Gloria Bell | Crítica

Precisa-se ter culhões, aqui no caso, uma senhora culhões, e claro, muito talento pra segurar o espectador num filme como Gloria Bell (2018). E aqui, tanto Julianne Moore quanto o diretor Sebastian Lelio tem isso de sobra. 

A versão americana do chileno Gloria (2013), se beneficia do olhar apurado e metódico de Lelio que novamente tem um cuidado gigante nos detalhes e no retrato da mulher e feminino, onde o talento do diretor o faz entregar uma produção delicada, sensível e que mergulha de cabeça na vida de Gloria, nossa protagonista, interpretada maravilhosamente bem por Moore num papel difícil.

Julianne Moore in Gloria Bell (2018)

Com uma trilha sonora fantástica que rouba a cena a todo momento e ajuda Gloria a contar sua história para o espectador, Lelio faz um retrato sobre relacionamentos humanos, envelhecimento, solidão e amor de uma forma leve e sútil que nem parece que o diretor toca nesses assuntos. 

Vemos a jornada de Gloria, como se fosse um álbum de fotografia, ou em uma versão mais moderna, um feed de Instagram, onde a cada longo passo que a mulher dá para tentar se conectar com outros seres humanos, a deixam vulnerável e aberta para alegrias e decepções. Em um dos momentos do filme, ao ser perguntada se é feliz, Gloria responde: “Tem dias que sou feliz. Tem dias que não…” E completa “como todo mundo!” E essa é a grande verdade que Gloria Bell nos entrega em sua mensagem: viva sua vida. Da melhor forma possível. 

Importante notar o quão o roteiro de Lelio frisa a dependência de Gloria com o outro para viver, sempre pronta para o outro e não a si, e como ele trabalha o caminho da protagonista para se auto-conhecer e entender isso. Gloria Bell passa uma mensagem poderosa sobre amor próprio de uma forma que o espectador consegue juntar todas as peças desse quebra cabeça que é Gloria, e bem, no final, todos nós. 

Moore tem cenas reflexivas e longas que fazem de Gloria Bell ser um show de uma mulher só, com a câmera focada quase sempre no rosto da atriz, com o ângulo fechado e que deixa a produção com um ar íntimo gigante, e Lelio faz isso, aliado com a fotografia sempre com tons roxos e rosa neon. Assim, outro acerto aqui, é que toda a parte técnica de Gloria Bell também é muito bem executada e contribuem para o longa tem seu charme próprio.

No final, Gloria Bell faz mais do que contar a história uma mulher de meia idade em diversos momentos de sua vida, e sim, acaba por ser, uma aula de atuação de Moore e comprova o talento de Lelio para dirigir filmes com protagonistas humanas e complexas como ninguém. “Gloria você não acha que está caindo?
Se todo mundo quer você, por que não há ninguém chamando.”

Nota do Crítico:

Gloria Bell chega nos cinemas em 28 de março

Miguel Morales

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