Dilema | Crítica da 1ª Temporada

O time de marketing da Netflix, literalmente, resumiu bem como definir a produção, quando recebeu os episódios da série e precisou decidir sobre o título nacional que What/If iria receber. Os executivos optaram por Dilema, e o nome não poderia deixar mais claro, o que esperar dessa nova produção do serviço de streaming.

Renée Zellweger in What/If (2019)
Dilema – Crítica 1ª Temporada | Foto: Netflix

O espectador fica num dilema gigantesco, pois convenhamos Dilema é ruim demais, mas ao mesmo, o argumento de Mike Kelley para a série faz dela ser uma produção altamente viciante e um completo guilty pleasure. Kelley foi criador de uma outra produção que seguia os mesmos moldes, a novelesca Revenge, mais aqui, a série protagonizada por Renée Zellweger tem uma grande diferença, ela não se leva a serio. E esse é o maior elogio e mérito que Dilema poderia receber.

Ao assistir os episódios é capaz de notarmos que até mesmo os atores parecem notar que a qualidade do texto que sai de suas bocas chegar a ser quase surreal de tão galhofa. As caras e bocas de Zellweger e suas inúmeras cruzadas de pernas ao longo dos episódios, fazem o espectador ficar no mínimo curioso com a trama apresentada no viciante episódio piloto.

Em Dilema, Zellweger é Anne Montgomery uma investidora de sucesso que vê a oportunidade de investir em uma start-up que oferece um tipo de tratamento diferenciado das outras empresas farmacêuticas. Assim, Anne oferece um acordo para a CEO da empresa, a jovem Lisa (Jane Levy), um investimento milionário, mas, em troca seu marido Sean (Blake Jenner) tem que passar uma noite com executiva. Pois é, você sente a farofa, leitor?

Renée Zellweger and Jane Levy in What/If (2019)
Dilema – Crítica 1ª Temporada | Foto: Netflix

Dilema assim, começa com ar meio De Olhos Bem Fechados (1999), onde a série abusa de cenas mais ousadas, como se fosse um bom e velho filme de final de noite, com corpos nus, e uma forçação sexual gigante. O grande dilema aí é responder a pergunta: será que continuo a assistir os próximos 9 episódios? A resposta sincera é não, mas a forma que as coisas terminam no episódio, e as pontas soltas são deixadas logo em seguida nos próximos episódios (1×02 – What Now, 1×03 – What Happened e 1×04 – What Drama) deixam Dilema ser aquele tipo de série extremamente maratonável, que quando o espectador vê já foi sugado dentro do vórtex Anne Montgomery .

Assim, Dilema faz aquele tipo de produção que o espectador sabe ser ruim, mas que não consegue parar de ver. Seja por Lisa que entrega um arquétipo de mocinha, ah lá contos de fada que vê sua inocência ser corrompida pela as artimanhas da misteriosa investidora, ou até mesmo, por querer descobrir o que o marido da protagonista, o ex-jogador e bombeiro em treinamento, Sean esconde, e ainda, se envolver as tramas paralelas (e bem avulsas) dos outros personagens, onde todos eles parecem ter algum segredo, como o meio-irmão Marco (Juan Castano) e seu relacionamento aberto, da melhor amiga e funcionária Cassidy (Daniella Pineda), e ainda o arco envolvendo infidelidade do casal de amigos Angela (Samantha Marie Ware) e Todd (Keith Powers) que chega ao mesmo tempo a ser bem surreal e quase inacreditável. 

E se você cai no golpe de Dilema, pelo menos, deve chegar na parte onde a série ganha fôlego, lá em seus últimos episódios, e apresenta algumas viradas na trama (1×08 – What Secrets e 1×09 – WTF), onde o jogo de xadrez comandado por Anne, que mexe com os personagens do seriado a seu bel prazer, começar a chegar em seu final. Assim, a executiva, enfim, percebe que seus adversários estão prestes a dar um xeque-mate, e então, a série corre para finalizar seus arcos de uma forma quase amadora, onde as pontas precisam ser aparadas, e os planos finais colocados em prática.

E afinal, se você chegou até aqui, o único caminho possível é ir até o final, mas como já diria a própria Emily Throne na outra série de Kelly, na busca de vingança cave duas covas, uma para a série e outra para você. Dilema é para aqueles fãs de novelões, dos mais cretinos possíveis, e nós não vamos te julgar, afinal, adoramos eles.

Dilema disponível na Netflix.

Miguel Morales

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