Kin | Crítica

Com um visual super estiloso e mega caprichado, Kin (2018) tem também se destaca por ter uns efeitos especiais até que razoáveis mas mesmo assim, o longa acaba por ser muito mais um drama propriamente dito do que um filme de ficção científica.

As situações vividas pelo seu protagonista, o novato Myles Truittpoderiam acontecer em qualquer filme indie que se passa em festivais de cinema pelo mundo e se apoiam no tema de amadurecimento, o gênero super em alta em Hollywood, o chamado coming of age. Aqui, o que vemos é um filme que parece usar seu lado um pouco mais sci-fi como se fosse um tipo de caça público, uma coisa que talvez pode deixar muita gente desapontada ao sair do cinema.

Jack Reynor and Myles Truitt in Kin (2018) kin crítica
Foto: Paris Filmes

Não que Kin não seja um bom filme ou que não tenha uma boa história, pelo ao contrário, no longa temos todo o desenvolvimento da história de um garoto que não sabe bem seu lugar no mundo e que luta para viver com seu pai (Dennis Quaid, caricato) numa comunidade em Detroit. Ao analizar a trama do filme, vista como um todo, chegamos a conclusão que Kin passa a impressão de ser um grande capitulo introdutório de uma grande nova saga, onde os produtores meio que seguem a risca a cartilha da jornada do herói, colocam o protagonista numa busca de auto-realização e descoberta com a ajuda de personagens mais espertos do que ele ao longo do caminho.

Em Kin,  Eli (Truitt que carrega bem suas cenas ao atuar ao lado de seus colegas de maior nome em Hollywood) encontra uma arma com tecnologia alienígena em um galpão abandonado e quando seu irmão Jimmy (Jack Rennor) retorna para casa da prisão eles precisam fugir de uma gangue comanda pelo criminoso Taylor Balik (James Franco, numa atuação mais contida do que seus últimos filmes) que cobra dinheiro de sua família.

O roteiro de Jonathan e Josh Baker, que também dirigem o longa, então mescla essa trama de amadurecimento do personagem, onde acompanhamos esses dois irmãos com personalidades completamente apostas embarcarem numa viagem de carro onde a dupla acaba por se conhecerem melhor, com um arco no estilo os filmes do O Exterminador do Futuro onde os alienígenas, que são os donos da arma, também estão em busca deles.

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Foto: Paris Filmes

Kin é uma grande mistura que tem grandes acertos em pequenos momentos quase o todo tempo mesmo que a história não engrena em diversas partes. Para os fãs do gênero, a trama abraça seu lado mais sci-fi lá pelos 30 minutos finais, depois que o roteiro leva um bom tempo para apresentar e desenvolver bem seus personagens. Zoe Kravitz, um dos destaques, faz uma dançarina destemida e completamente dona de si muito interessante pena que má explorada na história. Dennis Quaid e Carrie Coon são figurantes de luxo e suas participações se somadas não duram mais que 15 minutos, o tempo também que a arma super-mega-hiper tecnológica é usada no filme.

O roteiro tem em seus méritos em deixar a trama completamente crescente e acerta em criar uma certa tensão constante para quem assiste. Kin te instiga a querer saber mais sobre aquilo tudo, sobre a história do garoto, dos coadjuvantes ou até mesmo da ameaça vindo do espaço. Mas quando o filme engrena, apresenta o que seria sua virada de roteiro e chega no seu chamado climax, a história termina com uma sensação de quero mais.

Kin acaba por ser uma interessante jornada de auto-descoberta que usa elementos de sci-fi para criar uma possível nova franquia mas com uma cara menos de blockbuster e mais com uma história um pouco mais bem trabalhada em termos de desenvolvimento de personagens. Tem que ver o espectador apostar embarcar nessa viagem.

Nota do Crítico:

Kin chega em 6 de setembro nos cinemas

Miguel Morales

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