Histórias Assustadoras para Contar no Escuro | Crítica

A popularização do gênero do terror tem sido o caminho para o surgimento de boas e novas produções lançadas nos últimos tempos. Aliado à isso, temos, também, em muitas delas, o fator da nostalgia presente para ajudar a contar essas histórias…. Seja pela simplicidade de uma era pré-internet, ou ainda por conseguir criar uma ambientação de época com roupas, carros e costumes, esses tipos de filmes tem tido um certo apelo nos últimos momentos.

E aqui, Histórias Assustadoras para Contar no Escuro (Scary Stories to Tell in the Dark, 2019) pega carona, na garupa de uma bicicleta claramente, para contar uma história que tem muito potencial, mas que assusta pela falta de oportunidades que são perdidas, e por uma falta de ousadia que deixa o longa com um tom genérico, pasteurizado, e que infelizmente acaba por ficar no lugar comum para as produções do gênero. 

Zoe Margaret Colletti in Scary Stories to Tell in the Dark (2019)
Histórias Assustadoras para Contar no Escuro – Crítica | Foto: Diamond Films

Não podemos negar o talento de Guilermo Del Toro para a criação de mundos assombrosos e quase únicos, onde aqui, o premiado diretor atua como produtor executivo, e claramente nós vemos a sua mão em muitas das passagens que Histórias Assustadoras Para Se Contar no Escuro entrega. Mas é preciso muito mais do que isso para fazer um bom filme, coisa que a produção patina para conseguir entregar. 

Histórias Assustadoras Para Se Contar No Escuro acaba por entregar uma história entediante e que passa um sentimento amargo de colagem e repetição de tudo que já andamos vendo nos últimos tempos, seja na TV ou no cinema. Temos aqui um filme com jovens em bando atrás de uma ameaça sobrenatural em uma cidade pequena, onde eles precisam enfrentar um de seus maiores medos possíveis: o amadurecimento. 

O ponto que levantamos aqui, não é por que uma série fez sucesso ao trabalhar essas questões com meninas de cabelo raspado com um vício em waffles, ou crianças que lutam com os mesmos problemas e ainda precisam enfrentar um palhaço endiabrado, que nenhuma outra produção possa mais fazer, ou falar sobre o tema, e sim, como tudo isso é tratado e desenvolvido. E é aqui que Histórias Assustadoras Para Se Contar No Escuro erra a mão, ao fazer um filme extremamente fraco e que se perde em sua própria mitologia ao entregar tudo de uma forma cansativa para o espectador com explicações demais e voltas e voltas desnecessárias, onde tudo acaba por ser muito simples em termos de sua narrativa.

Zoe Margaret Colletti and Michael Garza in Scary Stories to Tell in the Dark (2019)
Histórias Assustadoras para Contar no Escuro – Crítica | Foto: Diamond Films

Mesmo com uma premissa interessante sobre uma lenda local, e um livro misterioso que movimenta a trama, Histórias Assustadoras Para Se Contar No Escuro tenta abraçar o sobrenatural, mas acaba apenas usar de fundo de pano uma história que poderia ser muito real e ter realmente acontecido, onde nada mais assustador do que o medo do ser humano por coisas e pessoas diferentes do considerado normal, num paralelo gigante para os dias atuais. 

E ao fazer isso, Histórias Assustadoras Para Se Contar No Escuro navega entre o fantasioso e real de uma forma que faz tudo soar desinteressante, e algumas partes, bastante caricato. Histórias Assustadoras Para Se Contar No Escuro vem envelopado com uma fotografia escura e personagens típicos de outras produções do gênero adolescente, a menina esperta e que se acha feia (Zoe Margaret Colletti), o valentão do colégio (Austin Abrams), o nerd piadista (Gabriel Rush), o personagem latino que se destoa dos outros moradores (Michael Garza) e junta todos eles isso na caçada desse grupo de crianças que buscam uma aventura em pleno Halloween indo em uma casa abandonada. 

Histórias Assustadoras Para Se Contar No Escuro no fundo é pobremente adaptada para as telonas, afinal, a cada momento precisamos descobrir qual dos jovens será o foco que o livro mágico irá contar, e qual o medo do personagem que o autor do livro irá se alimentar para dar um desfecho para o mesmo, seja com eles enfrentando um espantalho, um boneco do mal, ou um monstros que saem do rosto de uma das personagens. 

No final, Histórias Assustadoras Para Se Contar No Escuro não provoca susto, e nem se garante em desenvolver a jornada dos personagens mirins rumos à fase adulta, e acaba, apenas, por contar uma história que arrasta até o seu final, onde a maior expectativa é ver os créditos subirem, e a luz do cinema invadir a escuridão que tomava conta da sala ao longo do filme. A estética bem trabalhada, e algumas boas opções de jogadas de câmera não salvam o filme de ser apenas assustador… no mal sentido que a palavra poderia ter. 

Nota do Crítico:

Histórias Assustadoras Para Se Contar No Escuro chega dia 8 nos cinemas.

Miguel Morales

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