Espírito Jovem | Crítica

Com um certo burburinho depois de estrear tanto em Toronto em 2018, e depois no SXSW neste ano, Espírito Jovem (Teen Spirit, 2018) perdeu um pouco de sua força, devido talvez, a quantidade gigantesca de outras produções chamadas de blockbusters que estrearam de lá para cá. Mas, cá estamos, e finalmente o longa chega no circuito nacional com roteiro e direção de Max Minghella.

Assim, na estreia do ator, mais conhecido por seu papel na série The Handmaid’s Tale, na direção, Espírito Jovem faz uma produção redondinha, que até atinge todas as notas esperadas, e entrega poucos momentos desafinados.

Teen Spirit (2018)
Espírito Jovem – Crítica | Foto: Diamond Filmes

Aqui, o filme, estrelado por Elle Fanning, faz um conto da Cinderella moderno, mas sem ratos e abóboras, num drama cheia de músicas viciantes, no melhor estilo Nasce Uma Estrela, onde temos a tímida jovem Violet (Fanning, excelente) como uma aspirante cantora que embarca uma jornada de auto-descobertas para se tornar a nova cara do pop britânico.

Assim, o roteiro de Minghella, tem pequenos trechos parecidos com diversas outras produções musicais, como a série Glee, o polêmico Vox Lux, e a franquia A Escolha Perfeita, e mistura tudo isso, de uma forma um pouco mais realista, genuína e até mesmo mais humanizada para a contar a história de Violet.

Espírito Jovem se apoia no carisma de Fenning, e na trilha sonora escolhida à dedo, embaladas por melodias pop com letras tristes e melancólicas, que vão desde I Was a Fool até Dancing On My Own, para dar um ar muito interessante para o longa. Assim, o roteiro nos apresenta as mais diversas figuras que ajudam a contar um pouco da trajetória da garota rumo ao estrelado, desde da noite que Vlad (Zlatko Buric), um ex-cantor de ópera do Leste Europeu/fada madrinha, encontra a garota num bar local, e promete acompanhar Violet nas primeiras etapas do concurso para o reality show musical Teen Spirit.

Então, o longa, coloca a jovem no competitivo e feroz mundo musical, onde imagem e percepção do público é tudo, e aqui vemos a garota precisar mostrar seu talento para milhões de pessoas, para seus competidores no programa, e ainda, precisar lidar com esse mundo cheio de novidades que são apresentadas para ela, sejam elas boas ou ruins. Tudo é bem desenvolvido no filme, que apenas coloca obstáculos para tomar tempo em tela, onde a trama parece caminhar para alguns caminhos óbvios, previsíveis e sem muitas surpresas, mas Espírito Jovem, faz isso de uma forma completamente delicada, sem soar pretensioso, ou quer enganar o espectador.

Elle Fanning in Teen Spirit (2018)
Espírito Jovem – Crítica | Foto: Diamond Filmes

Espírito Jovem, pode até não entregar uma história original, ou nada de muito diferente para o gênero, mas acerta em contar bem a história de Violet rumo ao estrelado, é como diz a personagem da empresária Jules (Rebecca Hall, sempre muito boa), “você é um casulo que queremos transformar em uma borboleta”.

No final, Espírito Jovem faz um drama com uma nota acima da média, que se destaca por ter como protagonista uma jovem competente no papel, que segura as pontas, e entrega emoção ao performar as músicas da marcante e arrebatadora trilha sonora que o filme apresenta. Impossível não sair vidrado com o talento de Elle Fanning em um filme marcante e envolvente.

Nota do Crítico:

Espírito Jovem chega nos cinemas em 20 de junho.

Miguel Morales

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