Hellboy | Crítica 2

Anung Un Rama, esse é seu nome e ele é a chave para destruição do mundo, o filho do Capiroto com uma feiticeira que é descendente do Rei Artur, simples assim!? Hellboy volta aos cinemas com a difícil missão de substituir o carismático Ron Perlman pelo astro em ascensão David Harbour e revigorar o interesse no personagem.

Mike Mignola criou um clássico no universo dos quadrinhos com histórias curtas e com uma simplicidade nos traços e na narrativa que envolve o leitor com o carisma do seu personagem. Guillermo Del Toro adaptou isso para o cinema e fez dois bons filmes, com personagens belíssimos e com a ajuda excelente atuação de Perlman. Até o anúncio do novo filme sonhava com um desfecho para esta história.

Meu sonho foi frustrado…

Ao ser anunciado o reboot do Hellboy houve hype, mas confesso que não me empolguei muito, não gostei do visual do personagem e fiquei com o pé atrás com o lance de voltar a origem do personagem. Fui ao cinema, assisti e o que eu achei?

O filme faz uma junção de três histórias, “Darkness Calls”, “The Wild Hunt” e “The Storm“, então tem uma chuva de personagens que atrapalha um pouco a história. Para o orçamento do filme (50 milhões), a obra apresenta bons efeitos e tem até um certo gore, lembrando os filmes trash (cheguei a lembrar algumas produções do Sam Raimi). Nos filmes do Del Toro o diretor deu foco nos personagens e com isso os efeitos especiais ficaram em segundo plano, na versão do diretor Neil Marshall foram utilizados mais efeitos, que nem sempre convencem. As cenas de ação são interessantes dando foco no personagem e jorrando muito sangue e tripas.

Os principais problemas do filme são: a velocidade em que tudo acontece, muita história para pouco filme, o visual do Hellboy que parece desleixado, sendo que os vilões tem visuais mais interessantes que o personagem principal. O protagonista tem um certo teor cômico, mas em alguns momento parece que estão forçando a barra para o público rir e deixar desapercebido alguns acontecimentos.

Na minha opinião o ponto mais positivo do filme é a participação do Mike Mignola no roteiro, isso garantiu uma fidelidade muito interessante ao conteúdo do filme e uma identificação com os leitores dos quadrinhos.

Milla Jovovich, também conhecida com a Rainha Sangrenta está muito bem no filme, mas nada demais. O visual da Baba Yaga é fantástico, assim como o do porco Gruagach.

Resumindo o filme é bom!

Mas me mantenho irredutível e acho que dar desfecho na trilogia de Del Toro seria muito mais interessante, mas o filme novo cumpre o seu papel, sendo divertido e entretendo do começo ao fim, e mesmo sendo crítico espero que o filme tenha uma continuação, pois o filme deixa uma abertura muito boa para isso.

Hellboy chega aos cinemas no dia 16 de maio.

André Honorato

Vocalista na banda Ossos Cruzados