Dora e A Cidade Perdida | Crítica

Quando foi anunciado que a Paramount Pictures iria fazer um live action da animação Dora, A Aventureira e com o diretor Michael Bay envolvido na produção, a internet viveu hilários momentos de pura tensão. Mas na medida que o projeto entrou em desenvolvimento novas informações surgiram, e ficou claro a intensão do estúdio. 

E Dora e A Cidade Perdida (Dora And The Last City Of Gold, 2019) nada mais é que uma tentativa de criação de franquia dentro da Paramount, e que se pareceu muito mais eficaz do que as tentativas de outros estúdios nessa tarefa nos últimos anos.

Dora e a Cidade Perdida – Crítica | Foto: Paramount Pictures

O filme da Dora consegue ser um Indiana Jones para crianças, e se sai melhor do que a nova versão de Lara Croft em criar uma aventura pela selva atrás de objetos perdidos. 

Com passagens divertidas e bem humoradas, Dora E A Cidade Perdida peca pelo excesso de atuações caricatas, oras vergonhas, e mira um público alvo extremamente infantil.

O roteiro da dupla Matthew Robinson e Nicolas Stoller, apresenta de forma bastante convincente que Dora (Isabella Moner agora Isabella Merced, uma atriz para ficar de olho no futuro) nunca esteve em contato com a cidade grande e outras pessoas de sua idade, o que deixa a personagem meio abobalhada em diversos sentidos e momentos. Não que se esperasse uma certa seriedade para esse tipo de filme, mas às vezes, o tom usado no filme quebra um pouco a linha raciocínio que a história tenta criar.

Merced, por exemplo, não tem o mesmo charme que Gal Gadot imprime em Diana quando a amazona chega ao continente pela primeira vez em Mulher Maravilha. Em Dora E A Cidade Perdida as piadas estão ali, o processo de adaptação da personagem no novo mundo, talvez, seja o momento que o filme menos se empolgue e entregue passagens inspiradas, principalmente quando vemos Dora chegar para estudar pela primeira vez com outros adolescentes.

Aqui, a maior ameaça não são cobras rastejantes, escorpiões com venenos mortais, e sim, a ameaça do ensino médio. E assim, o longa apresenta os outros personagens coadjuvantes e importantes para o desenvolvimento da trama.

Dora vem para os EUA estudar com seu primo Diego (Jeff Wahlberg) na mesma escola que o rapaz, e precisa deixar a floresta que cresceu de lado e o amigo de longa data Botas. O filme, claro, faz a garota da mochila roxa, com o marcante cabelo de franja, e que vive por quebrar a 4a parede com o espectador, voltar para seu habitat natural quando seus pais (Michael Peña e Eva Longoria, hilários) desaparecem do mapa no meio de uma missão para a cidade de Parapatas na América Central. 

Dora e a Cidade Perdida – Crítica | Foto: Paramount Pictures

Dora e a Cidade Perdida emula toda a essência de diversos filmes de exploração e caça ao tesouro, quando a jovem se alia com o guia Alejandro (Eugênio Derbez) em uma jornada para encontrar os pais e a Cidade misteriosa que eles buscavam. Assim, no filme, temos uma organização do mal em busca dos objetos perdidos há milhares de anos, o vilão clássico da animação, o mascarado Raposa, unidos com reviravoltas na trama, e claro um bom humor que lembra bem aquele apresentado em Jumanji: Bem-Vindo à Selva

Claro, como falamos, o filme é extremamente infantil em sua abordagem em diversas situações, o roteiro de Dora quer que o espectador desvende as pistas encontradas pela garota e seus amigos – destaque para a personagem de Madeleine Madden – junto com eles, e mesmo que não seja um longa interativo, para os mais velhos a trama soa previsível e de fácil resolução.

No final, Dora e A Cidade Perdida faz um daqueles filmes divertidos, com carinha da Sessão da Tarde, com orçamento modesto e que nos dias de hoje lutam para garantir um lançamento no cinema. Você sabe falar filme para família? Diga, filme para família!

Nota do Crítico:

Dora e a Cidade Perdida chega em 14 de novembro nos cinemas!  

Miguel Morales

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