John Wick 3 – Parabellum | Crítica

Em John Wick 3 (John Wick – Chapter 3: Parabellum, 2019) a franquia ganha um fôlego gigantesco, expande sua mitologia e ao mesmo tempo, faz um filme que retorna as origens ao contar com uma história no melhor estilo John Wick de ser, com muito tiro, porrada e vingança por causa de cachorrinhos. 

Keanu Reeves in John Wick: Chapter 3 - Parabellum (2019)
John Wick 3 – Crítica – Foto: Paris Filmes

John Wick 3 aplica ao máximo a frase que dá nome para esse terceiro filme no original, onde o subtítulo Parabellum vem do latim antigo, emprestado da frase “Si vis pacem, para bellum“, onde se traduz como “se você quer paz, se prepare para guerra”. Assim, o título, é basicamente um grande resumo do que esperar o filme, onde aqui, produção já começa, sem delongas, onde o segundo filme, lançado em 2017, termina.

Em John Wick 3, vemos que John Wick (Keanu Reeves, ótimo) não tem tempo para perder, e vê o caos dominar sua vida novamente. Logo de cara, temos um dos assassinos mais icônicos do cinema à frente de numa nova e empolgante empreitada, só que dessa vez, ainda mais mortal, violenta e perigosa. Tique Taque Sr. Wick, agora todo mundo quer te matar.

John Wick 3 faz nesse terceiro capítulo aquilo que a franquia conseguiu se destacar e colocar sua marca nos filmes de ação, lutas muito bem coreografadas, com golpes completamente surreais e que entregam aquele sentimento alucinador que envolve o espectador toda vez que alguém tenta enfrentar o personagem. Aqui, novamente, já vemos John Wick desde do começo, enfrentar os mais diversos tipos de opoentes com facas, lápis e tudo mais, afinal, a ordem que ele foi banido do Hotel Continental chega para todos em tempo real, após as mulheres do quartel general dispararem suas mensagens.

E olha, John Wick 3 já começa com o pé no acelerador, onde vemos John Wick com o sangue nos olhos, correr pela cidade de Nova York em fuga, no meio da chuva e entre os carros, onde temos uma agitada perseguição com cavalos envolvidos que faz uma passagem completamente empolgante e de tirar o fôlego, num momento típico da franquia, onde vemos a linha tênue passar entre o absurdo e o cativante, coisa que os filmes do personagem sempre entregaram, e que aqui, John Wick 3 não faz diferente.

E se Keanu Reeves pareceu ter encontrado o timing certo, com uma mistura de serenidade gigante e ao mesmo tempo com um tom mega ameaçador para John Wick, esse terceiro filme se garante completamente nos personagens de apoio para fazer a história crescer. Claro, Ian McShane como Winston, o todo poderoso dono do hotel em Nova York, Lance Reddick como o Concierge e Laurence Fishburne como um dos reis da máfia que comanda um exército de mendigos, são um prato cheio para o filme, mas John Wick 3 entrega seus melhores papéis para as mulheres, tão femininas quanto poderosas e mortais. 

John Wick 3 – Crítica – Foto: Paris Filmes

Halle Berry e Asia Kate Dillon estão fenomenais. Berry, aparece pouco convenhamos, e até diríamos que foi sub-aproveitada no filme, mas em cena, junto com Reeves, ela rouba todas as atenções para si e tem passagens bem dramáticas. O mesmo vale para Dilon, que captura a atenção do espectador no momento que pisa em tela e entrega sua moeda de identificação como uma Juíza da Alta Cúpula que chega para investigar as ações de Wick em Nova York. E para coroar tudo isso, em John Wick 3, temos ainda a lendária Anjelica Huston que completa o trio de destaque com uma personagem intensa, bem interessante e que nos ajuda a entendermos mais sobre a complexa identidade de John Wick.

Claro, nem tudo são flores nesse terceiro longa, como um filme bem autoral do diretor Chad Stahelski, John Wick 3 parece sofrer um pouco com aquilo que deu muito certo para franquia, onde aqui, vemos o longa abusar e muito, de longas e oras cansativas cenas de pancadaria que se prolongam por demais e em diversos momentos, como no caso da visualmente impactante cena na sala de espelhos dentro do Hotel Continental. Em termos de arcos narrativos John Wick 3, parece que se desenvolve como um típico jogo de vídeo-game, o que pode cansar um pouco o espectador, onde vemos o personagem lutar incansavelmente com todos os capangas possíveis e inimagináveis, antes de chegar no chefão. A produção também reserva um tempo precioso para deixar a história se desenvolver mais no campo das negociações do que na porrada, o que gasta minutos preciosos do longa, e que poderiam ter encurtado o filme em alguns bons minutos.

No final, John Wick 3 faz um grande filme de ação, que de forma alguma parece querer encerrar a franquia, muito pelo ao contrário, aqui vemos, com total certeza, que a guerra apenas começou. John Wick parece que irá, mesmo com um alvo nas costas, mirar para as cabeças, um soco e golpe de cada vez, onde mal podemos esperar para ver o que vem pela frente. Tique-Taque Sr. Wick, os inimigos não esperam.

Nota do Crítico:

Nota do Crítico:

John Wick 3 chega em 16 de maio nos cinemas.

Miguel Morales

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