Esta é a Sua Morte – O Show | Crítica

Com um tema polêmico, mas mesmo assim importante de ser discutido, Esta é a Sua Morte – O Show (This Is Your Death, 2017) estreou no SXSW Festival e mostra de uma forma bem gráfica como a banalização da vida pode afetar muita gente. Com um elenco conhecido do grande público, o filme serve como um alerta importante para algumas pessoas e usa um tom bem acima do real para contar sua história.

Foto: CineArt Filmes

Na trama do drama vamos acompanhar a influência que a TV tem nas ações das pessoas. Depois que uma participante do reality show que apresentador Adam Rogers (Josh Duhamel) comanda tira sua vida depois de matar os outros colegas de programa, uma emissora de TV fica com um pepino nas mãos. Assim, a chefe de programação (a fantástica Famke Janssen) convence Rogers a embarcar para começar um novo e ousado programa: as pessoas são pagas para se matarem ao vivo.

Então com o apoio da direção da emissora que consulta os advogadas, a produtora Ilana (Janssen) junta uma equipe e coloca o programa no ar. Resultado? A atração vira um hit televisivo mesmo cercado de muitos protestos. A cada semana, um convidado do programa é selecionado e somos apresentados a sua vida e a plateia acaba por ver ao vivo o participante se matar no palco, seja com arma de fogo, por choque elétrico ou por artes envenenamento de gás. Quem assiste doa dinheiro, a família por trás das câmeras recebe uma quantia e o canal lucra com os horários de venda de publicidade nos intervalos.

Esta é a Sua Morte – O Show a principio parece que tenta romancear algumas situações, mas você percebe a qualidade do roteiro da dupla Kenny Yakkel e Noah Pink, ao ver a crítica social que ele faz sobre o culto à celebridades, a busca de audiência e claro também como as pessoas acabam sendo tratadas como nada em muitas vezes. A história é até que simples mesmo que por trás de uma curiosa história chega a bater numa realidade nada surpreendente.

Josh Dummel tem um carisma gigante mas nas cenas mais dramáticas o ator deixa um pouco a desejar em sua atuação. Nada que atrapalhe o filme mas fica claro a necessidade de escolher um ator com um pouco mais de calibre principalmente ao dividir cena com Giancarlo Esposito que além de dirigir tem uma trama paralela um pouco deslocada do restante do filme onde ele acaba apenas por circular os personagens do núcleo da emissora.

Foto: CineArt Filmes

Famke Janssen consegue passar aquele sentimento de frieza em tela de uma forma muito perspicaz e é um dos destaques da produção. Suas cenas com Esposito são realmente bastante tocantes e a troca em tela entre os dois eleva o filme para um novo patamar. Sarah Wayne Callies como a irmã do apresentador também tem sua trama isolada em que a atriz consegue segurar as pontas e surpreende.

Tirando isso o filme tem umas tomadas interessantes mesmo que tente gerar um climinha de suspense ao envolver a produtora Sylvia (Caitlin FitzGerald) com uma investigação com o FBI mas nada muito surpreendente ou fora da curva. É um filme com uma com uma história interessante que acaba prendendo a atenção de quem assiste desde do trailer.

Esta é a Sua Morte – O Show passa uma mensagem poderosa e que te faz pensar sobre as consequências das ações dos personagens e como elas acabam por fazer um paralelo com o mundo que vivemos atualmente. Mesmo com uma derrapada lá em seus momentos finais, o filme tem a proeza de deixar o espectador meio enjoado e pensativo, com a polemica que é apresentada. Em um ano com 13 Reasons Why manter a conversa sobre a prevenção ao suicídio é muito importante.

Nota do Crítico:

Esta é a Sua Morte – O Show chega aos cinemas em 21 de Setembro.

Miguel Morales

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