Jogos Mortais: Jigsaw | Crítica

Oito filmes! É com essa marca que Jogos Mortais: Jigsaw (Jigsaw, 2017) retorna para as telonas numa tentativa de recomeçar novamente uma franquia de filmes que fez muito sucesso, tanto pelas mortes sanguinárias, quanto pelo vilão carismático e sua frase de efeito “Vamos jogar um jogo?” e, claro, por sempre ter uma virada de roteiro te esperando ali no meio. E durante a trajetória da série de filmes alguns plot twists foram bons outros nem tanto, mas o nome Jogos Mortais tá cravado na mente das pessoas e talvez o grande mérito desse novo filme acabe sendo que a produção consegue pegar uma franquia bem saturada e contar uma história boa que se encaixe nos eventos de tudo que já foi apresentado até então, e provoque um sentimento de nostalgia bacana para fazer as pessoas retornarem ao cinema para acompanhar mais um filme envolvendo jogos mortais. Sejam eles mega fãs ou aqueles que lembrem apenas dos primeiros filmes, a curiosidade em volta desse novo longa é grande.

Um dos grandes acertos da produção é fazer quem assiste ficar preso na grande questão: Será que John Kramer (o marcante Tobin Bell) está mesmo de volta depois de tanto tempo? Afinal o personagem morreu e isso foi claramente mostrado nos filmes anteriores. Já nos primeiros minutos de Jogos Mortais: Jigsaw conseguimos ver que a produção acerta em fazer uma edição super acelerada. Além de conhecermos rapidamente os novos personagens do lado da polícia e do FBI temos que lidar com a trama do possível retorno de Kramer e claro tentar também descobrir quem é o novo mestre que deixou as pessoas presas. Como um bom filme do gênero e da franquia, a trama precisa sacrificar algumas coisas e avançar para conseguir mostrar também os motivos que levaram cada um deles a ficarem presos e serem obrigados a participarem dos jogos.

Foto: Paris Filmes

E o curioso é que os obstáculos enfrentados pelas pessoas que estão presas não são muito ameaçadores se comparando com que já vimos nos outros filmes simplesmente pelo fato de serem apenas engenhocas bem feitas que acabam mais por servir para dar um susto rápido em quem assiste, o famoso jump scare e criar um sentimento de claustrofobia e passar um terror mais psicológico que acaba por apelar mais para o poder de escolha dos personagens do que efetivamente em mostrar como eles reagem dentro do local onde estão confinados. Em Jogos Mortais: Jigsaw, o roteiro se preocupa em mostrar mais coisas por trás do drama do que só fazer o sangue jorrar na tela sem muito motivo. Nesse novo jogo a trama fica bem resumida na frase de uma personagem que diz logo no começo do filme “Isso é um jogo, jogos podem ser vencidos.'”

A produção claro não é perfeita e falha em algumas partes, principalmente quando o filme precisa trabalhar o desenvolvimento de personagens e deixa o motivo deles estarem lá presos serem passados muito rápido. O filme transmite a sensação que a parte investigativa é muito mais interessante do que a trama das mortes, então Jogos Mortais: Jigsaw acaba sendo muito mais um grande episódio de investigação do que qualquer outra coisa. Por isso o longa deve agradar quem acompanha inúmeras séries policiais pelo fato que cada pista deixada pelo arquitetor desse possível retorno de John Kramer leva para uma nova pista numa caçada para tentar salvar as vitimas. Como se o vilão estivesse mais querendo conversar com os investigadores do que tentar escapar deles.

Foto: Paris Filmes

Assim quando a trama foca nas pessoas que estão participando dos jogos elas acabam se tornando irrelevantes, afinal quem morre primeiro ou quem morre depois pouco importa. O roteiro passa rápido por todos eles e acaba focando mais nos personagens de Laura Vandervoort (que leva boa parte do filme nas costas) e Paul Braunstein que tem um excesso de “queridinha” em suas falas que chega a incomodar mas tem uma história bem trabalhada e um bom destaque. A dupla do FBI composta pelo detetive Logan Nelson (Matt Passmore) e a legista Eleanor Bonneville (a expressiva Hannah Emily Anderson) ficam naquele jogo de gato e rato no melhor estilo das séries Bones ou Castle o que deixa a trama um pouco desconexa do restante do filme. No final todos os personagens tem aqueles pequenos segredos mas que são mostrado em rápidos flashbacks que infelizmente não seguram de fazer quem assiste se importar com os personagens na quais eles são.

Mas pelo lado positivo Jogos Mortais: Jigsaw acaba empolgando no momento que a voz ameaçadora de Jigsaw aparece nos auto-falantes, o mesmo vale pelo boneco com a bicicleta aterrorizante andando para lá e para cá. A virada de roteiro que por mais que esperada acaba deixando o longa mais interessante justamente por conseguir responder diversas perguntas que foram jogadas pelo roteiro e ainda abrir espaço para a trama continuar dentro do mesmo filme. Com as pistas passando na tela desde do começo e as reviravoltas acontecendo lá para o final, o filme consegue deixar quem assiste empolgado com as armadilhas aparecendo a todo momento mas meio que indo para um final único mesmo que flerte com várias possibilidades no meio do caminho.

Em resumo Jogos Mortais: Jigsaw acerta em empolgar e acaba sendo uma produção  mais realista que os outros filmes e acaba por deixar os fãs da franquia agradecidos pelo retorno da série de uma boa forma. Afinal como muitas outras produções que sofrem a quantidade gigante de filmes poderia ser muito pior o que não acontece aqui. O novo Jogos Mortais é um filme de terror mais puxado para o suspense e isso não tira o mérito da produção que conseguiu até criar uma trama interessante e que se sustenta dentro da proposta do filme mas a grande pergunta que fica é você encara esse novo jogo?

Nota do Crítico:

Jogos Mortais: Jigsaw estreia em 30 de novembro.

Miguel Morales

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