Divórcio | Crítica

Em comédias românticas temos sempre aquele aquela famosa história que meio que segue uma fórmula né? Demora para o mocinho e mocinha se conhecerem, para ficarem juntos eles tem que superar alguns obstáculos e só depois terem o felizes para sempre. E no caso do nacional, Divórcio (2017) o filme faz questão de contar o que acontece depois de um final digno de contos de fadas para Noeli (Camila Morgado) e Julio (Murilo Benicio). Com isso a produção acerta em muitas coisas, principalmente com a escolha do elenco principal.

Com uma trama ágil e moderna, a comédia é um clássico Guerra dos Sexos, versão do interior e super atual! O grande destaque é a química entre Morgado e Benicio que estão fantásticos e hilários juntos, como o casal do interior de São Paulo que se casa, criam família e um negócio juntos mas depois alguns anos com uma mesma rotina começam a implicar com as pequenas coisas uns dos outros.

Foto: Guilherme Maia/Warner Bros

Agora a dupla está em pé de guerra para um defender tudo aquilo que construiram juntos. Com situações muito bem trabalhadas e um história amaradinha, a comédia mostra de uma forma leve pequenas situações dignas de uma comédia romântica americana ou um quadro do humorístico Saturday Night Light. Com uma pitada de humor sarcástico o roteiro de Paulo Cursino, dos filmes de Pernas pro Ar e Até que a Sorte Nos Separe, abusa de situações para criar momentos que deixam os atores principais soltos e a vontade para se jogarem com o casal sem noção Noeli e Julio.  A caracterização desde das roupas, ao jeito de falar e no caso de Benicio de rir mostram a grande preocupação em fugir do óbvio e ambientar a trama em Ribeirão Preto em vez do eixo Leblon-Jardins o que deixa o filme com um ar de novo, com uma comédia mais física que deve agradar o público brasileiro. O filme acerta e muito nesse sentido.

Morgado faz uma personagem interessante que está disposta a tudo pela família mas principalmente ser feliz, o sotaque e o jeito doce meio do interrrrrior deixam a produção com um ar ainda mais engraçado. Benicio em sua primeira comédia mostra uma veia cômica muito interessante e realmente está dentro do tom e confortável no papel. O filme conta ainda com participações que deixam a comédia com um ar ainda bem engraçado, Angela Dippe e André Mattos roubam as cenas como os advogados sem coração de cada um dos personagens principais.

Mesmo com algumas tramas meio paralelas não tão bem desenvolvidas e até com personagens demais o filme ainda é um grande acerto nacional. Com uma trilha sonora sertaneja que deve agradar os fãs, o filme é uma comédia leve, nada pretensiosa e que conta uma história até que não muito original mas que se acerta graças ao talento do seu casal protagonista. Ao criar tramas paralelas isoladas para depois juntar tudo novamente o filme fica com um ar mais serializado onde temos muito tempo de tela gosto com algumas explicações não muito necessárias mas que no final acabam mais incomodando.

Mas é um filme diferente de outras comédias brasileiras, tem um humor mais polido mesmo sendo totalmente popular e que deve se conectar com o público, afinal o casal passa por algumas situações até possíveis de se acontecerem mesmo que no filme elas acabem sendo amplificadas para a proposta da comédia. Com a garantia de boas risadas, Divórcio é um filme para a família, namorados, maridos e mulheres que conta de forma bem humorada as desventuras de um casal de apaixonados que passa por situações engraçadas e até malucas.

Nota do Crítico:

Divórcio chega aos cinemas nacionais em 21 de setembro.

 

Miguel Morales

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