Death Note | Crítica

Criticado logo que foi anunciado, Death Note (2017) finalmente chegou neste último fim de semana no catálogo da Netflix, e o que todos os fãs do original japonês temiam, aconteceu da forma mais brutal possível: o nome Death Note foi escrito no próprio caderno. Dirigido por Adam Wingard, de Bruxa de Blair (2016) e do vindouro Godzilla vs. Kong (2020), o filme se mostra apressado, sem maiores explicações e com sequências que nos remete as mortes da cinessérie Premonição (2000), mas de qualidade muito mais duvidosa.

O roteiro, escrito a seis mãos por Charles Parlapanides, Vlas Parlapanides e Jeremy Slater, nos entrega uma trama que busca seguir a risca os conceitos e a trama da animação e do mangá Death Note (2003) de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, onde um adolescente inteligente encontra o livro da morte do shinigami Ryuk e começa a matar criminosos e assim limpar o mundo, mas atrai os olhares do detetive L, que vem para desmascarar o “assassino” usando toda a sua lógica e inteligência. A trama é apresentada de forma rápida nesse quesito e se soluciona da mesma forma, mas infelizmente não tem o carisma necessário para o desenvolvimento de seus personagens.

Light (Nat Wolff) é um adolescente inteligente, mas completamente inseguro e apavorado, e a direção já se atrapalha em seu primeiro encontro com Ryuk (Willem Dafoe), trazendo uma cena de medo de forma mais pastelão possível. O desenvolver de Light só piora no desenrolar da película, e quando Mia (Margaret Qualley) entra na trama, as motivações do personagem se perdem, enquanto ela apenas vai deixando claro, e em cenas bem óbvias, a sua intenção com o Death Note. Light é manipulado o tempo inteiro…

Death Note

Mas então temos a entrada de L (Keith Stanfield) na trama. O detetive, que na versão em mangá é atrevido e cheio de sacadas por conta de sua condição quase próxima da Síndrome de Asperger, mas aqui na versão americana foi apenas mostrado como um excêntrico devorador de doces que gosta de se sentar de forma bizarra. A maneira como ele se aproxima de James Turner (Shea Whigham), as coincidências bizarras, tudo é tão mal desenvolvido que pouco nos importamos com o personagem, nem mesmo o seu intenso treinamento para se tornar um detetive, rapidamente comentado na trama.

Se formos analisar Death Note sem comparar com a trama em que foi baseado, e não adaptado, o filme ainda continua com grandes furos de roteiro, mesmo tendo a sua vantagem a rápida conclusão das coisas, mas mesmo assim segue fraco e apenas mostra que a Netflix precisa repensar as produções que coloca o seu nome. Wingard se esforça para trazer suspense e algumas mortes de forma interessante a película, mas a sequência da primeira morte praticamente nos faz pensar estar dentro de mais uma sequência de Premonição com atores do nível das séries da The CW e Freeform.

Assim, todos os medos dos fãs de Death Note acontecem, e para quem não é fã e assiste de forma descompromissada, acaba tendo uma experiência difícil de se colocar em palavras, pois o filme corre atrás do próprio rabo e em nenhum momento diz a que veio, deixando um sentimento de frustração. Nem mesmo o terrível CGI empregado em Ryuk salva, mesmo que seu trabalho de composição acaba saindo mais assustador e menos “fanfarrão”.

Nota do Crítico:

Death Note já se encontra no catálogo da Netflix.

  • Flavio Batista Dos Santos

    Terrivel!

    • Dan Artimos

      Terrível e vergonhoso… Light e L viraram dois adolescentes birrentos e Mia completamente irritante… Ryuk ficou bem malucão, e gostei um pouco, mas até ele perdeu bastante de sua essência

      • Flavio Batista Dos Santos

        nao consegui assistir de uma vez… pavoroso. Se nao fosse o original, teria passado totalmente desapercebido