Jackie | Crítica

“Eu não sou mais a Primeira-Dama. Você pode me chamar de Jackie”

Com essa frase temos umas das mais belas passagens do filme Jackie (2016) que tem direção do chileno Pablo Larraín e mostra como uma das mais famosas Primeiras-Dama americana, Jackie Kennedy, viu seu marido, o então Presidente dos EUA John F Kennedy, ser assassinado durante uma passeata na década de 60.

A trama do filme é simples e se passa em poucos dias entre a morte de JFK, no final de Novembro de 1963, até a entrevista de Jackie para uma revista dias após o assassinato do marido. Durante o filme vemos a própria Jackie, interpretada maravilhosamente por Natalie Portman, contando os fatos ocorridos para o repórter, personagem do ator Billy Crudup. “Isso será a sua versão dos fatos ocorridos”, diz ele enquanto Jackie o lembra que irá editar tudo sobre aquela conversa, pois segundo ela, a história deve preservar o legado de seu marido de maneira apropriada.

Foto: Diamond Filmes

Assim tanto o jornalista, quanto o público, pode navegar pelas diversas máscaras e caras que a personagem teve que usar em sua vida. A cara sorridente ao apresentar o especial de TV, A Tour of the White House With Mrs John F Kennedy exibido pela CBS em 1962, a face insegura e preocupada por trás das câmeras sobre o medo de não estar dentro das expectativas ao realizar suas funções como Primeira-Dama e como ela teve que brigar com os “homens” do novo governo em formação sobre a organização do enterro, que para alguns foi um grande espetáculo da mídia.  O filme se empenha para mostrar e criar um retrato psicológico, enquanto a Primeira Dama luta para manter o legado de seu marido.

Isso tudo se dá graças ao excelentíssimo trabalho de atuação de Portman, que faz um dos melhores trabalhos de sua carreira, com muito estudo e técnica que se assemelha a verdadeira Jackie. A caracterização juntamente com o sotaque e o trabalho vocal usado faz a atriz ficar muito, mas muito, parecida. O sentimento de leveza e de flutuar ao andar da Primeira-Dama faz a atuação da atriz ser brilhante, minuciosa e bastante precisa. É muito mais que colocar um chapéu rosa e um terninho, é entrar de cabeça na profundidade do personagem. Isso é o que o filme entrega de melhor.

A produção erra em segurar a contagem dos fatos logo de cara, mas depois, nos atos finais, quem assiste começa a entender a proposta do diretor ao não contar a narrativa em ordem cronológica dos eventos. Isso nos leva a esperar um significado a mais para o filme e esperar um por que das motivações da Primeira-Dama. No final as intenções do roteiro de Noah Oppenheim são explicadas, mas a sensação de espera não se confirma com um trunfo da produção. Mas o filme acerta nas recriações dos cenários da Casa Branca, dos figurinos e ao intercalar as cenas do programa especial da visita da Casa Branca com a história contada.

O elenco coadjuvante, formado principalmente pelo ator Peter Sarsgaard, o cunhado, e Greta Gerwig como a Secretária Pessoal da Primeira Dama, entrega um bom contra-posto, mas estão ali para ajudar Natalie Portman a brilhar e levar o filme nas costas.

Assim, Jackie se apoia numa atuação fantástica de Natalie Portman e consegue contar a história de um dos eventos mais chocantes da história doa EUA de uma maneira diferente numa trama simples mas com bastante camadas a serem exploradas ao longo do seu tempo de exibição.

Nota do Crítico:

Jackie estreia em 2 de fevereiro nos cinemas.

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