Colossal | Crítica

Há diferentes formas de contar uma história, no caso de Colossal (2017) essa premissa é aplicada ao máximo. Junto com um elenco talentoso e conhecido de Hollywood, encabeçado pelos atores Anne Hathaway e Jason Sudeikis, o filme conta com uma história interessante, criativa, mas que no final acaba por nós mostrar uma outra mensagem que fica escondida dentro do seu enredo principal.

Apoiado na curiosidade que cercou a produção desde da sua estreia no Festival de Toronto em 2016 o filme tem um resumo simples, Gloria (Hathaway), uma moça baladeira e festeira, acorda um dia e descobre ter uma conexão com um monstro que está aterrorizando a cidade de Seul, na Coreia do Sul. Então as perguntas não param de surgir, como isso está acontecendo? Qual o motivo disso tudo acontecer justamente com Gloria e na cidade de Seul? E que o monstro-lagarto-Godizilla tem haver com a eterna Princesa Mia?

Colossal
Foto: Neon/Paris Filmes

Hathaway é claramente o destaque do filme e faz um retorno ao cinema com uma personagem que tem sua história descascada como uma cebola. Logo de imediato seu namorado Tim (o novo queridinho das produções americanas, Dan Stevens) lhe dá um pé e termina o relacionamento e ela não vê outra saída senão voltar para a casa de pais no interior. Ao chegar lá acaba cruzando com uma antiga amizade do colégio, o simpático Oscar (o sempre engraçado Jason Sudeikis) que tem ainda mora na cidade e assumiu o bar da família.

Assim o filme encaminha com a ideia de ser uma comédia, ou no melhor estilo de Anne Hathaway, uma comédia romântica garota conhece garoto. Mas ainda bem para a gente que está assistindo a produção não vai por esse caminho 100% e em sua grande parte o longa é uma comédia com humor negro, com um excêntrico e bizarro conceito de ataque de monstros.

Então vamos acompanhando Gloria, Oscar e a dupla de amigos Joel e Garth (formado pelos atores Tim Blake Nelson e Austin Stowell respetivamente) desvendarem, entre uma cerveja e outra, os mistérios do monstro que tem conexão com a personagem principal e ai que o filme tem seus momentos mais engraçados: a medida que vemos a criatura copiar todos os movimentos de Gloria, sendo que ela está em uma praça na cidade dela nos EUA e ele no centro de Seul.

A situação acaba por ficar mais interessante quando uma nova figura entra na equação e novas revelações sobre os personagens mudam a narrativa do filme. A medida que Colossal passa vemos que o filme é mais do isso e sim um longa que passa uma mensagem sobre abuso, descobrir quem somos e claro nosso papel no mundo.

Colossal
Foto: Neon/Paris Filmes

A trama sobre a origem do monstro tem uma explicação não muito diferente de uma feita qualquer outro filme do gênero em produções mais trash, mas o roteiro de Nacho Vigalondo (que também dirige o longa) como falamos mostra uma profundidade um pouco maior ao contar como a trama também fala sobre alcoolismo, que faz uma critica a sociedade e outros problemas pessoais dos personagens. A história da maioria deles não chega a ser muito bem desenvolvida e acaba sendo focada mais na jornada de Gloria.

Colossal faz um filme com uma trama criativa ao lidar com a história de uma mulher que tem uma ligação com um monstro do outro lado mundo. A comédia é marcada por algumas cenas que levam a reflexões interessantes, se apoia nas ótimas interpretações de seus atores principais e deixa os acontecimentos em Seul em segundo plano claramente para focar nos personagens humanos.

Nota do Crítico:

Colossal estreia em 15 de junho nos cinemas.