Extraordinário | Crítica

Extraordinário (Wonder, 2017) consegue ser uma das adaptações mais interessantes, cativantes e emotivas do ano. E isso se dá pelo talento da produção envolvida: elenco, roteiristas e claro direção. A equipe consegue contar de forma extremamente encantadora a história de vida de August Pullman (Jacob Tremblay) e os desafios que ele (e sua família) enfrentam nessa grande jornada que é a vida.

Foto: Paris Filmes

Como falamos o filme é muito bem adaptado do livro escrito por R.J. Palácio com o mesmo nome e transporta para a grande tela a empolgante história de Auggie um garoto com um doença facial que precisa encarrar a ida para a escola pela primeira vez e claro lidar com toda a exposição que leva. O roteiro de Stephen Chbosky, que também dirige o longa, é preciso e abraça o espectador em conhecer mais sobre essa história. Com a presença do talentoso Tremblay que mesmo por trás de uma bela maquiagem para compor o personagem nos entrega a mesma doçura e inocência vista em O Quarto Jack (2015) e faz aqui uma performance absolutamente cativante. O ator consegue falar com os olhos e demostrar alegria, medo, raiva ao mesmo tempo, como se fosse literalmente um bebê dando seus primeiros passos. Mesmo você não reconhecendo o ator logo de cara pela voz e pela forma de andar e agir ajuda muito a concepção do personagem, um acerto.

A forma que Auggie descreve as coisas, lugares e pessoas é realmente muito interessante de se acompanhar mas se tem uma coisa que Extraordinário acerta é mostrar o ponto de vista da forma de todos os personagens, com a história sendo apresentava pelo olhar de cada um, seja a irmã, a mãe ou o melhor amigo o filme te faz navegar pela trama de uma forma bem pensada sem deixar o ritmo cair afinal diferente de um livro precisamos numa produção cinematográfica pensar que o espectador não pode avançar as páginas ou voltar para consultar alguma coisa.

O roteiro também segue a mesma narrativa do livro de passar mensagens de amizade, respeito e agrada por não soar piegas ou até mesmo melodramático demais. O filme não tem o mesmo desenvolvimento de personagens e preocupação de explorar muito do resto dos personagens como Atypical (Netflix) consegue ou ser mais cômico igual Young Sheldon (Warner Channel), mas consegue deixar cada momento passado em tela de uma forma bem suave.As passagens conseguem dosar momentos engraçados com momentos tristes e apoiado com boas atuações faz de Extraordinário um filme com uma poderosa sensação de “sinta-se bem”.

Foto: Paris Filmes

O elenco infantil composto pelos colegas de Auggie é realmente muito bem escalado, mas junto com Tremblay quem realmente se destaca e rouba a cena é Julia Roberts, como Isabel, e a atriz realmente é a cereja do bolo do longa, sua personagem é madura, mas ao mesmo tempo precisa lidar com alguns conflitos. Realmente Roberts consegue mostrar e cativar em cada momento, suas cenas com Tremblay são realmente os pontos altos da produção. Owen Wilson mesmo que participando pouco também se encaixa bem no papel, a atriz pouco conhecida Izabela Vidovic faz a típica irmã mais velha adolescente, Vic, mas que consegue carregar sua trama um pouco mais isolada sozinho de uma forma bem bacana e Sonia Braga, como a avó aparece rapidamente, mas consegue fazer uma cena muito marcante e envolvente.

Extraordinário talvez não tenha o mesmo impacto como As Vantagens de Ser Invisível (2012), do mesmo diretor, mas compre seu papel em fazer um bom filme familiar, com um elenco talentoso, e uma história inspiradora ele consegue conectar quem assiste com os personagens e seus problemas. Um feito extraordinário para o cinema nos dias de hoje com um filme com um apelo um pouco mais comercial.

Nota do Crítico:

Extraordinário estreia dia 07 de dezembro nos cinemas.