Dynasty | Crítica da 1ª Temporada

Quando você junta um dos canais americanos com maior foco no público jovem, dois produtores responsáveis pelos sucessos teen como Gossip Girl e The OC, e uma ideia de reboot para uma das séries mais conhecidas do mundo, é tudo uma receita para o sucesso?

Sim, e isso é Dynasty!

A produção ainda se beneficiou da inclusão nessa equação de uma gigante do streaming que distribui a série um dia depois da exibição nos EUA e tudo isso faz do seriado ser um acerto e tanto.

Foto: Netflix

Reboot da série Dynasty, que foi exibida nos anos 80 nos EUA, a versão exibida na temporada 2017-18 usa o nome de sua antecessora e a cafonice tanto de figurinos, quanto de atuações para criar uma história novelesca, viciante e que claramente sabe como segurar o espectador.

O seriado é aquela produção descompromissada, a própria definição do termo guilty-pleasure mais conhecida na internet como série-farofa. Em Dynasty, os diálogos chegam a ser na maior parte do tempo muito ruins, com frases de efeito soltas, muito carão em tela e tem tramas daquelas surreais, uma mais sem pé nem cabeça que a outra. Mas, o que salva a série, é ela sabe que é tudo isso, abraça o seu lado ruim e só se beneficia disso.

Os produtores Josh Schwartz e Stephanie Savage claramente sabem disso e usam e abusam de suas experiências em séries teen para criar uma nova e divertida história dentro da realidade atual e que acerta ao tratar de assuntos importantes como mulheres no mercado de trabalho, questões imigratórias, corrupção e muitas outras coisas mais sem perder o charme, o apelo para os jovens e não cair no lugar comum.

Os diálogos mesmo que ruins são ácidos, espertos e além de serem carregados de referências para a cultura pop, entregam um texto simples, onde vemos que a série não tem medo de ousar, sabe do seu status e se aproveita completamente da situação para desenvolver suas histórias.

ALERTA DE SPOILER: Este artigo contém informações sobre os principais acontecimentos do episódio. Continue a ler por sua conta e risco.

Com 22 episódios para sua primeira temporada, Dynasty, tem uma trama trabalhada por três blocos narrativos, como se fossem grandes arcos desenvolvidos durante vários episódios onde, como uma boa novela, acompanhamos a multibilionária empresa de energia chamada Carrington Atlantic e a família Carrington que a controla com suas tramoias, esquemas e conflitos tanto profissionais quanto pessoais. Tudo isso com muito glitter, cabelos esvoaçantes e claro muitas jóias, champanhe e uma trilha sonora deliciosa.

Foto: Netflix

Um dos destaques de Dynasty fica com o elenco jovem, sexy, saído de uma capa de revista e a série começa em seus primeiros episódios com o embate delicioso e fantástico entre Fallon Carrington, a ótima Elizabeth Gillies, uma mistura da atriz Lindsay Lohan com a personagem de Leighton Meester em Gossip Girl e Cristal Flores, a carismática Nathalie Kelley. A dupla literalmente rouba as cenas e seus embates ficaram marcados nessa última temporada de séries americana.

Logo no piloto 1×01 – I Hardly Recognized You, conhecemos a dinâmica familiar, onde Cristal acaba por casar com o Blake Carrington (Grant Show), Presidente da empresa Carrington Atlantic e que Fallon sonhava em ser a Vice-Presidente de Operações da companhia. Mas, como um bom novelão, sua nova madrastra acaba sendo promovida no lugar da enteada e isso é só começo de um delicioso jogo de gato e rato.

A série é marcada por não ficar com uma trama cozinhando durante muito tempo, Cristal e sua família tem seus mistérios que são resolvidos ao longo dos primeiros episódios, com destaque para 1×03 – Guilt is for Insecure People e 1×05 -Company Slut. Junto com a personagem temos, também seu sobrinho Sam (Rafael de la Fuente) que chega para movimentar o dia-a-dia da Mansão e passa por momentos difíceis, com sua família envolvida com imigrações ilegais, máfia e sequestros de parentes. Destaques para os episódios 1×08 – The Best Things in Life, 1×09 – Rotten Things e o combo 1×10 – A Well-Dressed Tarantula e 1×11 – I Answer to No Man.

Mesmo envolvido no arco mais dramático dos Flores, Sam acaba também sendo um dos alívios cômicos da série e funciona muito bem dentro da narrativa da série por conta de seu jeito expansivo e cafona de se vestir. O personagem tem seus melhores momentos principalmente quando tem cenas com o mordomo Andres (Alan Dale) e sua relação com Steven (James Mackay), irmão de Fallon, é bastante tumultuada e intensa.

O outro Carrington também tem seus destaques na trama que dá para o personagem problemas com drogas, com a polícia e claro abre espaço para os roteiristas falarem política quando o rapaz se candidata para um cargo na cidade de Atlanta como vemos nos episódios 1×13 – Nothing But Trouble e 1×14 – The Gospel According to Blake Carrington.

Foto: Netflix

A trama também é movimentada e muito pelos irmãos ColbyJeff (Sam Adegoke) e Monica (Wakeema Hollis) que tem intenções nada boas com os Carrington. A dupla vai ganhando cada vez mais e mais destaque com uma trama de vingança começando a se revelar lá nos episódios 1×13 – Nothing But Trouble até 1×16 – Poor Little Rich Girl.

Jeff como sócio de Fallon e quase-noivo-quase-casado e Monica a melhor amiga traída tem uma importância para o série, na medida que vemos os dois tentarem tirar o pai da prisão por um crime contra Blake. E mesmo que lá para o final da temporada, eles fiquem um pouco fora das tramas principais, as cenas e os planos vingativos são muito bem apreciados, até mesmo pela mudanças que os personagens sofrem até os episódios finais, principalmente no 1×21 – Trashy Little Tramp. 

Como falamos, essa primeira temporada trabalha em três grandes arcos, a apresentação dos Flores, para depois a vingança dos Colby e em sua reta final temos mais situações hilárias e uma nova trama que é deliciosamente cativante, com a aparição de Alexis Carington (Nicolette Sheridan). A ex-Sra Carington rouba atenção e chega com entradas triunfais em velórios, um filho perdido, dedos voadores e claro muitos segredos, mentiras e um final de temporada (1×22 -Dead Scratch) explosivo, onde tudo pega fogo.

Dynasty abusa de cenas e tomadas grandiosas, com festas luxuosas em quase todos os episódios e acaba por empolgar pelas reviravoltas, traições e alianças inesperadas onde a maioria dos episódios terminam com ganchos para lá de inesperados e que em quase todo momento é um mix de tudo ou nada.

O senso de urgência da série é gigantesco e mesmo com um roteiro não muito elaborado e com histórias paralelas que acabam ficando até mesmo desconexas as tramas principais, Dynasty chega a ser uma ótima e viciante companhia para se divertir mesmo com seu jeito alto, glamuroso e estridente.

Dynasty tem sua primeira temporada disponível na Netflix e já foi renovada para um novo ano que deve chegar em Outubro.

Miguel Morales

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