Juliet, Nua e Crua | Crítica

Juliet, Nua e Crua (Juliet, Naked, 2018) é uma daquelas comédias românticas com um estilo diferente, que foge do tradicional de uma forma deliciosa de se assistir e que nos entrega uma história super cativante de uma forma inusitada!

Protagonizado por Rose Byrne, fantástica no papel, e um elenco de coadjuvantes bem escalados, o filme deve conquistar o espectador principalmente por seu texto com um humor britânico bem afiado. Diríamos que Juliet, Nua e Crua é o Doentes de Amor (2017) de 2018, uma produção indie que acerta nos pequenos detalhes em ser um longa que flerta com o diferente sem a pretensão de querer inventar a roda.

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Foto: Diamond Filmes

O lado mais divertido de Juliet, Nua e Crua são as casualidades e coincidências que os personagens vivem ao longa da trama. Os diferentes momentos que acabam por se conectar na trama que fazem do longa um divertido e honesto drama com algumas piadas bem humoradas mesmo que num tom bem pelicular, onde temos uma quase sátira de diversas situações já vistas em outras produções do gênero.

Na trama, temos Annie (Byrne, ótima) uma moça do interior de Londres que vive um relacionamento há um bom tempo com Duncan (Chris O’Dowd) um fã obcecado de um roqueiro não muito conhecido e que não fez muito sucesso chamado Tucker Crow (Ethan Hawke). 

Dono de alguns hits, o cantor é idolatrado pelo rapaz e seus outros amigos que fazem parte de um fórum de discussão sobre ele. Assim, Duncan e seus colegas alimentam teorias e rumores sobre o que aconteceu com o músico que desapareceu quando jovem e nunca mais lançou nada. Mas quando uma faixa demo do artista aparece o grupo de fãs tem novas informações sobre Crow, novos conflitos começam a pipocar na pacata vida de Annie e Duncan.

E o roteiro de Juliet, Nua e Crua escrito pelo trio Eygenia Peretz, Jim Tayloer e Tamara Jenkins adapta o livro de Nick Hornby e consegue trabalhar bem com seus personagens mesmo que em alguns momentos a trama parece se perder em si mesma com diversas questões que poderiam ser resolvidos de outra forma e soluções para perguntas que não necessariamente precisavam ser respondias.

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Foto: Diamond Filmes

Quando Annie se aproxima de Tucker, através do próprio fórum, e começa ela mesmo a conversar com o grande ídolo de seu ex-noivo, o filme começa a ganhar ares mais cômicos na medida que vemos o quão diferentes são Duncan e Crow. A personalidade dos dois se contrastam demais e suas diferenças quase chegam a ficar na linha entre serem caricatas e acima do tom e infelizmente são poucas oportunidades os dois atores fazerem um bom trabalho com seus papeis. O filme então pipoca entre ser um drama e ter momentos leves com algumas viradas de roteiro um pouco inusitadas como toda a questão envolvendo os filhos de Crow e os motivos que o levaram a abandonar a carreira musical.

No final, Juliet, Nua e Crua acaba por ser uma produção sobre segundas chances e ver a vida com outros olhos e não uma produção de “Será que eles vão ficar juntos no final?”. Mesmo com esse triângulo amoroso, o filme se firma até um pouco demais em um grande realismo onde os obstáculos para os relacionamentos chegam a ser incrivelmente incômodos e em diversos momentos onde você acaba por ver e sentir os defeitos nas personalidades dos personagens.

Nota do Crítico:

Juliet, Nua e Crua em cartaz nos cinemas

Miguel Morales

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