Cemitério Maldito | Crítica

Rei do terror e suspense, Stephen King sem sombra de dúvidas é um nome memorável para os fãs do gênero, e depois de boas adaptações de suas obras no cinema, It – A Coisa (2017) e Jogo Perigoso (2017) foram muito bem obrigado, e na TV, com Mr. Mercedes (Hulu) e Castle Rock (Hulu), chegou a vez de Cemitério Maldito! Mas será que acertaram de novo?

Aqui, com lançamento pela Paramount Pictures, não podemos deixar de fazer um paralelo com outro longa do estúdio que fez bastante sucesso, onde já avisamos que essa nova adaptação de uma história de King não chega a ser daquelas de querer arrancar os cabelos como foi Um Lugar Silencioso (2018).

No entanto, Cemitério Maldito faz uma boa surpresa, em um filme angustiante, cheio de cenas tensas, e que acerta em entregar uma produção com um clima de suspense bem dosado e que ajuda a criar uma ambientação de um típico filme de terror do escritor.

Cemitério Maldito – Crítica | Foto: Paramount Pictures

Baseado no livro de King, com o mesmo nome, Cemitério Maldito acaba por entregar uma produção redondinha, do começo ao fim, onde tudo aqui no filme, que tem direção da dupla Dennis Widmyer e Kevin Kölschcaba, acaba ser muito bem colocado e encaixado para ajudar a contar a história, seja em uma tomada mais demorada em algum objeto em cena, o foco em uma perna toda suja de barro, ou ainda, com uma câmera que passa rapidamente em uma foto em cima de uma cômoda na sala.

Assim, Cemitério Maldito além de fazer um bom suspense, que brinca com a antecipação do susto de uma forma bem interessante, faz ainda um drama que reúne questionamentos sobre vida após a morte, a importância de família, e ainda entrega uma história super rica em detalhes sobre rituais e mitos de povos nativos dos Estados Unidos.

Além do suspense, marca clássica de King e muito bem retratado no filme pela mão da dupla de roteiristas Matt Greenberg e Jeff Buhler, Cemitério Maldito ainda se apoia em momentos mais densos e cenas bem intensas, onde os talentosos atores Jason Clarke e John Lithgow entregam momentos super dramáticos e com uma troca entre si muito boa.

Assim, toda a dramatização que o personagem de Clarke, o doutor Louis que se muda com a esposa Rachel (Amy Seimetz) e as crianças Ellie (Jeté Laurence) e Gage (a dupla Hugo e Lucas Lavoie) para uma pequena cidade no interior, passa ao descobrir mais sobre o local sagrado que existe no terreno na sua nova casa, acaba por ser muito bem desenvolvido e trabalhado ao longo do filme.

E mesmo que ao fazer isso, Cemitério Maldito se vê perder um pouco do seu ritmo, onde vemos algumas esticadas na história que possam parecer um pouco maçantes. E falando em outros pontos problemáticos, o roteiro peca também, em desde do começo, nos dar pistas bem explícitas para onde a história pode caminhar e para onde Cemitério Maldito, irá de fato, e após certos eventos acontecerem, envolvendo gatos, terrenos cheio de lama e noites cheia de névoa, tudo isso fica muito mais claro e evidente.

Mas, como falamos, Cemitério Maldito, entrega uma produção de suspense honesta, onde os roteiristas acertam em trabalhar os arcos narrativos para que a trama cresça ao longo do filme, e ao fazer isso, a dupla responsável pela história faz de um jeito e de uma forma que prende o espectador logo de cara, e faz com que a pessoa que está na cadeira do cinema queira ver o que vai acontecer com a família Creed e com o gato Church, personagem que movimenta boa parte da trama com seu olhar amarelado e oras assustador.

Cemitério Maldito – Crítica | Foto: Paramount Pictures

Um dos destaques fica com a jovem atriz Jeté Laurence que na hora final ganha mais tempo em tela e mostra que às vezes estar morto é melhor (até mesmo para sua carreira). Para uma atriz mirim, a jovem entrega uma atuação no mesmo nível dos colegas veteranos como Clarke e Lightgow.

Assim, Cemitério Maldito faz uma boa e nova adaptação de uma história de Stephen King, mas que joga um pouco seguro com o material que tem e faz um filme um pouco quadrado. A produção compensa tudo isso e ganha pontos pelas pequenas mudanças feitas em relação as outras adaptações da obra original.

No final, os fãs do escritor não devem sair decepcionados do cinema, onde Cemitério Maldito cumpre, a fundo, aquilo o que propõe, entregar um bom e apavorante conto sobrenatural.

Nota do Crítico:

Cemitério Maldito chega nos cinemas em 9 de maio.

Miguel Morales

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