Crítica | Malévola – Dona do Mal

O primeiro Malévola já veio como uma interessante aposta da Disney para contar a história de uma das vilãs mais carismáticas da Disney no formato live-action

O estúdio soube que para o projeto dar certo precisava de uma atriz de calibre para segurar as pontas, o que na indústria chamamos de A List, e personificar a temida personagem que soltava uma maldição em cima de uma criança recém nascida. 

O primeiro filme tem seus problemas, mas o estúdio ganhou pontos por apostar num projeto fora da curva, coisa que a Disney andou se segurando nos últimos anos, e a Malévola de Angelina Jolie até fez um certo burburinho na época.

Malévola – Dona do Mal – Crítica | Foto: Disney

Assim, para a sequência inesperada, que chega agora nos cinemas, a Disney já tinha metade do caminho completado. A outra metade era como desenvolver uma nova história, depois de ter adaptado o famoso conto de A bela adormecida, e principalmente, como ir além e depois do “felizes para sempre” tão icônico para a Princesa Aurora (Elle Fanning) e o Príncipe Phillip (Henry Dickison, numa nova escalação para o personagem diferente do primeiro filme)  

A resposta vem com Malévola – Dona do Mal, onde a Disney parece ter planejado a sequência com o mesmo nível de esperteza do que foi o primeiro filme: nomes poderosos em Hollywood, e um apelo nostálgico para os clássicos animados do estúdio. 

E aqui, além de termos o retorno de Angelina Jolie como a marcante personagem, temos também, Michelle Pfeiffer num segundo papel em parceira com a Disney, após seu retorno aos cinemas, como a fria e calculista Rainha Igrith. Assim, em Malévola 2 temos num personagem que enfim consegue bater de frente com Jolie, e realmente ser a grande vilã num filme novamente sobre a vilã com asas ameaçadoras. 

E por mais que as duas atrizes estejam bem, e confortáveis nos papéis, parece que falta alguma coisa no roteiro para compensar a interação de Pfeiffer e Jolie em tela. Malévola 2 parece ir numa onde meio Game Of Thrones, com intrigas palacianas, disputas pelo poder, e uma promessa de guerra para fazer a história do filme andar.

Ao fazer isso, o roteiro do trio Linda Woolverton, Noah Harpster, e Micah Fitzerman-Blue tenta pincelar momentos chaves da trama de A bela adormecida para justificar a presença dos personagens em tela, para aquela determinada história que no final acaba por ser apenas uma trama sobre vingança, inveja e preconceito. É como a personagem de Pfeiffer branda em uma determinada parte: “isso não é um conto de fadas”.

Por mais que visualmente a Disney consiga caprichar em efeitos visuais deslumbrantes tanto da recriação dos reinos, tanto dos humanos quanto das fadas, nem todo o espectáculo de cores e de imagem geradas por computação gráfica podem compensar o fato que o filme demora para engrenar e mostrar para que veio. Malévola 2 é tudo que a Disney sabe fazer de melhor, entregar um deslumbre visual para compensar alguns outros problemas aqui e ali. 

A busca de Malévola em encontrar suas origens, após romper sua relação com Aurora, acaba por ser um desvio na trama que por mais que interessante que seja, apenas serve para introduzir novos personagens que realmente não nos importamos ou ligamos no final das contas.

Assim, temos desde a figura sábia de Conall (Chiwetel Ejiofor) até a presença ameaçadora de Borra (Ed Serkin), um novo reino que o filme apresenta, além de ser belíssimo, também apenas está no filme para justificar a trama dos momentos finais, onde o reino do Príncipe Philip entre em guerra com os outros reinos vizinhos. 

E a sequência de batalha por mais explosiva e angustiante que seja apenas compensa pelo fato que Malévola 2 se apoia num fiapo de história para conduzir sua longa trama que tenta colocar algumas reviravoltas que soam forcadas e apressadas. Marcada por escolhas difícis dos personagens principais, os momentos finais acabam por ser um sopro de adrenalina que batem no rosto do espectador como se estivéssemos na frente de Malévola quanto a personagem bate suas asas durante combate. 

No final, Malévola 2 se faz uma desnecessária sequência, até digamos esquecível, mas que garante ao espectador boas atuações de duas atrizes experientes em Hollywood que parecem terem se divertido nas gravações. Ora, ora, ora, não seria essa a fórmula do sucesso, praga?

Nota do Crítico:

Malévola – Dona Do Mal nos cinemas


Miguel Morales

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