme e a produção se preocupou zero com a sua atuação, tanto ele quanto seu personagem parecem que saíram de um adaptação de baixo orçamento de um filme adulto e o ator passa sentimento de “vamos gravar isso logo que preciso voltar para a série Narcos” o tempo todo, até mesmo lá no final quando tem mais destaque. E ao ficar em círculos com a trama de conto de fadas reverso entre Eggsy e a Princesa Tilde (Hanna Alstrom), o roteiro do longa só parece querer incluir a trama para firmar e tentar dar profundidade no personagem.

Com muitos mas muitos efeitos especiais que acertam em partes mas que chegam a atrapalhar momentos, o filme tem algumas piadas de gosto duvidosos e peca por ter muitas tramas paralelas que claramente foram colocadas lá para deixar a produção mais grandiosa. No saldo final, Kingsman: O Circulo Dourado é uma boa produção: aumenta um pouco a grandiosidade, seja da vilã e de sua ameaça, quanto de personagens, localizações e claro situações surreais que o super-espião Cinderela passa. Mas é mais um acerto calculado do que um acerto por acertar. Diverte e empolga dentro do possível. Os fãs devem gostar, novamente.

Nota do Crítico:

Kingsman: O Círculo Dourado estreia em 28 de setembro nos cinemas.

Miguel Morales

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