Insatiable | Crítica da 1ª Temporada

Insatiable é aquela comédia non-sense da Netflix que gerou maior discussão on-line por causa do trailer bizarro onde mostrou uma garota depois que ficou magra conseguiu ter tudo o que sempre sonhou. Tudo isso foi o ápice para gerar inúmeras críticas para a série, seu plot e claro para esse vídeo de 2 minutos (que você encontra aqui no texto).

Só que a série consegue ir além disso e mostrar também as dores da personagem Patty Bladell (Debby Ryan) por conta do bullying sofrido por estar acima do peso. Mas também vemos em Insatiable o bizarro assumir cada momento da produção, mesmo após a apresentação dessa sua trama inicial.

A série é baseada no artigo de 2014 do The New York Times, “The Pageant King of Alabama” de Jeff Chu que mostrou a vida do conselheiro de concorrentes a miss, Bill Alverson.

Insatiable então pega essa idéia e conta essa história em pelos olhos de Bob Armstrong (Dallas Roberts, hilário), um advogado e conselheiro que vê sua vida virar do avesso ao ser acusado de pedofilia por uma de suas candidatas para concursos de Miss e assim, ele vê sua chance de mudança com a chegada de Patty em sua vida.

Então, a série também é contado sobre o ponto de vista de Patty (que narra a série) que contar sua história de uma maneira ácida e bastante provocativa.

ALERTA DE SPOILER: Este artigo contém informações sobre os principais acontecimentos do episódio. Continue a ler por sua conta e risco.

Foto: Netflix

Em seus 12 episódios, a série busca mostrar os dramas de Patty em sua nova vida como uma pessoa mais magra e sua busca por vingança contra àqueles que lhe causaram sofrimento e bullying enquanto era gorda.

Ao longo da série vemos que sua mudança em se tornar mais magra não veio de uma decisão de mudança de vida, busca por autoestima ou sessões de academia e dietas.Pelo contrário, Insatiable mostra que Patty passava os piores momentos de sua vida quando teve o maxilar quebrado por um morador de rua e foi obrigada a fazer meses de dieta líquida e nisso emagreceu.

A vida de Patty “mudou” da noite para o dia e como nas comédias românticas ela ganhou os olhares dos meninos e as meninas ficaram com um pé atrás, mas Patty acaba sendo acusada de quebrar o nariz do morador de rua e Bob então é contratado para ser seu advogado.

É a partir dessa união que vemos o quão Patty está instável, insaciável, se luta para se controlar e para não dar o troco nas outras garotas. E enquanto isso, ela busca se aproximar de Bob, por quem acaba nutrindo uma paixão e literalmente acaba por ignorar sua melhor amiga Nonnie (Kimmy Shields) que sempre esteve ali por ela.

Bob tem também um grande desenvolvimento durante a série, o personagem se mostra bastante sensível e em dado momento descobre que sente atração por seu rival em tudo na vida, Bob “insira um apelido aqui” Barnard (Christopher Gorham), e até tenta uma relação a três com a esposa Coralle (Alyssa Milano) lá nos episódios finais da temporada.

Em todos os episódios vemos os dramas da vida deles, mas tudo cheio de momentos sem noção alguma, mesmo que o roteiro tenha aqui e ali algumas pitadas de falas importantes e mensagens bacanas sobre aceitação e preconceitos.

É como diz a personagem Dee (Asheley D. Kelley), que entra na série lá na metade da temporada, e deixa claro para Patty que ela pode ter ficado bonita por fora, mas que por dentro estava horrível, já que a garota sempre buscava uma forma de se sair por cima para ter sua vingança.

Foto: Netflix | Montagem: @portainsatiable

Insatiable também é marcada por ter personagens secundários que se destacam bem e por serem bem dosados dentro da trama, como é o caso de Dixie (Irene Choi), a concorrente com origem asiática, dissimulada assim como sua mãe adotiva, Regina (Arden Myrin), que inventou que Bob a tocou inapropriadamente sendo que sua própria mãe mesmo dormia com Brick (Michael Provost), o filho adolescente de Bob.

Durante os episódios seguintes vemos que Dixie apronta todas as possíveis contra suas rivais, e sofre dolorosas consequências, com direito a ser jogada de cima de um food truck, ou ver sua mãe, Regina, ser presa ou perder tudo por conta de ser mau caráter.

O humor da série segue tudo o de estereótipo de comédias adolescentes e eleva seus momentos bizarros à quinta potência. Todos os momentos são extremos, principalmente os que envolvem Patty e Bob. Já as situações que envolvem seus amigos, acabam por ser menos agitados, como a descoberta da sexualidade de Nonnie, a relação dela com Dee, Choi (Daniel Kang) e suas relações frustradas, e até Brick que se vê no meio das confusões de Bob e Patty.

Insatiable não é tão ruim como é pintada por conta de sua gordofobia, ela é ruim por ser ruim mesmo. Momentos constrangedores, texto fraco, piadas sem sal, elenco deslocado, mas tem algo que prende quando você esquece todas as essas coisas bizarras ao redor da série.

Ela não é uma Santa Clarita Diet que sabe brincar com o humor negro que se propõe, se mostrando um erro na escolha da Netflix.

Dan Artimos

Sou formado em Sistemas de Informações, e amante de televisão. Trabalho, leio bastante, estudo, vou a cinemas, parques e corro (ultrapassada a meta pessoal dos 21km), e ainda assim vejo séries e escrevo sobre elas. Sim, nem eu sei como consigo fazer a organização de minha agenda no meio de tantas nerdices.