Jogador Número 1 | Crítica

“Eu entendi essa referência” é com essa frase que você irá sair depois de assistir Jogador Número 1 (Ready Player One, 2018)! E sem dúvida podemos dizer que o filme é aventura visual fantástica!

Além disso ele tem humor e uma história ágil e que te transporta para uma realidade única e envolvente sendo um dos grandes acertos do catálogo de filmes de Steven Spielberg. O elenco jovem e praticamente desconhecido também se destaca no meio de nomes mais famosos trazendo um sentimento de frescor e empolgação para os filmes do gênero. Para os amantes de vídeo-game e de um bom blockbuster Jogador Número 1 é um sonho em formato de filme.

Foto: Warner Bros

A trama é a velha e boa história da jornada do herói onde vemos um rapaz vivendo sua realidade considerada por ele comum mas sempre nutrindo seu dia-a-dia com aquele sentimento de “quero mais” como vemos no cinema há anos, passando por Luke Skywalker em Star Wars, Harry Potter e Frodo Bolseiro em O Senhor dos Anéis. Em Jogador Número 1 acompanhamos Wade Watts (um tímido Tye Sheridan) vivendo em 2045 onde o mundo passa por uma grande crise energética e as pessoas vivem mais tempo como suas personas online dentro de um jogo do que vivendo suas vidas off-line.  o filme acerta em deixar claro o motivo disso principalmente para as pessoas com menos dinheiro, afinal dentro do OASIS você pode ser quem você quiser.

Assim, quando o criador do jogo morre, ele deixa um vídeo com instruções para todos os usuários: eles devem encontrar 3 Easter Egg escondidos dentro desse realidade virtual que darão acesso sua fortuna e claro controle dessa plataforma. E mais da metade do filme se passa dentro do OASIS, então uma das coisas mais bacanas ao longo de Jogador Número 1 é esperar as revelações das pessoas por trás dos avatares principalmente do Cinco do Topo, grupo de pessoas que acabam achando as pistas e ficando nas primeiras posições do rank.

Foto: Warner Bros

Todas os pequenos arcos do filme são como mini-etapas do grande jogo na busca das três chaves que darão acesso para o controle do OSAIS e a medida que Parzival (Sheridan), Art3mis (a super expressiva Olivia Cooke), Aech (a ótima Lena Waithe), Daito (Win Morisaki) e Sho (Philip Zhao) desvendam os detalhes da vida de excêntrico James Halliday (Mark Rylance), a equipe de roteiristas acerta deixa o filme com ritmo ágil onde cada parte conecta com a próxima de uma maneira bem fluida e natural. 

E toda essa busca pelas pistas fazem quem assiste entrar e mergulhar de cabeça na história, afinal o próprio filme faz com que o espectador possa brincar junto com a trama e procurar as pistas que vem charadas e desafios para o encontro das três pistas que funcionam com uma grande prova do líder de reality show. Com ótimas tomadas tanto áreas enquanto de enquadramento, deixamos claro aqui que Jogador Número 1 não é um filme interativo mas sim um filme convidativo. O longa parte do princípio que quem assiste é fã de video-games e seu roteiro tem uma tentativa bastante acertada em fazer com que a pessoa que assista também faça parte do longa.

O filme até chega a criar muitos personagens e não tem tempo de acabar parando para desenvolver muito a trajetória deles todos e deixa todo um fantástico mundo de fora apenas focando num grupo pequeno de pessoas. Vendo ao todo percebe que falta desenvolvimento de personagens e de histórias onde tudo fica como uma grande passagem por uma aventura única.

Foto: Warner Bros

Mas uma das coisas que Jogador Número 1 mais acerta é na sua caracterização dos personagens tanto dos mocinhos quanto dos vilões. De lado temos toda a figura com o arquétipo “do bem”, onde temos o grupo que está combatendo uma figura corporativa do mal mesmo que temos ambos os lados competindo ao mesmo tempo, procurando as mesmas coisas e desvendando os mistérios na mesma proporção de rapidez. Pelo lado do mal, o executivo Sorrento (o sensacional Ben Mendelsohn) tem suas motivações e ambições em querer tomar o controle da OASIS mas isso deixa o personagem muito menos ameaçador devido a sua persona on-line que faz com que quando vemos a sua persona real meio que o impacto acaba acabando.

Com homenagens aos filmes O Iluminado até De Volta para o futuro aos clássicos de terror como Chuck e Freddy Kruger que se juntam com dinossauros, King Kong e uma trilha sonora oitentista, temos em Jogador Número 1 um prazer visual. Em resumo o filme antes de mais nada conta uma boa, mesmo que simples, história com personagens cativantes e efeitos visuais muito bem trabalhados e que devem ser visto na maior tela possível.

Nota do Crítico:

Jogador N° 1 chega nos cinemas em 29 de março de 2018

Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter falando sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema e claro outras besteiras. Uso chapéu branco e grito It's Handled! Me segue lá: twitter.com/mpmorales