Killing Eve | Crítica da 1ª Temporada

Navegando pela internet tranquilo eis que pego indicação de Killing Eve, um projeto bem interessante estrelado por Sandra Oh, de Grey’s Anatomy. O mais bacana de Killing Eve é que você se apega a série logo no primeiro episódio na forma como suas personagens são apresentadas, e se Oh já está maravilhosa, Jodie Comer simplesmente rouba a cena como Villanelle.

Killing Eve é um projeto da BBC America e é baseado na série de livros Codename Villanelle, do escrito Luke Jennings, e desenvolvida por Phoebe Waller-Bridge. A série já está renovada para uma 2ª temporada, mas com essa primeira era impossível não fazerem isso. Os jogos de espionagem e a ligação entre Villanelle e Eve é tão deliciosa que ficamos envolvidos em cada cena que as duas aparecem, criando uma tensão deliciosa muito bem explorada por Oh e Comer.

A premissa da série é simples e até clichê: Villanelle é uma orfã russa que vive de encomendas de assassinatos e a forma como abordam esse seu drama e sua ligação com Konstantin é genial. Isolada, confusa, mas querendo colocar sua própria assinatura nas mortes, a medida que novas encomendas vão chegando, mais vacilos ela comete. É aí que entra Eve, que intrigada em inúmeras mortes que dizem ser feitas por homem, começa a analisar se as mesmas não foram feitas por mulheres, ou até mesmo por uma única delas.

A série abusa dessa ligação entre Villanelle e Eve, que acabam criando uma ligação forte ao se esbarrarem nos por menores das investigações. O roteiro ágil não demora para colocar as personagens no mesmo tabuleiro, evitando ser arrastado por todos os episódios. Maior acerto é o elenco enxuto, mas forte. Konstantin logo cita Os Doze e ficamos intrigado em como a série pode caminhar, mas logo vamos desconfiando de todos, desde o supervisor de Eve no MI5, Frank (Darren Boyd), até Carolyn, especialista sobre a Rússia no MI6.

O fascínio de Eve por Villanelle a leva sempre a extremos, mas tudo é feito de forma tão suave e divertida, que ficamos até irritados em algumas atitudes dela, principalmente com o marido Nico. Villanelle e sua psicopatia é algo tão delicioso de acompanhar crescendo em tela que queremos simplesmente mais, e o ponto alto é sua jornada com a filha de Konstantin. Ações inesperadas em um drama clichê, a série é mais forte por conta de suas personagens e principalmente pela forma como Oh e Comer acabam indo tão bem em cena, nos cativando.

Fiona Shaw, nossa eterna Tia Petúnia de Harry Potter, traz uma Carolyn forte e ao mesmo tempo divertida, o que aumenta o suspense em cima da personagem. Frank é duro com os outros personagens, mas nos momentos de fraqueza é frágil e fica engraçado vê-lo precisando de Eve depois dele quase humilhá-la. E até personagens que aparecem pouco são interessantes como Anna e Nadia.

Killing Eve é uma série cheia de mulheres fortes e que nos deixa intrigados em cada momento, como a tensão do episódio “Sorry Baby” ou a parte mais investigativa que culmina nas cenas da prisão de “Take Me to the Hole!“. O gancho deixado pela série acaba nos deixando ainda mais ansiosos por sua 2ª temporada. E a trilha sonora da série também é algo a parte, simplesmente deliciosa. Abaixo temos “Killer Shangri-Lah“, de Psycothic Beats, tema que embala bem a relação de Eve e Villanelle.

Dan Artimos

Sou formado em Sistemas de Informações, e amante de televisão. Trabalho, leio bastante, estudo, vou a cinemas, parques e corro (ultrapassada a meta pessoal dos 21km), e ainda assim vejo séries e escrevo sobre elas. Sim, nem eu sei como consigo fazer a organização de minha agenda no meio de tantas nerdices.