Depois Daquela Montanha | Crítica

Baseado em um livro com o mesmo nome Depois Daquela Montanha (Mountain Between Us, 2017) consegue ter dois nomes grandes em Hollywood para contar uma história de sobrevivência bem água com açúcar que se destaca em partes por suas paisagens com neve que contratam com a tragédia envolvida. Mas infelizmente o filme tem momentos de tensão que não chegam a empolgar e criar aquele sentimento de que os personagens estão realmente mesmo em perigo.

A produção não consegue desenvolver e nem criar quase nenhuma expectativa para quem assiste em relação a torcida nem da sobrevivência do casal e muito bem de um possível romance entre os dois. Apoiado nas atuações do casal principal, o filme tem sim seus momentos mas acaba sendo uma produção que não mostra algo de novo, a não ser contar uma história que não fica focada só nos acontecimentos pós-queda do avião mas também em suas consequências.

No filme conhecemos dois estranhos Alex (Winslet) e Ben (Elba) que se cruzam em um aeroporto depois de descobrirem que seus voos foram cancelados devido ao mau tempo na região. A parte boa do roteiro de J. Mills Goodloe, é que a história caminha até que bem rápido para chegar na parte que realmente importa: mostrar como o casal se relaciona depois que o avião que eles alugam cai. Assim, eles precisam confiar um do no outro mesmo sabendo nada sobre a vida deles e então perdidos numa remota montanha coberta de neve, a dupla precisa aprender a confiar nas habilidades que eles tem para tentar sobreviver.

Foto: Fox Film do Brasil

Claro que a melhor parte do longa fica nos momentos que os personagens estão juntos sozinhos na montanha e Winslet e Elba até tem uma certa química juntos, mas são suas cenas vistas individualmente que fazem o grande destaque do filme. Elba continua com aquele ar charmoso e misterioso de sempre mas aqui parece que o sentimento de sobrevivência do personagem que o ator coloca no cirurgião Ben faz do ele fique ainda mais convincente no filme. Já Kate Winslet não chega no mesmo nível que seu parceiro de tela mas transmite um sensacional de conforto para o personagem que consegue passar sentimento de doçura com um espirito aventureiro ao mesmo tempo para Alex que é bastante interessante. Mesmo o roteiro falhando em focar nas atitudes e polarizar os comportamentos dos dois (um mais centrado e racional e a outra mais espirito-livre) o filme acaba acertando em desenvolver gradualmente a história dos personagens ao longo do periodo que eles passam congelando na montanha levando a momentos bem interessantes em termos de desenvolvimento de personagem.

Claro que Depois Daquela Montanha precisa daquela faísca romântica mas quando o filme foca na amizade entre os dois que ele acaba mais acertando e quando finalmente deixa o mistério de “Será que eles vão morrer?” para o “Será que eles vão ficar juntos?” a produção acaba se perdendo e não tendo o mesmo fôlego que antes. O roteiro falha novamente ao não consegue criar um sentimento de importância com os motivos de por que eles resolveram embarcar juntos no avião e a personagem de Winslet fala do noivo como se tivesse lendo uma receita numa lata de leite condensado, o que faz no final você meio que não torcer para eles.

Além das atuações como falamos o filme acerta nas tomadas e nas cenas que focam nas paisagens e nos perigos que o casal enfrenta e mesmo com umas conveniências de roteiro as filmagens são bem bonitas e chegam até a deixar um sentimento de silêncio mortal bem presente no filme. A contenplação dos locais são um destaque e o trabalho de posicionamento de câmera foi mto bem acertado.

Depois Daquela Montanha conta uma história de sobrevivência e mostra a força de vontade de duas pessoas em tempos de dificuldade mas acaba sendo uma produção que os problemas se tornam maiores que os acertos. Mesmo com um elenco estrelado o filme acaba sendo mais do mesmo com um sentimento de “já vi essa história sendo contada algumas vezes” seja na montanha, em terra ou na praia. Só o visual maravilhoso e as atuações não seguram as pontas do filme e parece que realmente alguma coisa não casou em diversas partes como se em vez de um elefante na sala aparecesse uma montanha gigante e cheia de gelo. O título do filme em inglês não poderia fazer melhor jus ao sentimento que você tem ao sair do filme.

Nota do Crítico:

Depois Daquela Montanha estreia dia 02 de Novembro nos cinemas.

Miguel Morales

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