Jumanji: Bem-Vindo à Selva | Crítica

Uma das grandes surpresas que você poderia esperar é que o filme Jumanji: Bem-Vindo à Selva (Jumanji: Welcome to the Jungle, 2017) acabasse sendo um bom filme. E The Rock, que além de atuar também estava na produção do filme, surpreende e nos entrega um filme com ágil, engraçado e que realmente funciona como um vídeo-game.

Tendo um ritmo crescente como se fosse fases de um jogo mesmo, o longa se sustenta com o carisma de seu elenco e pela quantidade de piadas (boas) que vão se desenrolando durante suas quase 2 horas. Engraçado e bastante aventureiro, Jumanji é a melhor união de um grupo de personagens carismáticos no cinema ultimamente e que te faz esquecer outras produções de heróis lançadas em 2017.

Foto: Sony Pictures

Basicamente nesse novo filme, acompanhamos quatro jovens estudantes que no melhor estilo O Clube dos Cinco (1985), e bem bem mais trabalhado que em Power Rangers (2017), ficam de detenção e tem como tarefa limpar o porão da escola. Assim, eles encontram um vídeo-game antigo que tem o jogo chamado Jumanji, que tirando uma e outra referência, não tem quase nada haver com o filme de 1995, estrelado pelo falecido Robin Wiliams.

Então o grupo, claro, liga o aparelho que avisa que eles tem que escolher seu personagem e então são transportados para uma floresta. Spencer, nerd da turma, logo é o primeiro que descobre que sua persona dentro do jogo é o Dr. Smolder Bravestone (Dwayne Johnson, o The Rock) e a garota bonitona não gosta nem um pouco de descobrir que caiu no corpo do Dr. Shelly Oberon (o hilário Jack Black). E assim o longa nos apresenta as personagens dentro do jogo e como elas são tão diferentes das personas na vida real dos nossos mocinhos.

Em Jumanji, The Rock é pura diversão e realmente consegue captar o tom do nerd assustado mesmo tendo mais de 1,90 cm de altura e sendo basicamente um armário ambulante. Claramente durante o filme você consegue ver quem é Spencer e quem é o Dr. Smolder num papel de caraterização muito bem feita pelo ator. Outro destaque fica para a personagem da atriz Karen Gillan (Ruby Roundhouse) que é absurdamente adorável e mostra a atriz super confortável no papel. Todo o fato de na versão da escola ela ser uma pessoa tímida e no jogo um mulherão dá a oportunidade de Gillan de se soltar ao trabalhar com diversas questões, abusando de um humor mais corporal e ter muitas piadas e situações sobre auto conhecimento feminino.

Mas Jack Black é quem realmente rouba a cena como o Professor Shelly e a adolescente popular viciada pelas redes sociais que habita seu corpo mais rechonchudo. É aqui que Black entrega as melhores piadas do filme. Uma excelente caraterização do ator que lembra muito Rob Schneider em Garota Veneno (2002). Um acerto ficou também para a legendagem em português que soube trazer o vocabulário usado no filme para o contexto nacional. Kevin Hart faz um papel dentro do esperado, mesmo não tendo o mesmo brilho e sagacidade do outros companheiros. O cantor Joe Jonas quase passa batido pela produção mesmo seu personagem tendo uma certa importância para o desenrolar da trama.

Em Jumanji, os efeitos especiais estão bacanas e pela história se passar dentro do jogo, a produção tem sempre uma carta na manga, o que deixa o filme ainda mais empolgante. As sequências de ação também tem seus momentos, mesmo que as vezes você fica com uma sensação de confusão sobre como e onde você está. A câmera acerta bastante em rodopiar e seguir os personagens como se quem assiste estivesse dentro do jogo também.

Foto: Sony Pictures

No final, Jumanji nem precisava se chamar Jumanji, é um filme que roda sozinho, tem seus momentos bem inspirados e sabe dosar ação com comédia e até mesmo um romance e claro abre as portas para uma franquia de filmes. Ele serve para os amantes de vídeo-game tem piadas sobre o tema e até mesmo o vilão chega a ser bem parecido com os dos jogos em termos de ambições e motivações. O roteiro então se aproveita dessa situação e cria pequenas sub-tramas para dar liga nas aventuras maiores, mesmo não sendo inovador e muito menos original, mas no fundo acho que nem era a intenção da produção.

Épico e cheio de aventura, Jumanji – Bem-Vindo à Selva tem altas doses de humor e um elenco cheio de química. Um ótimo blockbuster para o verão para ser visto de forma descompromissada e realmente um acerto de The Rock que andou falhando bastante em 2017.

Nota do Crítico:

Jumanji: Bem-vindo à Selva estreia em 04 de janeiro nos cinemas.

Miguel Morales

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