Dolittle | Crítica

Em uma primeira aventura após finalizar sua participação na mega franquia blockbuster Vingadores como Tony Stark, parece que o ator Robert Downey Jr. queria começar uma nova etapa de sua carreira de uma forma grandiosa. E com Dolittle (2020), a ideia de uma nova e épica história com direito a se tornar uma próxima franquia para o ator é boa, mas parece ser apenas boa no papel?

Robert Downey Jr. and Emma Thompson in Dolittle (2020)
Dolittle | Crítica | Foto: Universal Pictures

O segundo filme de uma safra que a Universal Pictures aposta em animais falantes criados por computação gráfica poderia ter tudo para ser um ótimo filme, mas talvez a história apresentada em si não se sustente como deveria, onde Dolittle por mais grandioso, tanto em nomes no elenco quando pela sua trama, acaba apenas por ser um filme divertidamente ok. Em Dolittle é como se estivéssemos a esperar o grande grito da pantera, e no final, temos apenas…. um miado de gato? E os gatos não estão em alta no estúdio….

Em Dolittle, Robert Downey Jr. encarna o estudioso que tem a habilidade de se comunicar com os animais, e aqui, vemos que o ator parece estar bem confortável no papel, e abraça as loucuras e excentricidades que o seu Dr. John Dolittle nos oferece. O Dolittle de Downey Jr. é como se tivéssemos uma mistura do detetive Sherlock Holmes do ator, mas com os trejeitos de Capitão Jack Sparrow, o personagem do ator Johnny Depp na franquia Piratas do Caribe. Assim, Downey Jr. segura completamente as pontas, e toma o filme para si, realmente roubando as atenções inteiramente para ele, afinal, a quantidade de animais criados por computação gráfica é tão extensa com vários personagens que se perdem com suas funções na trama, que Dolittle é a oportunidade certa para o ator colocar seu DNA em mais um personagem para sua galeria. 

Dolittle tem uma trama que pode ser considerada até simples demais e bastante infantil, mas que dá a chance para Downey Jr. brincar e se divertir em tela. O ator parece realmente tido bons momentos durante as gravações, quanto seus outros colegas apenas emprestaram suas vozes para a grande lista de personagens que estão no barco do personagem rumo à uma jornada em busca de um objeto com poderes mágicos e curativos. 

Assim, vemos Dolittle reunir sua trupe com patos (voz de Octavia Spencer no original), girafas (voz de Marion Cotilard no original), raposas (voz de Selena Gomez no original), gorilas (voz de Rami Malek no original) papagaios (voz de Emma Thompson no original), avestruzes (voz de Kumail Nanjiani no original), e muitos mais outros animais, todos juntos em viagem pelo mar. E aqui, pelo menos, os efeitos visuais utilizados para dar vida para personagens estão bem desenvolvidos, e dão a chance para os atores em trabalharem um pouco com suas vozes para a criação das personalidades distintas de cada um deles.

O roteiro escrito à quatro mãos por Stephen Gaghan, Dan Gregor, Doug Mand, e Chris McKay é pensado para tentar agradar à todos os tipos de público, e acerta em principalmente deslumbrar o espectador com os personagens criados por efeitos visuais cheio de expressões e interações com a figura humana de Downey Jr. Assim, em Dolittle, temos literalmente, um show de um homem só durante boa parte do longa. Ao embarcarem em uma missão, vemos os personagens enfrentarem desafios no mar, ameaças em uma jaula com um tigre (voz de Ralph Fiennes no original), e vilões (Martin Sheen, hilário) nessa grande jornada. E por mais que seja bastante grandiosa, Dolittle tem uma trama unida por um fiapo de história completamente previsível e que nos faz apenas sentar e esperar seu desenrolar.

Robert Downey Jr. and Harry Collett in Dolittle (2020)
Dolittle | Crítica | Foto: Universal Pictures

Dolittle pode até empolgar e divertir na primeira hora devido ao fato do longa introduzir diversos animais falantes, e apresentar suas relações entre si, mas quando a história entre em seu modo aventura tudo soa genericamente sem carisma. Dolittle faz uma reunião improvável do protagonista com uma equipe de resgate formata por animais com as crianças Tommy (Harry Collett) e Lady Rose (Carmel Laniad), que estão ali apenas para cumprir tabela e realmente não tem necessidade de estarem efetivamente na história com uma trama sobre amizades e companheirismo.

Mesmo assim, Dolittle até que faz um bom filme, com algumas surpresas, algumas aparições (Antonio Banderas no modo vilão), mas nada muito espectacular. No final, Dolittle até tem seus méritos em alguns momentos e passagens, o grande problema fica com a forma simplista que a história é montada e ajeitada para se parecer um grande carnaval de animais falantes. Dolittle comprova o “star power” de Downey Jr que ao protagonizar o filme corrobora a informação que são para poucos a tarefa de se levar um filme inteiro nas costas. 

Nota do Crítico:

Dolittle chega nos cinemas nacionais em 20 de fevereiro.

Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter falando sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema e claro outras besteiras. Uso chapéu branco e grito It's Handled! Me segue lá: twitter.com/mpmorales