Good Omens | Crítica

“Um anjo e um demônio entram em um bar…” poderia ser o começo de uma piada, mas a frase acaba por ser bem a definição do que esperar de Good Omens, minissérie com 6 episódios, disponível na Prime Video.

Assim, podemos afirmar que a produção, baseada no livro Belas Maldições de Neil Gaiman, já se encontra na nossa lista de melhores coisas do ano, muito que bem, obrigado. Mas o que Good Omens tem de tão especial? Primeiro, sua dupla de protagonistas, dois atores talentosos, que ao serem colocados juntos em tela, criam divertidas interações, onde a atuação de um, completa a de outro.

Michael Sheen and David Tennant in Good Omens (2019)
Good Omens – Crítica | Foto: Prime Video

Aqui, em Good Omens, Michael Sheen e David Tennant estão divinamente bem, e diabolicamente cativantes, onde exalam uma química sem tamanho, como o anjo Aziraphale, e o demônio Crowley, respectivamente. A dupla então, garante em fazer Good Omens entregar uma coisa boa, uma coisa fina, sarcástica e bem humorada, em que a série, acerta ao fazer uma releitura dos acontecimentos históricos bíblicos de uma forma peculiar e com um olhar afiado sobre os quase 6.000 anos de existência do cosmo. 

Good Omens, então, nos entrega um grande filme dividido em 6 partes, com momentos viciantes e instigantes, onde o espectador irá sentir a necessidade de quer continuar e continuar a assistir, mesmo que cada capítulo tenha quase uma hora. O ritmo da produção, faz o tempo passar tão rápido quanto uma mordida numa maçã entregue por uma serpente, onde os personagens cativantes e interessantes que a série nos apresenta, ajudam a contar essa aventura, do momento que Adão e Eva saem do paraíso, do até o Apocalipse, tudo isso de uma forma curiosamente empolgante de se acompanhar.

As participações especiais e os outros nomes que completam o elenco, ainda deixam Good Omens ainda mais impressionante na sua preocupação em contar, sem pressa, uma boa história. Temos, desde de Frances McDormand, como a narradora e a voz de Deus em pessoa, até mesmo, Jon Hamm como o Anjo Gabriel, Miranda Richardson como a vidente Madame Tracy, e ainda Mireille Enos como um dos Cavaleiros do Apocalipse. 

O texto de Good Omens é cheio de pequenos momentos brilhantes, como visto no excelente 1×03 – Hard Times, onde vemos a amizade dos seres imortais ao longo dos anos, desde do começo de tudo, passando pela crucificação de Jesus Cristo, até mesmo, a dupla na Londres de Shakespeare. Em Good Omens, tudo acaba por ser muito, muito bem escrito, onde os roteiristas parecem bem saber o que colocar a cada momento para deixar a produção ainda mais caprichada.

O arco que começa em 1×02 – The Book, e que envolve o livro de Agnes Nutter, uma poderosa vidente e sua descendente Anathema (Adria Arjona), é um grande caça ao tesouro para tentar decifrar as frases misteriosas e como isso irá se desenrolar ao longo dos dias que se aproximam ao fim dos tempos vistos em 1×05 – The Doomsday Option e o ótimo 1×06 – The Very Last Day Of The Rest Of Their Lives.

Jon Hamm in Good Omens (2019)
Good Omens – Crítica | Foto: Prime Video

E Good Omens, acaba por ser a prova definitiva que um dos maiores acertos do filme Bohemian Rhapsody, além dar destaque para Rami Malek, foi marcar esse retorno da banda Queen em trilhas sonoras de filmes e séries. Aqui, a produção usa músicas da banda inglesa, em diversos momentos, para dar o tom da série, onde a produção soube colocar cada uma delas em momentos certos e chaves.

Good Omens, faz uma série de desventuras, ao longo de momentos importantes da jornada do mundo, onde dois seres imortais começam a questionar sua participação no sistema e no Grande Plano. O maior acerto da série, por entregar uma produção fechada, é que tudo acaba por ser muito bem trabalhado, onde as coisas acontecem num ritmo próprio, até mesmo as pontas um pouco mais fracas, como a trama das crianças, lideradas pelo filho do diabo em pessoa, o jovem Adam (Sam Taylor Buck) claramente pegando uma forte referência para Stranger Things, e do grupo de Caça as Bruxas que reune os atrapalhados Shadwell (Michael McKean) e  Newton Pulsifer (Jack Whitehall).

No final, de maneira geral, Good Omens entrega uma produção redonda, feito a Terra, que Aziraphale e Crowley lutam tanto para evitar que acabe, mesmo que assim, a dupla precise enfrentar uma legião de Anjos e Demônios raivosos para isso acontecer. Talvez seja realmente o final dos tempos.

Good Omens disponível na Prime Video

Miguel Morales

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