Fora de Série | Crítica

Filmes que retratam certos períodos da adolescência de forma mais íntima e sensível, na visão do protagonista ou até mesmo narrado por ele, podem facilmente se tornar repetitivos e repleto de clichês.

Conhecidos como filmes coming of age – em sua quase tradução livre atingir a maioridade – eles têm o obstáculo de se descolar de tudo que já fora visto antes: adolescentes entediados e revoltados com os pais, frequentadores de festas em casas enormes repletas de jovens privilegiados segurando barris de cerveja com uma mangueira que enche copos vermelhos de plástico e ouvem música alta até que a polícia bata na porta. 

Fugir destes e outros elementos é um grande desafio, mas utilizar todos os mesmos clichês de forma original é um desafio ainda maior. Fora de Série (BookSmart, 2019) atinge este grande nível de autenticidade de forma leve, engraçada e divertida. 

Beanie Feldstein and Kaitlyn Dever in Booksmart (2019)
Fora de Série – Crítica | Foto: Imagem Filmes

Nos últimos cinco anos, observamos um crescimento no número de filmes independentes que abordam esta mesma fase da vida. Retomam questões importantes como autoconhecimento, distanciamento de amizades, novas vivências e angústias e desafios de entrar na fase adulta. Felizmente, o nível de qualidade vem crescendo junto. Esta onda no cinema independente no qual atores jovens, muitas vezes em seus primeiros trabalhos, têm a chance de brilhar como protagonistas. 

Fora de Série acompanha Amy (Kailtyn Danver) e Molly (Beanie Felstein), duas melhores amigas que passaram os quatro anos de colegial focadas em nada além dos estudos para garantir suas vagas em universidades boas e futuros brilhantes. Porém, ao descobrirem que diversos colegas também conseguiram ingressar boas universidades sem nunca deixar de lado diversão e suas vidas sociais, Amy e Molly decidem aproveitar uma última noite antes da formatura para compensar os anos que abriram mão da diversão pelos estudos. 

No filme, Olivia Wilde debuta como diretora e realiza um incrível trabalho, simples porém totalmente competente. Sua direção possui um grande equilíbrio em relação ao que se espera de um filme independente. Ele se desprende da necessidade de fazê-lo “artístico” mas ainda assim é agradável e esteticamente prazeroso. 

O roteiro, escrito por quatro mulheres, Emily Halpern, Sarah Haskins, Katie Silberman e Susanna Fogel, é a prova viva de que os coming of age – ou qualquer filme, aliás – podem ter uma história simples e te roubar risadas sem piadas envolvendo qualquer tipo de bullying ou humor sombrio e de mau gosto. 

Kaitlyn Dever and Billie Lourd in Booksmart (2019)
Fora de Série – Crítica | Foto: Imagem Filmes

As atrizes Kaitlyn Danver e Beanie Felstein possuem uma química natural na tela, parecendo serem amigas de longo prazo. Ambas interpretam personagens muito bem escritas e engraçadíssimas e, no que se diz de humor, vale a pena destacar a personagem Gigi, interpretada por Billie Lourd, que rouba risadas em todas as cenas em que aparece. 

Fora de Série é divertido, doce e autêntico. Uma comédia despretensiosa para assistir sozinho, com amigos, namorado/a ou com qualquer um que goste de um humor sincero e original.  

Nota do Crítico:

Fora de Série chega em 13 de junho nos cinemas