Faces de Uma Mulher | Crítica

Filmes que contam a trajetória única de uma pessoa tem ficado mais tradicionais ao longo do tempo a medida que dá a possibilidade de vários atores poderem entrar e mergulhar no mesmo papel e assim conseguirmos ver uma história completa sobre a vida de alguém. O que não é diferente no caso do filme Faces de Uma Mulher (Orpheline, 2017) onde acompanhamos a trajetória e vida de uma mulher que sempre acaba por tomar decisões erradas em sua vida.

Assim, somos apresentados logo de cara a Renée (numa atuação sóbria e que não empolga muito de Adèle Haenel) uma professora de ensino fundamental em relacionamento sério mas que tudo muda na sua vida quando ela recebe a visita da policia dizendo que ela está presa por roubo e que seu nome não é Renée. Assim acompanhamos igual o noivo, a confusão com a situação que está para começar.

Foto: Mares Filmes

A partir desse começo rápido e que sabe bem dosar as cenas de um vida simples e pacata da personagem com essa mudança brusca entramos de cabeça na vida dela. A cada nova situação voltamos no tempo para seremos apresentados a motivos e uma história do passado que ajudou a moldar o presente dela.

A medida que Tara (Gemma Arterton) re-aparece na vida da personagem somos mudados de cenário e conhecemos a jovem Sandra (com uma atuação magnética que nos prende a tele de Adèle Exarchopoulos) e assim Faces De Uma Mulher mostra o envolvimento das duas a medida que vivem de se envolver com os homens ricos que apostam em corridas de cavalo. Como uma dupla de criminosas o envolvimento das duas acaba por ser explosivo e gerar uma excelente receita para o desastre.

A cada momento que se passa vemos com closes bem intencionados como a protagonista (ou as protagonistas) mostram e lidam com os percalços da vida. A cada fase apresentada vemos que os eventos que acontecem são consequências das próprias atitudes dela, numa trama cíclica e que ela não consegue escapar nem quando quer e no fundo parece também não querer. Com momentos fortes e alguns até bem sexualizados a direção de Arnaud des Pallières consegue mostrar os envolvimentos dela com os homens mais velhos para tentar conseguir sair dessa trama de espiral que ela vive desde de sempre.

Foto: Mares Filmes

A media que voltamos às infância dela num estilo Moonlight – A Luz do Luar de forma reversa, entendemos mais sobre a vida dessa mulher. Na infância, vemos que Kiki (Vega Cuzytek) mora em um lixão com os pais e vive de roubar coisas dos carros que ficam para virar sucata. Como o título original nos sugere a cada passagem vemos uma pessoa órfã de apoio emocional, em dizer o certo e errado e faça a diferença na vida dela. Isso bem claro na fase quem temos a atriz Solène Rigot dizendo que não é feliz ao fugir de casa sempre e entrar em baladas. O filme é um puro grito de atenção para ela (elas no caso).

Assim, Faces de Uma Mulher pode não ter um norte especifico ou uma trama como começo, meio e fim bem definido afinal vamos e voltamos na vida dessa mulher mas mostra com uma sutileza bem interessante alguns pontos de visita em relação a como as vezes o imã para as coisas derem errado faz parte da nossa essência. O filme falha talvez em não mostrar ou tentar criar um clima de mistério sobre a identidade das três mulheres e não tenta justificar o comportamento da figura chave apenas o joga em um apanhado de situações e momentos que fizeram a diferença para ela mesmo que de uma forma não positiva.

Nota do Crítico:

Faces de Uma Mulher estréia em 25 de maio nos cinemas.