Green Book – O Guia | Crítica

Ótimas e magnéticas atuações marcam Green Book – O Guia (Green Book, 2018), um filme no estilo road trip que abre as portas para explorar questões válidas e importantes sobre o comportamento da sociedade e que acerta ao navegar entre drama e comédia de uma forma bastante louvável.

Greek Book – O Guia parece um daqueles filmes que já sabemos o que irá acontecer na hora que sentamos na poltrona do cinema e os créditos do estúdio aparecerem. Mas, não se enganem, a forma como o roteiro do trio, Nick Vallelonga, Brian Hayes Currie e Peter Farrelly, o último que dirige o longa, conduz a trama, é de deixar o espectador surpreso de como ficamos à vontade para embarcar, aproveitar a viagem e se deliciar com essa jornada pelo Sul dos EUA.

Green Book – O Guia Crítica | Foto: Diamond Films

À bordo de um carro verde de época estiloso, e uma trilha sonora escolhida à dedo, o espectador é convidado para abrir a porta, puxar um balde de frango frito e acompanhar as atuações únicas e dignas de todos os prêmios da dupla principal, os atores Mahershala Ali e Viggo Mortensen.

Green Book – O Guia é um filme que constrói de uma forma bem didática seus personagens, mas faz isso, sem parecer cansativo ou arrastado. Logo no começo, o longa nos apresenta para a figura controversa de Tony Lip (Tony Bocudo no Brasil, Mortensen, ótimo), o malandro com descendência italiana que vive de pular de emprego em emprego para sustentar sua esposa Dolores (Linda Cardellini) e sua família.

Como falamos, o roteiro consegue situar o espectador no ambiente de como Tony e sua família vive e o motivo dele receber a proposta da gravadora do Dr. Don Shirley (Ali, brilhante) para percorrer os Estados do Sul dos EUA em turnê. O músico, um pianista famoso, deseja levar sua banda para uma jornada ao longo dos racistas Estados americanos, onde ser negro é um problema e sinônimo de doença.

Assim, vemos o início de uma parceria inusitada entre os dois homens com visões de mundo completamente diferentes um dos outros, nos entregarem momentos divertidos, onde a troca entre Ali e Mortensen, dá gás para o filme como um todo, e a dupla esbanja química, entre conversas ao volante e paradas em hotéis de gosto duvidosos, sempre com o guia para viajantes negros à tira colo.

Em Green Book – O Guia, as viagens são marcadas por situações íntimas, intercaladas com música clássica tocada no piano do Dr. Shirley, e claro, uma e outra reviravolta, afinal, um bom road trip não importa o destino, e sim, o quanto os personagens saem transformados da experiência que vivem juntos.

O tom e ritmo do filme são super interessantes, onde Green Book – O Guia não erra a marcha em nenhum momento. Os momentos sérios se mesclam com pitadas de humor, é como a dupla de principais tivesse um papel a ser cumprido em relação à isso, e então vemos como a criação pomposa do Dr. Shirley tromba com o lado mais popular de Tony, onde os pré-conceitos de ambos, sendo um negro e outro branco, colidem em situações que não chegam a ofender. O filme apenas se beneficia com essa preocupação do roteiro em mostrar a realidade nua e crua, frequente no Sul do país.

Viggo Mortensen and Mahershala Ali in Green Book (2018)
Green Book – O Guia – Crítica | Foto: Diamond Filmes

No filme, o caminho seguido é simples, o bom roteiro dá a chance para seus atores se destacarem. E os atores pegam o bom roteiro e usam a seu favor para tirarem o melhor de si. Green Book – O Guia é um sinal verde, onde todos passaram de uma forma leve e divertida. A produção acerta, também, em abordar questões e discussões mais sérias sobre como o comportamento da sociedade americana nos anos 60, que beirava o inimaginável quando se tratava da segregação racial, coisa que vemos ainda enraizada nos costumes da sociedade nos dias de hoje.

Assim, Green Book – O Guia, pode se considerar um dos favoritos para a temporada de premiações, como já tem acontecido nos primeiros eventos ( (levou Melhor Filme de Comédia ou Musical no Globo de Ouro), onde Ali fez por merecer (o ator levou já Melhor Ator Coadjuvante no Globo de Ouro) por entregar, juntamente com Mortensen, atuações cativantes e calorosas, como o verão sulista, num filme sobre sobre amizades, aceitação das diferentes, compreensão e respeito ao próximo.

Definitivamente, Green Book – O Guia é um daqueles filmes que não pode deixar de ser visto.

Nota do Crítico:

Nota do Público:
| Total: 1 | Média: 4

Green Book – O Guia estreia em 24 janeiro nos cinemas nacionais.

Miguel Morales

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