Homem Aranha: Longe de Casa | Crítica

Homem-Aranha: Longe de Casa (Spider-Man: Far from Home, 2019) chega aos cinemas com uma missão completamente difícil de ser o primeiro filme da franquia da Marvel após o avassalador Vingadores: Ultimato, precisar fazer um filme que desse sequência na história de uma forma geral, após o novo estalo, e depois do mundo perder uma das suas figuras mais importantes, e claro, mostrar como isso afetou as pessoas, mas principalmente, Peter Parker. 

Com a trama se passando depois dos eventos grandiosos do quarto filme dos Vingadores, Homem-Aranha: Longe de Casa, ainda precisava contar uma história focada no personagem título, tentar fugir da maldição das sequências, e manter o ritmo para a franquia que começou lá em 2017, com Homem-Aranha: De Volta ao Lar.

Giada Benedetti and Tom Holland in Spider-Man: Far from Home (2019)
Homem Aranha: Longe de Casa – Crítica | Foto: Sony Pictures

E parece que os segundos filmes e sequências de Homem-Aranha são o número da sorte, foi assim, com Homem-Aranha 2, lá no longínquo 2004, e agora com essa nova versão, que sem dúvidas, faz um dos melhores filmes do herói, e do gênero, dos últimos anos. E cara, tanto os produtores, quando o diretor Jon Watts, realmente acertaram a mão, onde aqui, Homem-Aranha: Longe de Casa faz o filme definitivo do Homem-Aranha nos cinemas, e talvez, a melhor aparição do personagem desde do segundo filme da trilogia original de Sam Rami.  

A sequência acerta, e muito, em transportar a essência e conflitos do personagem dos quadrinhos, onde tudo é entregue por um Tom Holland super carismático, e que finalmente parece ter entendido e compreendido o que motiva o personagem, onde o ator faz a personificação máxima daquilo que sempre gostaríamos de ver em Peter Parker nos cinemas. 

O texto de Homem-Aranha: Longe de Casa nos entrega aqueles dilemas clássicos do herói, que sempre foram vistos nos quadrinhos, onde Peter precisa decidir e encarrar a responsabilidade de ser o Homem Aranha e salvar o mundo, e ao mesmo tempo, curtir e aproveitar a vida como Peter, o jovem civil, e principalmente, embarcar com os amigos em uma viagem de férias para a Europa.

E Homem-Aranha: Longe de Casa continua a fazer tudo isso de uma forma muito leve, sem aquele peso dramático que víamos nos outros filmes, e faz isso, justamente, ao tirar o personagem de Nova York, onde o roteiro da dupla Chris McKenna e Erik Sommers, leva Peter para uma nova aventura, dessa vez ao redor do mundo, o que não é nada demais, afinal, o garoto já foi para o espaço, não é mesmo? 

Jake Gyllenhaal, Numan Acar, and Tom Holland in Spider-Man: Far from Home (2019)
Homem Aranha: Longe de Casa – Crítica | Foto: Sony Pictures

E na medida que Homem-Aranha vira internacional, é que o filme ganha seu charme e conquista o espectador com as inúmeras sequências bem humoradas, mescladas com a sensação de perda de Peter por conta de Tony Stark e o rápido amadurecimento que o jovem teve após os eventos de Vingadores: Guerra Infinita (2018) e Vingadores: Ultimato (2019). E aqui, o roteiro usa a viagem escolar que deveria ser um tempo de tranquilidade para Peter, sem a figura do Homem-Aranha envolvida, para dar um gancho que o filme precisa para acontecer, já que os vilões e o mundo não esperam o jovem curtir o céu ensolarado de Veneza, certo?

Assim, Nick Fury (Samuel L. Jackson) e Maria Hill (Cobie Smulders) entram na jogada, e sequestram a viagem de férias do garoto, como ele bem fala no filme, onde a dupla precisa da ajuda do Homem-Aranha para combater o mundo da ameaça dos Elementares, figuras mitologias vindas de quatros elementos naturais, como água, ar e fogo, que começam a destruir cidades ao redor do mundo. E então, Homem-Aranha: Longe de Casa apresenta um de seus maiores trunfos com a entrada Mysterio (Jake Gyllenhaal que rouba todas as cenas possíveis e nos garante um dos melhores personagens da Marvel nos cinemas), um cara com um globo em formato de capacete, capa e armadura, numa mistura de Thor com Homem de Ferro, pronto pra ajudar o time a lidar com essas ameaças, que estão num nível que os Vingadores enfrentariam.

A trama de Homem-Aranha: Longe de Casa parece ser simples, num primeiro momento, mas encontra em sua história leve e bem descontraída, a oportunidade de prestar homenagens para a franquia da Marvel de uma maneira geral, inserir easter egg que os fãs dos quadrinhos irão ficar malucos, e ainda garantir reviravoltas bem interessantes, e no melhor estilo daquela vista em Homem-Aranha: De Volta Ao Lar (2017), mesmo que às vezes o longa demore para partir logo para a ação, com medo de achar que o espectador não esteja acompanhando tudo aquilo que acontece em tela.

Os personagens coadjuvantes ainda servem para entregar um certo alívio cômico para a trama, afinal, mesmo combatendo as forças que invadem a Terra, Peter Parker está de férias na Europa com MJ (Zendaya, ótima e cada vez mais ácida, e ao mesmo tempo adorável), onde os dois, finalmente, começam a tomar coragem para sairem juntos, e com os amigos Ned (Jacob Batalon), a jovem Betty (Angourie Rice), e ainda Flash Thompson (Tony Revolori), e novo colega Brad (Remy Hii) que voltou mais velho depois blip, como o filme justifica o retorno daqueles que foram apagados pelo estalo do Thanos.

Fora que Homem-Aranha: Longe de Casa, trabalha diversos momentos de Happy (Jon Favreau) com Peter, e ainda faz o personagem interagir de uma forma interessante com Tia May (Marisa Tomei), e muito mais do que o garoto gostaria. Happy funciona no filme como um mix de Tony Stark nos filmes e Tio Ben (que continua desaparecido!) nos quadrinhos, e mostra para o garoto que as responsabilidades de ser um herói, vem no pacote junto com os poderes, e de ser um Vingador.

Com uma trama super atual que caminha de perto com os acontecimentos do mundo moderno que vemos quase todos os dias nos jornais, e um texto que fala do peso das verdades e de mentiras, o que é real ou que é fake news, Homem-Aranha: Longe de Casa serve como um epílogo divertido para a fase 3 do Universo da Marvel nos cinemas que pareceu terminar em Ultimato de uma forma meio seca, onde os momentos finais do longa, ainda abrem novas possibilidades curiosas para o futuro do personagem, e o que esperar pela frente para um Peter Parker cada vez mais maduro, e claro, para seus inimigos, que parecem se acumular na medida que personagem os deixa pelo caminho.

Assim, Homem-Aranha: Longe de Casa entrega uma espetacular nova aventura do amigão da vizinhança, e encerra mais um capítulo da Marvel nos cinemas num empolgante e surpreendente filme de um super-herói mais pé no chão.

Ps: O filme tem 2 cenas pós-créditos.

Nota do Crítico:

Homem-Aranha: Longe de Casa chega nos cinemas em 4 de julho.

Miguel Morales

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