Chatrone tira do papel animações inspiradas em quadrinhos brasileiros

Na última década, no mercado audiovisual global, foram lançados mais de 50 títulos baseados em histórias em quadrinhos. Isso apenas nos cinemas, sem contar as adaptações para a TV. E um mercado que, pouco a pouco, começa a contribuir para esse cenário é o de quadrinhos brasileiros. Para os sócios-fundadores da Chatrone, a showrunner e roteirista Carina Schulze e o produtor Aaron Berger, o mercado oferece várias oportunidades e a empresa já deu os primeiros passos para embarcar nessa vertente de trazer quadrinhos nacionais para o cinema e televisão.

Aaron e Carina têm bastante experiência com quadrinhos: ambos já trabalharam como agentes em Los Angeles, tendo entre seus clientes artistas de graphic novels. Carina negociou a adaptação Cowboys vs. Aliens e Aaron foi essencial na negociação de filmes baseados em HQs como 30 Dias de Noite e Homens de Preto II.

Em 2012, os dois fundaram a Chatrone América Latina no Brasil, para a produção da série teen Gaby Estrella. Desde a abertura, uma de suas maiores ambições para a produtora era, por meio dela, trazer para o mercado brasileiro sua expertise na adaptação de HQs para obras audiovisuais.

Em 2016, o produtor executivo Rodrigo Olaio, passou a integrar o time, como responsável pelos projetos de animação da Chatrone. Desde sua chegada, o estúdio de animação da produtora já tem dois grandes projetos em andamento, baseados em HQs nacionais: a série Condomínio, uma parceria com a produtora Migdal Filmes, inspirada nos personagens de várias obras da cartunista Laerte; e Super Punk, produção infantil adaptada do quadrinho independente do também brasileiro Guilherme Petreca.

A expectativa é de que estes projetos contribuam para colocar o Brasil entre os principais países produtores de animação. “Estamos muito entusiasmados em desenvolver essas duas séries. Nossa ideia é manter a essência tipicamente brasileira das obras originais, mas criar algo que seja universal o bastante para ter apelo no mercado internacional”, afirma Rodrigo.

Condomínio, por exemplo, traz diversos personagens dos quadrinhos da cartunista Laerte – entre eles, a transsexual Muriel, o mafioso Don Luigi, Deus e a psicóloga Beth – morando no mesmo prédio.

A série vai acompanhar o cotidiano desses personagens, mantendo o humor ácido das tirinhas, característico de Laerte. “A série tem vários personagens que são uma caricatura de coisas que a gente vê no Brasil – um síndico que adora abusar do seu poder no prédio, um porteiro que vive armando esquemas para arranjar uma grana a mais no fim do mês. Colocamos esses personagens em situações que pessoas em qualquer lugar podem se identificar. Quem nunca, por exemplo, teve pânico de pegar elevador com um vizinho e ter que puxar papo? É nessa mistura do universal e do local, que a gente aposta”, diz Carina Schulze, roteirista e cofundadora da Chatrone.

A animação trará também críticas a acontecimentos mundiais, incluindo política nacional e internacional. Condomínio será exibida pelo Canal Brasil, em 10 episódios de 11 minutos de duração – cada um dividido em pílulas de aproximadamente dois minutos.

A outra aposta da Chatrone no mundo dos quadrinhos, a série infantil Super Punk, tem como protagonista uma garotinha de 13 anos chamada Violeta. Super heroína, ela luta contra monstros que invadem sua cidade natal e só ela pode ver. Sua única arma serão os poderes que ela ganha ao ouvir música punk, que aprendeu a gostar com o seu avô Rufus, um rebelde nos seus tempos de juventude.

Outro aspecto interessante dos quadrinhos independentes no Brasil é o fato de muitos deles começarem na internet ou financiarem publicações impressas via financiamento coletivo. Assim, muitos projetos já vêm com uma fanbase, o que pode ajudar no reconhecimento e divulgação do projeto.

A Chatrone tem em vista a produção de obras que se destacam pelo conteúdo e apelo mercadológico, sendo os quadrinhos brasileiros uma excelente aposta para o mercado audiovisual, principalmente pelo fato de sermos um país que consome muitos produtos adaptados de HQs, como os filmes de super-heróis e afins. As duas séries produzidas pela Chatrone ainda estão em desenvolvimento – Condomínio tem previsão de estreia para 2019 e Super Punk para 2020.

Dan Artimos

Sou formado em Sistemas de Informações, e amante de televisão. Trabalho, leio bastante, estudo, vou a cinemas, parques e corro (ultrapassada a meta pessoal dos 21km), e ainda assim vejo séries e escrevo sobre elas. Sim, nem eu sei como consigo fazer a organização de minha agenda no meio de tantas nerdices.