Ela Disse, Ele Disse | Crítica

Ela Disse, Ele Disse (2019) chega aos cinemas com um grande mérito e um grande peso nas costas: a produção acerta em entregar uma das tramas adolescentes que mais conversam com o seu público-alvo. Talvez seja pelo roteiro adaptado do livro de Thalita Rebouças, ou pelo elenco que foi muito bem escalado para o filme, ou até mesmo, por conta do cinema nacional finalmente acertar numa produção do gênero sem soar forçada e artificial demais. 

Foto: Imagem Filmes

Assim, Ela Disse, Ele Disse captura bem o espírito do jovem de hoje com seus anseios, temores e alegrias, onde desde dos primeiros minutos essa sensação de filme teen invade a tela do cinema, e deve conversar bem com a audiência. O roteiro da dupla Tati Ingrid Adão, e da própria Rebouças, sabe unir bons momentos e passagens que devem conversar com o público que a produção quer mirar ao falar sobre questões típicas do dia-a-dia do jovem como bullying, primeiros amores, e amizade. 

Claro, como produção cinematográfica, Ela Disse, Ele Disse até deixa a desejar em muitos quesitos técnicos, seja capturas de imagens, edição, e até mesmo fotografia que soa bastante novelesco e globalizado, mas tudo que nos é apresentado acaba por jogar o espectador em uma atmosfera extremamente convidativa para esse “primeiro dia na escola” em que vemos a jovem Rosa (Duda Matte, bem para o papel de protagonista), e Léo (Marcus Bessa, com potencial) em seus primeiros contatos na nova e rígida escola comandada pela diretora Madalena (Maria Clara Gueiros, hilária).

Com a presença da apresentadora Maísa, no seu primeiro papel de antagonista como Júlia, uma garota cabeça de vento e projeto de vilã de Malhação, Ela Disse, Ele Disse usa esses e outros artifícios para apelar para o espectador jovem. Seja truques vistos em canais de YouTube ou clipes de cantoras pops do momentos, a produção aposta nessa envelopagem divertida para fazer seu público se sentir em casa. Assim, temos a narração em voice over, uma quebra da quarta-parede(quando o personagem parece conversar com o espectador dentro do filme), a fotografia colorida e chamativa, os personagens dentro da faixa etária e com carinhas novas deixam a produção confortável em poder abusar de certas situações até mesmo inexplicáveis em outros filmes. 

Foto: Imagem Filmes

Ela Disse, Ele Disse chega num momento certo, onde os jovens vem como uma consciência política muito maior e apoia e luta por certas causas e que acaba por ser retrato no longa, quando uma polêmica envolvendo beijos e regras sai do controle e ameaça alguns estudantes.

No final, produção cumpre seu papel em divertir, passar uma mensagem positiva, e entregar um frescor para as comédias românticas nacionais que estrearam nos últimos tempos. Ela Disse, Ele Disse é simples em sua proposta, mas entrega um longa eficaz naquilo que propõe. Um acerto inesperado. 

Nota do Crítico:

Ela Disse, Ele Disse em cartaz nos cinemas.

Miguel Morales

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