Cópias – De Volta À Vida | Crítica

Cópias – De Volta À Vida (Replicas, 2019) acaba por ser, literalmente, uma cópia, e uma junção bem frankenstein, de diversas subtramas vistas em outros filmes de ficção científica, onde, aqui, por mais interessante e mirabolante que seja a história, o longa falha por entregar um roteiro confuso, atrapalhado e que suga a paciência do espectador.

Keanu Reeves in Replicas (2018)
Cópias – De Volta À Vida – Crítica | Foto: Paris Filmes

Mas se vale de alguma coisa, Keanu Reeves leva o longa nas costas, lidera o elenco e garante que Cópias – De Volta À Vida não seja um total fracasso. Mas, por outro lado, o ator parece não estar em um bom momento em sua carreira, e não consegue convencer como o Doutor Will Foster.

Em Cópias – De Volta À Vida, temos a sensação de ver apenas a imagem que Reeves passa fora das telas, um cara rebelde com boas intenções. Aqui, no filme, vemos Will usar sua esposa Mona (Alice Eve, até que bem ao interpretar uma médica e depois sua versão robô) e seus filhos como cobaias em um projeto que ele desenvolve no trabalho, após ver a família morrer num acidente de carro.

Assim, toda a parte científica do filme nos é passada de uma forma completamente artificial, dura e mecânica, como se os personagens tentassem falar e agir de forma natural, mas acabam, apenas por passarem um sentimento de que estão pedindo um pão na padaria ao debaterem sobre como podem transferir a mente de uma pessoa para a carcaça de um robô, ou ainda, como criar, desenvolver e manter clones com corpos sintéticos.

E todo esse sentimento visto em Cópias – De Volta À Vida, se dá, talvez, pela figura do Dr. Ed Whittle (Thomas Middleditch) que nos entrega um cientista mega inteligente, mas aqui, usado como alivio cômico em que o filme tentar usar com o personagem, aquele fator de pessoa comum que Hollywood começou a colocar em cientistas em produções sci-fi depois da popularidade do personagem Sheldon Cooper na série The Big Bang Theory. Uma faca de dois gumes, que acaba cortando para todos os lados.

Thomas Middleditch in Replicas (2018)
Cópias – De Volta À Vida – Crítica | Foto: Paris Filmes

Assim, a dupla de profissionais ao brincarem de Deus, apenas pincelam certas questões éticas e morais, onde Cópias – De Volta À Vida, tenta misturar tudo isso com uma trama de suspense desnecessária, e um arco narrativo de espionagem corporativa completamente avulso com o Sr. Jones, interpretado pelo ator John Ortiz, o empresário, chefe dos cientistas, e uma tentativa falha de vilão que não cola e apenas prolonga a história sem necessidade nenhuma.

No final, Cópias – De Volta À Vida pode até ser uma diversão super descompromissada para um dia sem opções no cinema (mas quando não tem nenhuma mesmo, coisa improvável) ou no streaming. Assim, não esperem nada demais da produção, ou nada ainda, muito elaborado em termos de roteiro ou atuação.

Nota do Crítico:

Cópias – De Volta À Vida chega nos cinemas em 18 de abril.

Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter falando sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema e claro outras besteiras. Uso chapéu branco e grito It's Handled! Me segue lá: twitter.com/mpmorales