Crimes em Happytime | Crítica

Poucos filmes tem os culhões de fazer o que Crimes em Happytime (The Happytime Murders, 2018) fez onde até agora a produção tem levado o título de filme mais sem noção do ano!

E hoje em dia, poucas atrizes em Hollywood poderiam entregar uma comédia com um tom tão bizarro e com uma história tão surreal como acontece aqui nesse filme mas se tem alguém que consegue fazer isso com uma facilidade sem tamanha, Melissa McCarthy é uma delas.

Veja bem, não é que o filme seja totalmente ruim. Tirando toda a piração, Crimes em Happytime até tem algumas piadas que funcionam e uma trama de investigação bem amarrada mas tudo isso acaba por esbarrar em uma história sem pé nem cabeça que é difícil de não pensar “como alguém consegue aprovação para um filme desses?”

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Foto: Diamond Filmes

E antes de tudo, mesmo que Crimes em Happytime tenha os bonecos Muppets no seu cartaz e nas suas imagens, a produção não é um filme para criança. Longe disso. O roteiro de Todd Berger é super adulto, tem piadas de duplo e triplo sentido até dizer chega, onde o texto abusa de falas e cenas com cunho sexual e que principalmente envolvem bonecos de pelúcia.

A trama é uma sequência de momentos vergonhosos e que beiram o grotesco em vários situações, na história os bonecos Muppets convivem em nossa sociedade como cidadãos comuns mas que vivem marginalizados. Quando o elenco de um programa infantil dos anos 90 começa a ser assassinado um por um, a detetive Connie Edwards (McCarthy) precisa se unir com seu ex-parceiro Phill (voz de Ryan Tran), um boneco de pelúcia azul viciado em sexo e açúcar, para descobrir quem está por trás dessa onda de crimes.

Até que Crimes em Happytime consegue conectar bem suas pistas e mesmo que não faça nada de muito ousado em relação a trama de investigação todo o restante é super forçado. É com se o filme tentasse apenas chocar por chocar em cenas completamente embaraçosas e que de verdade não precisavam ser mostradas nesse tom tão exagerado.

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Foto: Diamond Filmes

O elenco de apoio composto pela atriz Maya Rudolph, uma secretária cheia de caras e bocas com um cabelo gigante armado e do ator Joel McHale como um agente do FBI que investiga o caso faz do filme em suas partes humanas até ser aceitável. O problema em Crimes em Happytime, na verdade, acaba por ser os fantoches mesmo onde os bonecos parecem estar no filme apenas para o filme ter um diferencial em vez de ser uma comédia policial tradicional. As poucas piadas que funcionam no filme não envolvem os personagens então, aqui, a questão é mais sobre toda essa trama surreal envolvendo eles do que qualquer outra coisa.

No final, Crimes em Happytime acaba por ser uma comédia mediana com um humor super adulto, com piadas que variam entre serem sujas e outras apenas desnecessárias. Melissa McCarthy, talvez, esteja no limite de suas munições em conseguir vender qualquer coisa em Hollywood e ser a protagonista dessas comédias mais escrachadas e sem noção. Um crime por conta do talento da atriz.

Nota do Crítico:

Crimes em Happytime chega nos cinemas em 27 de setembro.

Miguel Morales

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