Dumplin | Crítica

Depois de um bom tempo, Dumplin (2018) chega no catalogo nacional da Netflix. A produção estreou nos EUA em Dezembro, tanto na plataforma quanto nos cinemas, para tentar garantir presença nas premiações.

No final, conseguiu emplacar, apenas, Melhor Música Original no Globo de Ouro, mas isso, não faz o filme, perder seus méritos em ser uma deliciosa e emotiva aventura musical no mundo dos concursos de beleza.

Jennifer Aniston and Danielle Macdonald in Dumplin' (2018)
Dumplin – Crítica | Foto: Netlfix

Dumplin, tem uma sensibilidade enorme, um coração maior ainda, e faz uma jornada de descobertas e aceitação muito interessante.

Na trama acompanhamos Willowdean, também chamada Dumplin (um tipo de comida com formato redondo muito popular no sul dos EUA) uma jovem garçonete, filha de uma ex-Miss, que resolve participar de um concurso de beleza em uma pequena cidade no Texas, como forma de protesto contra os concursos de miss.

E Dumplin, tanto o filme, quanto a personagem que tem seu nome, é cheio de carisma e personalidade. A fenomenal Danielle Macdonald, novamente acerta, e faz uma personagem humana, cheia de sentimentos, onde a atriz se destaca novamente com uma artista super talentosa e entrega mais uma vez, uma atuação fascinante.

Junto com a amiga Ellen (Odeya Rush), Will resolver fazer um “protesto em salto alto” para homenagear a tia falecida, e assim, sacudir a cidade sulista onde vive. O problema é que sua mãe, Rosie é a diretora do Miss Teen Bluebonnet e as duas vivem uma relação um pouco complicada.

E, olha, Jennifer Aniston brilha mais que a coroa de sua personagem, e entrega um de seus melhores papéis em anos. Em tela, a atriz faz o espectador prestar atenção em sua personagem, no minuto em que aparece, como uma mãe meio cabeça de vento, viciada em concursos de beleza, e que só liga para as aparências. Dumplin vale à pena de se assistir, só pela troca entre Aniston e Macdonald, que tem uma química invejável e fazem uma dupla e tanto.

O roteiro de Kristin Hahn, baseado na obra de Julie Murphy, consegue ainda tocar em feridas tão profundas e enraizadas nos conceitos e padrões de beleza impostos pela sociedade sobre os corpos, mas ao fazer isso, faz de uma forma simples, sem ser didática, de um jeito divertida e com bastante emoção em vários momentos.

Dumplin – Crítica | Foto: Netlfix

Em Dumplin, temos a figura de Dolly Parton como uma grande guru, no estilo de uma Oprah country que serve como uma guia de vida espiritual e musical para os personagens. A trilha sonora sulista, ainda ajuda o filme a ter um tom bem leve, onde as músicas, ainda conseguem se mesclar com a trama contada de uma forma que a história fique ainda mais divertida de se assistir. Com destaque para a faixa Girl in the Movies que acaba por ser o toque final que completa o filme.

O longa fala bem mais do que apenas sobre a competição para coroar a próxima Miss em si, Dumplin é sobre descobrir quem você é, a importância de amizades, que às vezes vem de locais mais inesperados, e fazer aquilo que gostamos com determinação. Claro, a trama circula por diversos conflitos entre diversos personagens, coisa que acaba por prolongar um pouco mais o filme do que ele deveria. Assim, temos um pouco desconexas ao arco principal que vão desde a amiga bonita que começa a se dar bem no concurso até o colega de trabalho charmoso que parece gostar da protagonista. No meio disso tudo, Dumplin ainda, consegue ainda fazer uma crítica sobre o disputado mundo dos concursos de beleza.

É muita coisa para pouco tempo, mas no final, Dumplin faz uma produção super encantadora, agradável, e tem sequências musicais cativantes que fazem um belo retrato de amizades femininas com um toque de empoderamento bastante sutil e perspicaz.

Nota do Crítico:

Dumplin já disponível na Netflix.

Miguel Morales

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