Frozen II | Crítica

A aguardada sequência de um dos maiores sucessos comerciais e de público vinha cercada de expectativa. Teria a trama fôlego para entregar um novo filme? Quais aventuras aguardariam as irmãs Anna e Elsa nesta próxima história? Depois da confirmação de um segundo filme, o longa foi cercado de diversos mistérios assim, Frozen II (2019) chega levantando diversas perguntas.

Kristen Bell, Idina Menzel, Josh Gad, and Jonathan Groff in Frozen II (2019)
Frozen II – Crítica | Foto: © 2019 Disney

Na medida que os materiais de divulgação foram saindo, a ansiedade de rever as nossas heroínas só aumentava. A Disney conseguiria entregar uma sequência na mesma altura, ou ainda melhor que o primeiro filme? Para nós, a resposta veio logo ao terminar o filme: não. 

Frozen II nos embarca novamente no mundo mágico e encantador de Arendelle, onde temos Elsa, a Rainha do Gelo, e sua irmã Anna, a Princesa sonhadora e destemida de volta, onde aqui temos uma nova aventura (congelante!) rumo ao passado das protagonistas. Com uma arrecadação monstruosa de mais de 1 bilhão de dólares em bilheteria, e se tornando um marco na cultura pop, era fato que a franquia Frozen iria nos entregar uma sequência não era apenas uma questão de Quando? e sim de Como?. 

O Como? foi respondido rapidamente, e em entrevista os diretores e roteiristas, a dupla Jennifer Lee e Chris Buck, garantiram que o longa seria lançado quando uma história que valesse a pena fosse planejada. Aqui, em Frozen II o roteiro de Lee – hoje Presidente da Disney Animation-Pixar – parece muito mais sofisticado, e complexo do que o primeiro filme. A trama nos entrega uma misteriosa história envolvendo chamados do desconhecido, com um quê de conspiração, e uma busca pelas entranhas do curioso mundo em que as personagens vivem.

Em Frozen II a história e suas personagens parecem amadurecer, mesmo que continuem estar em um filme infantil, com animações e traquejos totalmente voltado para crianças. Frozen II parece conversar com uma audiência que cresceu do primeiro filme para cá, onde ao mesmo tempo que mantém sua aura infantil, também conversa com outros públicos. A busca de Elsa pela origem de seus poderes movimenta a trama e garante para a personagem novas sequências musicais, novos figurinos, e claro, uma busca por sua própria identidade. 

Kristen Bell and Idina Menzel in Frozen II (2019)
Frozen II – Crítica | Foto: © 2019 Disney

Sem parceiro ou parceira amorosa, em Frozen II, Elsa precisa lidar com seus poderes, e novamente salvar a si, e consequentemente o mundo. O mesmo vale para Anna que continua com sua essência divertida e encantadora vista no primeiro filme, e aqui na sequência, ainda continua pronta para ação e sem medo de enfrentar novas batalhas. Kristoff e a rena Sven mantém seus papeis de coadjuvante e de orbitarem ao redor das protagonistas, mesmo que o rapaz ganhe seu próprio número musical, e uma trama divertida sobre pedir Anna em casamento.

Mas realmente quem rouba todas as atenções é o hilário boneco de neve, Olaf que parece ter todas suas cenas feitas para viralizar on-line quando a Disney lançar o longa em formato digital, e na sua própria plataforma de streaming. Em uma determinada passagem, Olaf narra em formato musical todos os acontecimentos que os personagens passaram até então, numa das passagens mais espirituosas da Disney até então, e claramente focada para o público jovem, viciado em vídeos paródia do YouTube, até a última sensação do momento, a rede social tiktok. 

Com poucas músicas marcantes, o destaque fica para Into The Unknown, Frozen II parece expandir o universo criado no primeiro filme, deixa a trama maior e mais robusta, e assim, faz com que a história que se embole ao longo do filme. Infelizmente, a sequência parece ter sido menos planejada do que em Frozen – Uma Aventura Congelante.

No final, Frozen II acerta ao nos fazer revisitar os queridos personagens novamente, mas falha em tentar capturar o mesmo frescor e desprendimento visto no primeiro filme, o que o deixa as sombras do seu antecessor. Ficamos então, na expectativa de um terceiro filme para fechar a trilogia, quem sabe em 2022?

Frozen II parece ser um filme de transição, um que faz a ponte entre o primeiro e um terceiro, a mesma ponte que liga Arendelle ao Reino misterioso na floresta encantada. O que o futuro reserva para Anna e Elsa? Um horizonte iluminado e ensolarado. O frio está longe de passar dessa franquia multimilionária do estúdio. 

Nota do Crítico:

Frozen II em cartaz nos cinemas.

Miguel Morales

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