Dupla Explosiva | Crítica

Só pelo material de divulgação de The Hitman’s Bodyguard (que veio para o Brasil com o título Dupla Explosiva) podemos ver o tipo de comédia que o filme seria. Em um dos cartazes e teaser liberados do longa, que você pode ver aqui, dá para ver o personagem de Ryan Reynolds carregando Samuel L Jackson no colo imitando o cartaz do clássico O Guarda Costas (The Bodyguard, 1992) com a cantora Whitney Huston e Kevin Costner. Eles até usaram no trailer a música tema do filme, I Will Always Love You ao fundo, e dito isso já temos um pouco do que é Dupla Explosiva, um filme esperto, ousado e sem medo rir de si e de outros filmes.

Foto: California Filmes

Na trama conhecemos Michael Bryce (Reynolds) que faz proteção classe A para figurões e pessoas VIP. Bryce, é metódico, cheio de regras como “chato é melhor” e muito bom no seu trabalho até que um incidente com um cliente faz ele perder tudo e principalmente o status que ele prezava tanto. Junto com esse início que é bem ágil e o filme consegue apresentar os personagens de forma bem clara e mostra rapidamente os principais pontos da trama que vai desenrolar ao longo de suas quase 2 horas. Um ditador do leste europeu (Gary Oldman) será julgado no Tribunal de Haia sobre seus crimes de guerra e uma testemunha chave precisa depor para apresentar provas concretas sobre ele.

Assim, descobrimos que essa pessoa é o matador Darius Kincaid (Jackson) que está preso e como os agentes do ditador estão em cima das pessoas que resolvem depor contra ele então o atirador e a Interpol fazem um acordo. A agência internacional cuida do caso numa força tarefa liderado pela novata Amelia Roussel (Elodie Yung) e depois que um infiltrado repassa informações sobre a localização de Kincaid faz com que Michael entre na história para salvar a pele do assassino.

Dupla Explosiva é um belo exemplo de um filme bem feitinho sabe? O roteiro do novato Tom O’Connor (responsável somente por Fogo Contra Fogo) é bem redondo mesmo que não tenha muitas inovações e novidades. Diria até que o script é um pouco longo demais pelo motivo que ele precisa aparar todas as pontas afinal ele tem comédia, muitas piadas com duplos sentidos, tem romance, perseguição de carros, explosões mas é um típico filme que deve agradar todos os públicos.

A direção de Patrick Hughes, de Os Mercenários 3 (2014), dá o tom do filme em ser uma produção para entreter. E isso fica bem claro com a química entre Reynolds e Jackson que é o grande destaque do longa, os dois fazem aquela típica dupla que são o oposto um do outro mas não no velho estilo  policial ruim, policial bom e sim aqui acaba que os dois são malucos e insanos, cada um variando a dosagem ao longo do filme.

Reynolds parece que se achou depois de Deadpool e está desbocado, sarcástico e completamente pirado. Samuel L Jackson também parece se divertir mas mostra que está um pouco no piloto automático, seu assassino é bem parecido com outros personagens como o vilão já fez, como por exemplo, Valentine em Kingsman: Serviço Secreto (2014) e Barron de O Lar das Crianças Peculiares (2016). Ao fazer dupla tanto com Reynolds seu parceiro no “crime” e como com sua esposa no filme, a personagem de Salma Hayek, o ator acaba entregando o esperado e que claro consegue mostrar que ele se diverte e tem prazer de atuar nos fazendo embarcar na história contada por mais maluca que seja.

Foto: California Filmes

Hayek também parece ter se encontrado nessas comédias menores e faz sua Sonia Kincaid, esposa do assassino, uma versão feminina e maluca do personagem de Jackson. A atriz acaba roubando as cenas que se passam quase todas no mesmo local, sua cela na prisão. O outro destaque do elenco feminino é a atriz Elodie Young que também mostra uma boa atuação e uma personagem agradável. Young faz um contra ponto de sua personagem em Os Defensores (Netflix) mas mesmo assim tem seus momentos principalmente quando ganha um pouco mais de destaque no final. Gary Oldman faz um ditador bem canastrão mas dentro do esperado para esse filme e parece que entrou no elenco para deixar ele com um ar mais sério. A produção apenas flerta com alguns temas mais complexos que deixam o roteiro um pouco mais robusto para depois meio que voltar para aquilo mais simples que estava dando certo no começo.

Com cenas de perseguição de carros bem reais, e com umas localizações diferentes dos filmes tradicionais (maior parte do filme se passa em Amsterdã na Holanda), Dupla Explosiva faz um filme engraçado, com boas piadas, perseguições bem coreografadas com ótimas atuações dos seus atores principais e definitivamente faz do longa uma diversão bem descompromissada. Uma aposta simples mas muito bem acertada.

Nota do Crítico:

Dupla Explosiva estreia dia 31 de Agosto.