Gosto Se Discute | Crítica

Embarcando na onda de competições culinárias que tem tomado o gosto do público, a produção nacional Gosto Se Discute (2017) tenta unir diversos aspectos que dão certo nesses programas para trazer um filme até que simpático e engraçado na medida certa.

A produção claro não revolucionada nada sobre o tema mas é bem criativa com a inclusão da comida na trama da história mesmo que aqui fique em segundo plano, afinal o foco acaba ficando com as interações entre os personagens e os diálogos mesmo que mais pontuais entre eles. Com destaque para Cassio Gabus Mendes, que interpreta o chef de cozinha Augusto que acaba por ser o personagem o ponto focal de todos as sub-tramas que envolvem a produção. Claro que o ator leva o filme quase que sozinho nas costas mesmo que o filme conte com personagens secundários mais ligados para o lado cômico do longa.

Foto: Imagem FIlmes

Então quando Augusto, o chef de um restaurante badalado em São Paulo, depois de muito tempo, percebe que a clientela não é mais a mesma ele vê a concorrência dominar a região com a instalação de um food truck do outro lado da rua. O filme mostra que o restaurante tem as contas no vermelho e o banco que é sócio no estabelecimento fica de olho no orçamento, acaba por mandar uma auditora para tomar conta do local. Cristina (Kéfera Buchmann) então tem a missão de colocar a casa em ordem e dar uma repaginada no estabelecimento.

O único problema é que Augusto começa a perder o paladar quando precisa criar um novo menu para tentar salvar o restaurante. Lembrando muito a produção Sem Reservas (2007) em relação aos conflitos na cozinha e o animado Ratatouille (2007) em termos da batalha entre o novo e velho modo de se pensar, o nacional acerta em ter uma certa leveza, tanto em suas cenas onde a câmera não se movimenta tanto quanto no desenvolvimento da trama.

Como falamos o personagem de Gabus Mendes é o denominador comum de quase todas as tramas, o ator interage bem com o restante do elenco e acaba entregando a melhor atuação de Gosto Se Discute. A relação dele com o dono food truck, Patrick (Gabriel Godoy) se desenvolve ao longo do filme de uma forma um pouco menos interessante do que esperado deixando o clima de competição de lado e focando um pouco mais nas tramoias do chef com a auditora Cristina conta o personagem. Aliás, Kefera evoluiu de seus últimos trabalhos mas continua deixando a desejar em termos de atuação. Se a intenção era passar uma personagem tensa e centrada nos negócios a youtuber acaba não segurar as pontas e claro é completamente engolida pelos outros colegas. Mesmo que seu personagem tenha um arco desenvolvido parece que ele foi mal executado tanto por parte do roteiro quanto por parte da própria atriz em formação.

A dupla Robervânio (Rodrigo Lopez) e Josenildo (o ótimo Robson Nunes) como funcionários do restaurante acabam por quebrar o ritmo quando as coisas ficam mais séries e claramente dá vontade de acompanhar um filme só a perspectiva dos dois que estão muito bons com ótimo timing cômico.

Talvez por conta de um baixo orçamento, Gosto Se Discute acaba por se passar praticamente dentro do restaurante o que acaba deixando o filme com uma sensação teatral demais. Claro que toda a parte da construção do novo menu é muito interessante mas mesmo que com um roteiro ágil e que não segura muito suas pequenas tramas, a produção acaba que por colocar tanta história paralela que não consegue desenvolver com a mesma necessidade todas essas partes. O filme falha também em não deixar quem assiste com vontade de experimentar os pratos, mesmo que muito bonitos e por mais que tenham um toque original que se encaixa bem na proposta na trama, o roteiro faz com que eles aparecam do nada para salvar os personagens principais e não dá nenhum indicio que aquilo fazia parte da vida dos personagens para serem colocados daquele jeito.

Assim, Gosto se Discute é uma comédia de final de tarde, despretenciosa que conta com uma trama meio batida mas que tem algumas piadas que funcionam e acaba sendo um famoso feijão com arroz que final não tem erro mas fica no lugar comum. André Pellenz sabe o que público gosta e o filme não é uma cozinha francesa mas acho que nem era esse o pedido que os produtores pensaram e que nem que o público espera degustar desse nacional.

Nota do Crítico:

Gosto se Discute chega aos cinemas nacionais em 9 de novembro.

Miguel Morales

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