It – Capítulo 2 | Crítica

27 anos depois, It retorna. Pelo menos, para nós espectadores, foram apenas 2 anos para sabermos a conclusão da trama vista lá no filme de 2017. It – A Coisa terminou sua trajetória nos cinemas como o filme de terror com a maior bilheteria da história, e foi fundamental para dar o tom ao gênero nos últimos anos. Tivemos vários outros filmes que tentaram embarcar na onda, e no hype criado pelo filme que soube unir de uma forma bastante impressionante uma trama de terror oitentista com pitadas de humor e uma forte história de amadurecimento. 

E It – Capítulo 2 (It – Chapter 2, 2019) chega como uma grande promessa e pressão, como se tivesse correndo para alcançar os mesmos marcos do primeiro filme, literalmente, fugindo do palhaço endiabrado. Assim, It – Capítulo 2 entrega um filme assustadoramente bom, independente do gênero, e consegue criar uma ambientação ainda mais sufocante para finalizar a história que começou lá em sua primeira parte.

Bill Skarsgård in It Chapter Two (2019)
It – Capítulo 2 – Crítica | Foto: Warner Bros Pictures

Se em It – A Coisa o charme caia no elenco infantil, e sua luta contra demônios pessoais, e uma trama que envolvia os medos de se enfrentar a ameaça de se tornar adulto, It – Capítulo 2 se apoia no talentoso elenco adulto para explorar uma história sobre traumas do passado, laços de amizade, e como abraçar nossos medos nos tornam quem somos. 

Assim, It – Capítulo 2 faz uma jornada inversa do que vista no primeiro, muito mais longa, e em partes até um pouco cansativa, na busca do Clube dos Perdedores para conseguirem se livrarem das amarras do passado num filme que acaba por mais ousado que o primeiro, mesmo que se apoie na mesma fórmula que deu muito certo lá em 2017.

O que peca em It – Capítulo 2, talvez, seja uma falta de ritmo e de edição, a primeira metade é super ágil, e serve para apresentar a vida dos personagens já adultos, onde, em sua maioria, vemos que o grupo de amigos atingiram um determinado sucesso em seus trabalhos, sejam como roteiristas famosos, empresários, e etc, mas o filme deixa claro que eles continuam os mesmos garotinhos de sempre. Já em um segundo momento, It – Capítulo 2 se acomoda um pouco e estende até demais para apresentar uma mitologia gigante sobre a figura do mal, a cidade de Derry, e que realmente deixa a produção um pouco cansativa, ao ampliar a história dos personagens um pouco mais do que desejável.

Se em It – A Coisa a grande arma contra Pennywise (Bill Skarsgård, continua terrivelmente assustador ) era manter o grupo unido contra a força do mal que dominava Derry, aqui em It – Capítulo 2, o filme empolga, assusta e diverte, em grande parte, quando vemos o grupo unido na busca por tentarem recuperar suas memórias para enfim derrotarem o palhaço que é a própria personificação do mal. 

A química entre o elenco adulto é realmente muito boa, faz totalmente a diferença aqui, como fez em It 1 – onde o destaque fica para a cena onde o grupo se reune em um restaurante depois de muito tempo – e move o filme com uma naturalidade gigante como se não tivéssemos mudanças do primeiro filme para o segundo. Em seus momentos separados, percebe-se que o longa perde um pouco de fôlego, como se o roteiro de Gary Dauberman apresentasse cenas longas demais como se tivesse tomando um ar antes da montanha russa começar seu percurso. E nessas passagens, temos boa parte das cenas dramáticas nas mãos de seus atores mais talentosos, Jessica Chastain que retorna o trabalho complexo da figura de Beverly Marsh, e Bill Hader que abraça aquele lado mais cômico sem deixar de ser dramático. 

Ambos os atores roubam todas as cenas para si, suas atuações são magnéticas, cativantes, e realmente conversam com o espectador de uma forma assombrosamente boa. O restante o elenco formado por James McAvoy, Isaiah Mustafa, Jay Ryan, e James Ransone se garante em seus momentos e estão muito bem escalados, mas o que realmente nos chama a atenção é a relação de Richie e Eddie, que continua da mesma forma, ágil, com insultos criativos, mas também com uma preocupação em mostrar diversos aspectos dessa amizade, onde Hader e Ransone se mostram no mesmo nível que seus colegas jovens, os atores Finn Wolfhard (sua versão jovem digitalmente é difícil de passar desapercebida) e Jack Dylan Grazer apresentaram no primeiro filme.

Bill Hader, James McAvoy, James Ransone, Jay Ryan, Jessica Chastain, and Isaiah Mustafa in It Chapter Two (2019)
It – Capítulo 2 – Crítica | Foto: Warner Bros Pictures

Assim, o diretor Andy Muschietti consegue imprimir os momentos mais importantes na jornada dos adultos contra Pennywise de uma forma que faz o espectador ficar na ponta de cadeira para saber o que irá acontecer a todo instante. Nas mãos do diretor, It – Capítulo 2 entrega um fantástico trabalho de produção com cenas grotescas e visualmente impactantes (o destaque fica com a personagem de Chastain presa num banheiro inundado de sangue), que tem a seu favor um Pennywise mais ameaçador do que nunca, e que consegue ter mais material para assombrar e brincar com os medos e angustias dos personagens, da própria cidade de Derry, e de seus moradores já atordoados com a presença da entidade.

It – Capítulo 2 consegue ter um brilho próprio em ser bem mais do que apenas uma sequência, ou cair na maldição das sequências, e no final, acaba por ser, realmente, um novo capítulo, onde It – A Coisa e It – Capítulo 2 fazem uma grande história de terror, sobre medos, angústias, e enfrentar nossos medos, que apenas foi contada em duas partes, assim como, o longa Kill Bill de Quentin Tarantino.

Em It – Capítulo 2, então, temos uma conclusão mais madura, mais viceral, e que nos cativa ao fazer isso com cenas mais impactantes e ambiciosas, num filme que entrega um tom complemente mais sombrio que o primeiro filme. 

Nota do Crítico:

It – Capítulo 2 chega 5 de setembro nos cinemas.

Miguel Morales

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